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Demônio Rato de Nariz Dourado e Pelos Brancos

Também conhecido como:
Demônio Rato Meia Guanyin Senhora Fluxo da Terra

A Demônio Rato de Nariz Dourado e Pelos Brancos é uma das demônias de origem mais estranha em Jornada ao Oeste: trezentos anos atrás, em Lingshan, roubou flores e velas perfumadas oferecidas ao Buda Rulai; depois de subjugada por Nezha, adotou como pai de criação Li Jing, Rei Celestial Carregador da Torre — uma 'relação de pai e filha' entre um demônio e uma divindade celestial, uma configuração única em todo o livro. Na Caverna Sem Fundo da Montanha Armadilha do Vazio, ela se autointitulava 'Senhora Fluxo da Terra' e, sob o nome falso de 'Meia Guanyin', sequestrou Tang Sanzang para forçá-lo a casar-se com ela; na caverna, ela ainda cultuava placas com os nomes do Rei Celestial Li e de Nezha. Wukong subiu aos céus para apresentar queixa, forçando pai e filho a descerem pessoalmente para capturá-la, encenando uma embaraçosa cena de 'pai adotivo prendendo a filha adotiva'.

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Published: 5 de abril de 2026
Last Updated: 5 de abril de 2026

Nas profundezas da Caverna Sem Fundo, na Montanha Armadilha do Vazio, havia um altar de oferendas. Sobre a mesa, repousavam duas placas memoriais: uma dizia "Lugar do Venerável Pai, Li Jing, Rei Celestial Carregador da Torre", e a outra "Lugar do Venerável Irmão, Nezha o Terceiro Príncipe". Quando Sun Wukong invadiu o lugar e bateu o olho naquelas placas, ficou zonzo na hora — como é que na caverna de um demônio tinham as placas de altar do general número um do Céu e do filho dele? Aquilo era parentesco ou era golpe? Era adoração ou era chantagem? Wukong embolou as placas no peito e deu no pé; ele sabia que aqueles dois pedaços de madeira valiam mais que qualquer tesouro mágico — eram a prova cabal para fazer o Rei Celestial Carregador da Torre descer pessoalmente ao mundo mortal.

O Demônio Rato que roubou flores de Lingshan: um crime de trezentos anos atrás

A história do Demônio Rato de Nariz Dourado e Pelos Brancos começa trezentos anos atrás. Naquela época, ela nem se chamava "Senhora Fluxo da Terra", era só um espírito de rato que cultivava as artes perto de Lingshan. Lingshan era o reduto do Buda Rulai, onde diante do Buda se ofereciam flores aromáticas e velas preciosas — oferendas que, banhadas na luz budista o ano todo, eram o banquete perfeito para qualquer demônio subir de nível. O rato, com uma audácia descomunal, infiltrou-se em Lingshan e roubou as flores e velas do altar.

Roubar oferendas do Buda é um crime pesadíssimo nas leis dos Três Reinos — não era como surrupiar um objeto particular de algum imortal, era profanar a própria luz do Buda. Rulai, na hora, ordenou a captura da criatura. Quem foi escalado para o serviço foi Nezha o Terceiro Príncipe. Nezha pegou o rato e, pelas regras, deveria ter matado o bicho ali mesmo. Mas, por algum motivo — o livro diz apenas "eu e meu pai a pegamos, mas decidimos poupá-la" —, Li Jing e Nezha não a mataram e deram a ela a chance de viver.

Em troca, o demônio rato adotou Li Jing como pai postiço e Nezha como irmão postiço. Juridicamente, nos Três Reinos, esse vínculo era válido — a partir dali, ela era a "filha adotiva" de Li Jing, protegida por uma rede de contatos nebulosa no Reino Superior. Mas esse parentesco era uma bomba relógio: Li Jing era o Rei Celestial Carregador da Torre, um general respeitado e honrado; se espalhasse que ele tinha um demônio na lista de "filhas", onde ele enfiava a cara?

Foi por isso que, trezentos anos depois, quando Wukong achou as placas na Caverna Sem Fundo, percebeu na hora o peso daqueles pedaços de madeira.

Adotar Li Jing como pai: a relação mais maluca do mundo dos demônios

No universo de Jornada ao Oeste, a relação entre imortais e demônios geralmente segue dois caminhos: ou são patrão e empregado (montarias ou servos que descem ao mundo mortal) ou são inimigos mortais. Esse vínculo de "pai e filha" entre o demônio rato e Li Jing é um bicho estranho que não cabe em gaveta nenhuma.

Ela não era montaria, nem subordinada, nem discípula de Li Jing — era um demônio que, depois de pego, foi solto por algum motivo e acabou virando parente por consideração. Esse tipo de relação não tem cargo previsto na administração do Céu: você não acha a vaga de "filha adotiva do Rei Celestial Carregador da Torre" em nenhuma folha de pagamento celestial. É algo que existe nas frestas do sistema, baseado em favores pessoais e não em poder público.

O fato de o demônio rato manter as placas de Li Jing e Nezha no altar mostra que ela levava esse parentesco a sério. Ela não escondeu as placas; deixou tudo exposto no altar — o que era, ao mesmo tempo, um respeito sincero (com incenso todo dia) e uma tática de defesa (se alguém invadisse e visse as placas do Rei Celestial, pensaria duas vezes antes de atacar). Mas ela superestimou a força dessa proteção — ou melhor, não entendia a distância que separa um "pai postiço" de um "pai de sangue". Sangue do próprio sangue, o Rei Celestial defende com unhas e dentes; mas uma filha adotiva, na hora do aperto, a primeira reação do pai é lavar as mãos.

Olhando mais a fundo, essa relação mostra a zona cinzenta do poder em Jornada ao Oeste. Quando Li Jing a poupou, pode ter sido por compaixão ou por achar que um ratinho não valia a pena sujar as mãos. Mas, seja qual fosse o motivo, o ato de "adotar" é uma concessão de poder — "eu te dou a vida, você me chama de pai e agora me deve um favor". Só que Li Jing não imaginava que, trezentos anos depois, esse "favor" voltaria para assombrá-lo da maneira mais vexatória possível.

A "Meia Guanyin" da Caverna Sem Fundo: por que fingir ser quem não é

Quando andava entre os mortais, o demônio rato usava o nome de "Meia Guanyin". A escolha desse nome não foi por acaso.

A Bodhisattva Guanyin é a protetora geral da jornada das escrituras e a divindade mais querida pelo povo. O demônio rato escolheu se passar por Guanyin, e não por outro deus, porque a imagem de Guanyin é a que mais gera confiança — especialmente na confiança de Tang Sanzang. Mas ela não ousava dizer que era a própria Guanyin, então acrescentou o "Meia" na frente — "não sou a Guanyin oficial, sou apenas metade, uma espécie de manifestação ou avatar". O cálculo foi preciso: usou o nome famoso de Guanyin para abrir portas, mas deixou uma saída de emergência — se alguém questionasse, ela diria "eu nunca disse que era a Guanyin de verdade".

Ela usava essa identidade fingindo ser uma mulher em apuros na beira da estrada, esperando Tang Sanzang passar. Quando o monge via uma mulher, que dizia ter ligações com o budismo, amarrada numa árvore, a compaixão dele subia na hora e, ignorando os avisos de Wukong, ele a resgatava. Esse é o erro que Tang Sanzang repete a viagem inteira — a compaixão dele não vem acompanhada de discernimento. E o demônio rato usou isso com precisão cirúrgica.

O nome "Meia Guanyin" tinha ainda outro sentido — como o demônio rato tinha roubado as oferendas de Lingshan trezentos anos atrás, conhecia bem as regras e os trejeitos do budismo. Sabia imitar a fala e os gestos dos discípulos e sabia dizer as palavras certas para fazer Tang Sanzang baixar a guarda. Todo esse conhecimento veio daquela "ficha criminal" de trezentos anos atrás — o que ela aprendeu cometendo crimes em Lingshan serviu para ela dominar as manhas de Lingshan.

Wukong sobe ao céu para denunciar: levando o pai postiço ao tribunal

Depois de catar as placas de Li Jing e Nezha na Caverna Sem Fundo, Wukong não foi bater de frente com o demônio rato (ele já tinha tentado e viu que a técnica de captura da criatura era complicada), mas subiu direto ao Céu — para "tirar satisfação" com Li Jing.

Essa jogada é única em toda a Jornada ao Oeste. Quando Wukong descobria quem era o "padrinho" de algum demônio, o costume era "pedir para o patrão vir buscar o bicho" — pedir para Laojun buscar o Touro Verde ou para Maitreya buscar a Sobrancelha Amarela. Mas desta vez foi diferente: Wukong não foi "pedir", foi "denunciar". Ele invadiu a mansão do Rei Celestial com as placas na mão e, na frente de todo o exército celestial, questionou Li Jing: "Sua filha adotiva sequestrou meu mestre lá embaixo, o senhor sabia disso ou não sabia?".

A genialidade da manobra foi encurralar Li Jing. Se o Rei Celestial dissesse "eu sabia", virava cúmplice. Se dissesse "eu não sabia", era prova de que não sabia educar a filha e, como pai, era responsável pelo crime dela. E se dissesse "ela não é minha filha", o que diabos estava escrito naquelas placas?

A reação de Li Jing foi de pura fúria. Ele chegou a querer matar Wukong para calar a boca dele e abafar a vergonha. Mas Wukong já estava com tudo esquematizado e disse que ia levar a queixa direto ao Imperador de Jade. O Rei Celestial ficou completamente na mão. Nezha, ao lado, pediu calma ao pai, e no fim, pai e filho não tiveram escolha a não ser descer ao mundo mortal com Wukong para capturar o demônio rato.

A beleza dessa cena não está na briga, mas no jogo de poder. Wukong não usou o Ruyi Jingu Bang, usou a "pressão da opinião pública" — um Rei Celestial com uma filha demônio? Se isso vazasse, ele não teria mais moral no Céu. Foi a vez que Wukong mostrou sua maior maturidade política: ele aprendeu a usar as regras do sistema para derrubar quem estava dentro do sistema.

O vexame do Rei Celestial: ter que prender a própria "filha"

Li Jing e Nezha chegaram à Caverna Sem Fundo com o exército celestial. Essa "captura" foi menos uma caçada a demônios e mais a resolução forçada de um "problema de família".

Ao chegar na entrada da caverna, o Rei Celestial mandou o demônio rato sair para se render. Quando ela saiu e viu que o pai postiço tinha vindo, a primeira reação não foi medo, mas mágoa — na cabeça dela, o pai deveria estar do lado dela. Ela provavelmente não imaginava que as placas que venerou por trezentos anos e o "pai" que chamou por três séculos resultariam, na hora H, não em proteção, mas em uma prisão feita pelas próprias mãos do pai.

O processo de captura foi rápido e seco, sem qualquer hesitação. Essa atitude disse tudo: entre a "filha" e a "honra", o Rei Celestial escolheu a honra sem piscar. O problema que uma filha demônio trazia era muito maior que qualquer benefício — especialmente quando o problema chegava ao ponto de Wukong subir ao Céu para fazer escândalo.

O demônio rato acabou capturado pelos soldados e "entregue ao Tribunal Celestial para julgamento". O livro não detalha a sentença, mas "entregar ao Tribunal" significa que ela passou por um processo jurídico celestial, diferente da maioria dos demônios que ou morrem na pancada ou são levados pelos donos. Foi um meio-termo entre "matar" e "levar de volta" — não foi um fim brusco como o do Demônio dos Ossos Brancos, nem um retorno tranquilo como o do Touro Verde. A situação dela era vexatória demais: tinha um padrinho, mas o padrinho não queria assumi-la; cometeu um crime, mas não um crime capital. Entregá-la ao Tribunal foi a única saída que permitiu que todos saíssem de cena com a dignidade minimamente preservada.

Personagens Relacionados

  • Li Jing, Rei Celestial Carregador da Torre — Pai adotivo do Demônio Rato; após poupar a vida dela trezentos anos atrás, passou a ser considerado seu pai, mas acabou forçado a descer ao mundo mortal para capturá-la.
  • Nezha o Terceiro Príncipe — Irmão adotivo do Demônio Rato; foi quem executou a captura do Demônio Rato em Lingshan, trezentos anos atrás.
  • Sun Wukong — Descobriu a placa de Li Jing na Caverna Sem Fundo e subiu aos céus para fazer a denúncia, forçando o Rei Celestial a descer ao mundo mortal.
  • Tang Sanzang — Foi enganado pelo Demônio Rato, que se fingia de "Meia Guanyin", e foi levado para a Caverna Sem Fundo para ser forçado a se casar.
  • Buda Rulai — Trezentos anos atrás, quando o Demônio Rato roubou e comeu as flores aromáticas e velas preciosas de Lingshan, Rulai ordenou a sua captura.
  • Bodhisattva Guanyin — Teve seu nome usado indevidamente pelo Demônio Rato, que se autodenominava "Meia Guanyin".

Perguntas frequentes

Qual é a relação entre o Demônio Rato de Nariz Dourado e Pelos Brancos e Li Jing, Rei Celestial Carregador da Torre? +

Trezentos anos atrás, ela se infiltrou em Lingshan para roubar e comer as flores aromáticas e as velas preciosas diante do Buda. Depois de ser subjugada por Nezha, ela foi poupada da morte e, logo em seguida, adotou o Rei Celestial Li como pai adotivo e Nezha como irmão adotivo. Esse tipo de relação…

Por que o Demônio Rato se autodenomina "Meia Guanyin"? +

Ela usa o nome ilustre de Guanyin para fazer com que Tang Sanzang baixe a guarda — afinal, Guanyin é a figura budista mais familiar e confiável para os mortais. O prefixo "Meia" serve como uma saída estratégica: ao mesmo tempo que aproveita a fama de Guanyin, ela pode alegar que "não disse ser a…

Como Sun Wukong usou a placa do Rei Celestial Li para resolver a crise? +

Ele encontrou na Caverna Sem Fundo a placa de oferenda ao "Venerável Pai, Li Jing, Rei Celestial Carregador da Torre" e subiu direto ao céu para questionar o Rei Celestial. Ao perguntar se o pai adotivo sabia das maldades cometidas pela filha, ele o encurralou: se o Rei admitisse que sabia, seria…

Como o Rei Celestial Li e Nezha lidaram com o Demônio Rato? +

Pai e filho desceram ao mundo mortal com os soldados celestiais, foram direto à Caverna Sem Fundo e capturaram a filha adotiva sem qualquer piedade. No final, ela foi "entregue ao Tribunal Celestial para julgamento", seguindo os trâmites judiciais do Palácio Celestial, em vez de ser morta no local…

O que há de diferente no destino do Demônio Rato em comparação com outros monstros? +

Ela tinha um padrinho poderoso (seu pai adotivo, o Rei Celestial Li), mas também cometera crimes. A forma de punição foi a entrega ao julgamento do Tribunal Celestial, ficando em um meio-termo entre "ser morta a pauladas" e "ser recolhida pelo seu mestre". É um dos desfechos mais embaraçosos da obra…

Qual a importância do fato de o Demônio Rato ter roubado oferendas em Lingshan para o que aconteceu depois? +

Aquele roubo permitiu que ela circulasse pelas redondezas de Lingshan e conhecesse as regras e a maneira de falar e agir do budismo. Foi exatamente essa a base de conhecimento que, trezentos anos depois, permitiu que ela fingisse ser a "Meia Guanyin" para enganar Tang Sanzang. As travessuras da…

Aparições na história

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