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Capítulo 35: O Caminho Falso Usa Força para Intimidar a Natureza Verdadeira; O Macaco do Coração Obtém os Tesouros e Vence os Demônios

Sun Wukong usa a cabaça real para absorver o Chifre de Prata. O Chifre de Ouro convoca reforços — o tio raposo — mas é derrotado e absorvido pelo frasco de jade. Lao Zi desce do céu para reivindicar os cinco tesouros e revela que os dois demônios eram seus servos celestiais enviados por Guanyin para testar os peregrinos.

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O sol havia passado do meio do dia quando Sun Wukong saiu da caverna com a cabaça falsa do Chifre de Prata na manga e a real presa firmemente no punho.

Tinha cinco dos tesouros agora — as duas cabaças, a corda dourada, o frasco de jade, o leque de banana — e faltava apenas a espada das Sete Estrelas. Mas a batalha não havia terminado. O Chifre de Ouro ainda estava dentro, e o Chifre de Prata estava lá fora, vivo e furioso.

Sun Wukong gritou para a entrada da caverna:

— Demônio! Venha buscar o que é seu!

O Chifre de Prata saiu com a espada em punho, e atrás dele vinha uma fileira de demônios menores com lanças e facas. O jovem demônio tinha o rosto vermelho de raiva e de algo que Sun Wukong reconheceu como orgulho ferido — o tipo específico de raiva de quem foi enganado várias vezes pelo mesmo oponente e ainda não consegue aceitar que perdeu.

— Você vai me devolver os tesouros — disse o Chifre de Prata — ou não sai desta montanha.

— Proponho o oposto — disse Sun Wukong, tirando a cabaça da bolsa. — Por que você não entra nela?

O Chifre de Prata olhou para a cabaça com uma expressão misturada de reconhecimento e confusão. Era exatamente igual à sua própria — a mesma cor vermelha e dourada, o mesmo tamanho, o mesmo brilho leve que indicava poder encantado. Havia algo profundamente perturbador em ver seu próprio tesouro nas mãos do inimigo.

— Isso é impossível — disse ele. — Como você obteve uma igual?

— Obtive a sua — disse Sun Wukong com simplicidade. — A que você está segurando é uma cópia de pelos meus.

O Chifre de Prata olhou para a cabaça na sua própria mão. Sacudiu-a. Não fez som. Sacudiu mais forte. Nada.

— Prova suficiente? — disse Sun Wukong.

O Chifre de Prata jogou a cabaça falsa no chão com uma fúria que fez eco nas pedras e se lançou com a espada. A batalha foi breve mas intensa — o Chifre de Prata era tecnicamente competente, com uma velocidade que teria derrotado a maioria dos oponentes. Mas Sun Wukong não era a maioria dos oponentes.

Enquanto lutava, virou a cabaça de cabeça para baixo — boca para o chão, fundo para o céu — e gritou:

— Chifre de Prata!

O demônio, no meio de um golpe, respondeu instintivamente.

Era o suficiente. A cabaça absorveu o sopro da resposta e o Chifre de Prata desapareceu num fio de fumaça prateada. Sun Wukong selou a abertura com o papel de encantamento de Lao Zi.

Sacudiu a cabaça. Fez som.

— Meu filho — disse ele para a cabaça —, você vai encontrar lá dentro exatamente tão confortável quanto merece.


Zhu Bajie, ainda pendurado no caibro lá dentro, havia acompanhado os eventos através de uma fresta na pedra.

— Ele prendeu o segundo demônio — anunciou para Sha Wujing.

— Ouvi — disse Sha Wujing.

— Isso significa que vamos ser salvos?

— Provavelmente. Se o Chifre de Ouro não convocar reforços primeiro.

O Chifre de Ouro, que havia assistido ao desaparecimento do irmão do interior da caverna, estava fazendo exatamente isso. Mandou mensageiros para a Caverna do Dragão Subjugado — onde a mãe dos demônios havia morado antes de ser morta por Sun Wukong — e para as cavernas vizinhas, convocando qualquer parente ou aliado disposto a vir lutar.

A resposta chegou rapidamente: o Sétimo Rei Raposo, tio materno dos dois demônios, apareceu com duzentos soldados demônios vindos do sudoeste — uma força razoável, suficiente para ser incômoda.

Sun Wukong viu as nuvens de poeira se aproximando e chamou Zhu Bajie da janela da caverna:

Bajie! Saiam e lutem!

— Você poderia primeiro nos desamarrar? — disse Zhu Bajie com razoável irritação.

Sun Wukong entrou, cortou as cordas, e em menos de um momento o grupo estava formado na encosta: Sun Wukong com o bastão, Zhu Bajie com o rastelo, e Sha Wujing com o cajado.

O Sétimo Rei Raposo tinha o rosto comprido, bigodes finos e olhos que calculavam com a precisão de um comerciante avaliando mercadorias. Usava armadura de malha e carregava uma alabarda de lâmina larga. Gritou insultos elaborados sobre a família de Sun Wukong enquanto formava seus demônios em linha de batalha.

— Sua mãe era um produto de alquimia acidental — respondeu Sun Wukong com cordialidade. — Mas não precisamos nos insultar. Apenas lutemos.

A batalha foi caótica e extensa. Sun Wukong enfrentava o Sétimo Rei Raposo diretamente; Zhu Bajie segurava o Chifre de Ouro que havia saído para reforçar o tio; Sha Wujing cortava os flancos da linha de demônios menores com um ritmo metódico e exaustivo.

O Sétimo Rei Raposo era forte mas impaciente. Atacava em rajadas intensas que Sun Wukong desviava sem dificuldade, esperando que o oponente se cansasse. Depois de dez rodadas, o raposo começou a recuar. Zhu Bajie, vendo isso, correu na direção dele com o rastelo e acertou as costas do raposo com força suficiente para fazer o solo tremer.

O Sétimo Rei Raposo caiu revelando sua forma verdadeira: uma raposa velha de pelo cinza-ferrugem, sete caudas estendidas no chão como leques quebrados.

O Chifre de Ouro viu o tio cair e ficou por um momento entre a fuga e o combate — a hesitação fatal de alguém que perdeu a confiança. Virou para o sul e correu.

Sun Wukong subiu para as nuvens, abriu o frasco de jade, e gritou:

— Chifre de Ouro!

O Chifre de Ouro, no meio da fuga, respondeu instintivamente ao seu próprio nome — o mesmo reflexo involuntário que havia prendido o irmão.

O frasco o absorveu.

Sun Wukong selou-o. Sacudiu-o. Fez som.

— Dois — disse ele para si mesmo.

A espada das Sete Estrelas havia caído no chão quando o Chifre de Ouro desapareceu. Sun Wukong a apanhou. Cinco tesouros mais a espada — todos os seis itens que os demônios haviam usado estavam agora nas suas mãos.


De volta à Caverna do Lótus, Sun Wukong encontrou Tang Sanzang, Sha Wujing e Zhu Bajie sentados numa roda no chão como crianças esperando uma explicação. O mestre tinha os olhos fechados e estava recitando sutras em voz baixa — um hábito que havia desenvolvido sempre que a situação superava sua capacidade de processamento.

Mestre — disse Sun Wukong —, a montanha está limpa. Podemos partir quando quiser.

Tang Sanzang abriu os olhos.

— E os demônios?

— Absorvidos. — Sun Wukong mostrou as duas cabaças. — Nesta e naquela.

— Mortos?

— Em processo. Cabaças têm seu próprio cronograma.

Zhu Bajie olhou para as cabaças com curiosidade profissional.

— Quanto tempo leva?

— Alguns dias, para corpos com treinamento espiritual. Menos para os comuns.

— Então os grandes reis ainda estão vivos lá dentro?

— Por enquanto.

Zhu Bajie pensou nisso por um momento.

— Isso é um pouco perturbador.

— Não pense nisso — disse Sun Wukong.

Prepararam uma refeição simples com o que encontraram nas reservas da caverna — arroz, vegetais secos, cogumelos — e comeram no silêncio satisfeito de pessoas que sobreviveram a algo que poderia ter corrido muito pior. Tang Sanzang abençoou os alimentos. Sha Wujing lavou as tigelas. Zhu Bajie comeu a porção de todos os outros antes que alguém pudesse protestar.


Na manhã seguinte, quando estavam preparando os cavalos para partir, um velho apareceu na estrada.

Era um homem de aparência comum — roupas simples, rosto tranquilo, postura levemente curvada de alguém de muito idade. Mas havia algo no modo como apareceu — sem barulho, sem pegadas na poeira da estrada, de um lugar onde não havia estado um segundo antes — que fez Sun Wukong parar imediatamente.

— Velho — disse Sun Wukong —, quem é você?

O velho ergueu os olhos e olhou para Sun Wukong com uma expressão que era simultaneamente gentil e absolutamente sem concessões.

— Venho buscar o que é meu.

Sun Wukong reconheceu o rosto um momento depois — havia encontrado essa figura antes, numa forja celestial que cheirava a enxofre e metal aquecido, num tempo antes da peregrinação começar.

— Lao Zi — disse ele.

O velho inclinou a cabeça levemente.

— Os tesouros, por favor.

Sun Wukong olhou para as cabaças, o frasco, a corda, o leque, a espada. Depois olhou para o velho.

— Esses dois demônios capturaram meu mestre, prenderam meus companheiros, e tentaram nos matar durante dias. E agora você vem simplesmente pedir de volta o que eles usaram para fazer isso?

— A cabaça é minha — disse Lao Zi com calma. — Uso-a para guardar elixires. O frasco de jade é meu — para água sagrada. A espada é minha — para refinar metais. O leque é meu — para avivar as chamas. A corda é minha — cinto da minha túnica de cerimônia.

Pausa.

— Os dois demônios eram meus servos. Um cuidava da fornalha de ouro. O outro, da fornalha de prata.

O silêncio que se seguiu tinha a qualidade de uma pedra caindo num poço muito fundo.

— Seus servos — disse Sun Wukong devagar. — Seus servos fugiram dos céus, desceram para esta montanha, capturaram meu mestre e tentaram comê-lo. E você está aqui pedindo os tesouros de volta.

— Sim.

— Isso não parece adequado.

— Não é adequado — concordou Lao Zi. — Foi descuido da minha parte não notar a fuga deles mais cedo. Mas há uma complicação que você deveria saber.

Ele fez uma pausa breve, como alguém que organiza palavras com cuidado.

— A Bodhisattva Guanyin me pediu emprestados os dois servos e os cinco tesouros há algum tempo. Ela os instalou nesta montanha deliberadamente — para testar você e seus companheiros, verificar se a vossa determinação em prosseguir a jornada era genuína.

Tang Sanzang, que havia ficado perfeitamente imóvel durante toda a conversa, fechou os olhos brevemente.

Sun Wukong ficou em silêncio por um momento considerável.

Guanyin — disse ele por fim.

— Sim.

— Que prometeu ajuda quando a jornada ficasse difícil.

— Sim.

— E em vez de ajuda, mandou dois demônios com cinco armas mágicas para nos absorver em cabaças.

— Para testar a determinação —

— Eu ouvi.

Outra pausa.

Sun Wukong entregou os cinco tesouros ao velho com uma expressão que havia passado da raiva pela resignação e chegado a algum lugar mais próximo do respeito relutante pelo absurdo fundamental da situação. Lao Zi abriu as cabaças e o frasco, e os dois demônios saíram como fios de fumaça dourada e prateada. Com um gesto suave, o velho os reconverteu em suas formas originais — dois rapazes jovens de aparência serena, um com roupas douradas, outro com roupas prateadas, ambos com a expressão levemente constrangida de servos que sabem que fizeram algo que exigirá explicações.

— Vamos — disse Lao Zi para eles.

Os três subiram para as nuvens e desapareceram sem mais cerimônia.

Tang Sanzang olhou para o espaço vazio onde haviam estado.

— Sun Wukong — disse ele após um momento.

Mestre.

— Você brigou com dois servos de Lao Zi por quatro dias.

— Aparentemente.

— E os derrotou.

— Isso também.

Tang Sanzang considerou isso.

— Prossigamos para o oeste — disse ele por fim, montando no cavalo branco com a dignidade de alguém que decidiu não pensar demais no que acabou de acontecer.

Zhu Bajie, que havia acompanhado toda a conversa com os olhos movendo-se de um falante para o outro como alguém assistindo a um jogo de peteca, juntou-se à fila murmuranado para Sha Wujing:

— Então todos aqueles dias de terror foram um teste?

— Aparentemente — disse Sha Wujing.

— E se tivéssemos falhado?

— Provavelmente seríamos comidos.

— Esse é um teste com consequências muito altas.

— A jornada toda tem consequências muito altas.

Zhu Bajie considerou isso enquanto a caravana se movia para o oeste, deixando para trás a Caverna do Lótus, a Montanha de Pico Plano, e quatro dias de terror que haviam, ao que parecia, sido cuidadosamente planejados por alguém que os amava o suficiente para quase deixá-los ser dissolvidos em líquido dentro de cabaças mágicas.

A devoção celestial, concluiu Zhu Bajie, era uma coisa muito complexa.