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Seis Bandidos

Também conhecido como:
Alegria aos Olhos Raiva aos Ouvidos Amor pelo Olfato Pensamento ao Paladar Desejo da Mente Preocupação do Próprio Corpo

Seis bandidos que surgem no capítulo 14 de Jornada ao Oeste, representando as seis percepções sensoriais do budismo e servindo como o primeiro grande teste de conflito entre Sun Wukong e Tang Sanzang.

Seis Bandidos Alegria aos Olhos Raiva aos Ouvidos Amor pelo Olfato Pensamento ao Paladar Desejo da Mente Preocupação do Próprio Corpo Seis Sentidos Jornada ao Oeste Seis Bandidos Sun Wukong derrotando os Seis Bandidos
Published: 5 de abril de 2026
Last Updated: 5 de abril de 2026

"Um se chamava Alegria aos Olhos, outro Raiva aos Ouvidos, um Amor pelo Olfato, outro Pensamento ao Paladar, um Desejo da Mente e o último Preocupação do Próprio Corpo." — No capítulo 14, seis bandidos fecham o caminho de Tang Sanzang e de Sun Wukong, que acabara de sair da Montanha dos Cinco Elementos. Wu Cheng'en usa menos de cinquenta palavras para apresentar seis nomes; cada um com três caracteres, tudo bem arrumadinho, como se fosse uma lista de chamada. Mas essa lista não parece de bandidos de estrada — que tipo de malandro teria nomes como "Alegria aos Olhos" ou "Raiva aos Ouvidos"? Isso é puro termo de sutra budista. Aqueles seis não eram simples ladrões de caminho, eram a personificação dos "Seis Sentidos" — visão, audição, olfato, paladar, mente e corpo. Quando Wukong os mata, não está apenas tirando pedras do caminho, mas "cortando os seis sentidos": um macaco, recém-nomeado discípulo, anunciava com seu bastão de ferro a primeira lição de sua conversão ao Budismo.

Seis nomes: a literatura dos seis sentidos e seis desejos budistas

No Budismo, os "Seis Sentidos" são os órgãos e capacidades humanas de perceber o mundo exterior: olhos (visão), ouvidos (audição), nariz (olfato), língua (paladar), corpo (tato) e mente (pensamento). Quando esses sentidos tocam o mundo, surgem as "Seis Poeiras" — cor, som, aroma, sabor, toque e lei —, que por sua vez despertam todo tipo de desejo e angústia. Para o praticante se libertar, o primeiro passo é a "pureza dos seis sentidos" — fazer com que as seis percepções não sejam mais arrastadas pelas tentações externas.

Wu Cheng'en transformou esses conceitos abstratos do Budismo em seis bandidos de estrada, dando a cada um deles uma emoção ou desejo: Alegria aos Olhos (vê e se alegra), Raiva aos Ouvidos (ouve e se enfurece), Amor pelo Olfato (cheira e se apaixona), Pensamento ao Paladar (prova e sente saudade), Desejo da Mente (pensa e deseja) e Preocupação do Próprio Corpo (nasce com a angústia). Esses seis nomes correspondem exatamente à relação entre os sentidos e as emoções — não foi coisa inventada ao acaso, tem toda a lógica budista por trás.

Transformar conceitos filosóficos em personagens de romance é uma das maiores artes de Wu Cheng'en. A essência de Jornada ao Oeste é uma "adaptação secular de parábolas budistas", mas ele nunca deixa o leitor sentir que está lendo um sutra — ele embrulha a filosofia em histórias de briga e confusão, fazendo com que a gente aceite o pensamento por trás enquanto se diverte com o espetáculo. Os seis bandidos são o exemplo perfeito: se ele dissesse apenas que "Wukong cortou os seis sentidos", o leitor acharia abstrato demais; mas quando diz que "Wukong matou seis bandidos a bastonadas", todo mundo entende — e aí, ao olhar os nomes, percebe: "ah, então é isso que ele quis dizer".

O título do capítulo 14, "O Macaco da Mente retorna ao caminho certo; os seis bandidos desaparecem", é em si um resumo de expressões budistas. O "Macaco da Mente" refere-se a Wukong — o Budismo usa a expressão "macaco da mente e cavalo do pensamento" para descrever a instabilidade da mente; Wukong é justamente esse "coração" inquieto. "Retornar ao caminho certo" significa que ele foi integrado ao grupo da jornada e entrou na senda da virtude. "Seis bandidos desaparecem" indica que os seis sentidos foram domados e não causam mais confusão. O sentido do título é: quando a 'mente' segue o caminho correto, as angústias dos 'seis sentidos' somem. Matar os seis bandidos é, no plano budista, um ritual simbólico de "domar os seis sentidos pelo Macaco da Mente".

Mas a genialidade de Wu Cheng'en está aqui: ele não transformou esse "ritual" em uma cena religiosa solene, mas em uma baita confusão — Wukong acha os bandidos tagarelas demais, desce o bastão em todos e, depois, Tang Sanzang fica furioso, quase terminando a parceria ali mesmo. A filosofia é a filosofia, a história é a história, e Wu Cheng'en faz as duas caminharem juntas sem bater cabeça.

O primeiro conflito entre mestre e discípulo causado pela matança dos bandidos

No capítulo 14, os seis bandidos barram a passagem do mestre e do discípulo com toda a arrogância: "Este caminho eu abri, esta árvore eu plantei; se quiserem passar por aqui, paguem o pedágio!". Wukong não cai nessa. Troca algumas palavras com eles, saca o Ruyi Jingu Bang e, um por um, acaba com a vida dos seis. Rápido e certeiro, do mesmo jeito que fez com o Rei Demônio da Confusão.

Só que, desta vez, as consequências foram outras. O Rei Demônio da Confusão era um monstro, e matar monstro é lei; já os seis bandidos — ao menos aos olhos de Tang Sanzang — eram humanos, e matar humano é pecado. Ao ver os corpos espalhados pelo chão, Tang Sanzang empalidece. Ele solta a primeira bronca severa em Wukong: "Como pode ser tão cruel? Embora fossem bandidos, eram vidas humanas!".

Esse é o primeiro estouro do conflito entre mestre e discípulo em toda a obra. Wukong acha que fez tudo certo — os bandidos queriam roubar e agredir, se não os matasse, ficaria esperando para ser roubado? A lógica dele é "combater a violência com violência", simples e direta, sem peso na consciência. A lógica de Tang Sanzang é outra — ele é um discípulo budista, e "não matar" é o preceito mais básico. Mesmo que seja um ladrão, se puder não matar, não mata; se puder soltar, solta.

A estrutura profunda desse conflito é a eterna contradição entre a "solução pela força" e a "restrição moral". Wukong representa a "eficiência" — resolveu o problema sem enrolação; Tang Sanzang representa o "princípio" — qualquer ação deve estar dentro de um quadro moral. Essa contradição atravessa toda a Jornada ao Oeste, repetindo-se em episódios como o Trio de Batalhas contra o Demônio dos Ossos Brancos e o duelo entre o verdadeiro e o falso Rei Macaco. O caso dos seis bandidos é a "estreia" desse conflito, definindo o tom de todas as brigas futuras entre mestre e discípulo.

Mais importante ainda: o episódio dos seis bandidos levou diretamente ao uso do Feitiço da Argola Apertada. Após a bronca, Wukong, num acesso de raiva, parte nas nuvens — sentindo-se injustiçado, resolveu largar o serviço. Enquanto Tang Sanzang seguia viagem sozinho, encontrou uma velhinha (a encarnação da Bodhisattva Guanyin), que lhe deu um chapéu com flores douradas e o mantra da argola. Quando Wukong resolveu voltar, Tang Sanzang colocou o chapéu nele — e assim nasceu a argola dourada. A partir daí, Wukong passou a ter a tiara na cabeça; bastava Tang Sanzang recitar o mantra para que a cabeça do macaco quase explodisse de dor, impedindo-o de agir por conta própria.

Em outras palavras: matar os seis bandidos fez com que Wukong acabasse usando a argola — um instrumento de controle que o prenderia para sempre. Os seis bandidos foram o "estopim": não era pelo poder deles, mas porque o ato de matá-los revelou a natureza "indomável" de Wukong. Guanyin percebeu que, se não houvesse a argola, ele jamais seria controlado, e assim veio o arranjo final.

A força de combate dos seis bandidos era quase zero. Eram apenas humanos — sem magia, sem tesouros, sem qualquer poder sobrenatural. Wukong os matou como quem esmaga formigas. Mas foi justamente por serem tão fracos que a "matança" de Wukong pareceu "exagerada": você, o Grande Sábio Igual ao Céu, mata seis simples bandidos? Que mérito tem isso? A insatisfação de Tang Sanzang não era só pelo preceito de "não matar", mas tinha um subtexto: "com esse seu jeito impulsivo e sem noção, o que você vai fazer quando encontrar problemas de verdade?".

Personagens Relacionados

  • Sun Wukong — O executor da matança dos seis bandidos, desencadeando o primeiro conflito com o mestre e, indiretamente, o uso da argola dourada.
  • Tang Sanzang — Deu uma bronca severa em Wukong por matar os bandidos, fazendo com que o macaco partisse irritado.
  • Bodhisattva Guanyin — Após o incidente, encarnou como uma velhinha para entregar o chapéu e o mantra, fazendo o movimento estratégico para controlar Wukong.
  • Rei Demônio da Confusão — Outro adversário "aniquilado" por Wukong, mas que, por ser um demônio, não gerou dilema moral, servindo de contraste com os seis bandidos.

Perguntas frequentes

Qual o significado dos nomes dos Seis Bandidos e por que dizem que eles não são simples bandidos de estrada? +

Os Seis Bandidos chamam-se, respectivamente: Alegria aos Olhos, Raiva aos Ouvidos, Amor pelo Olfato, Pensamento ao Paladar, Desejo da Mente e Preocupação do Próprio Corpo. Cada nome corresponde às "Seis Raízes" do budismo (olhos, ouvidos, nariz, língua, mente e corpo) e às emoções e desejos que elas…

Qual o significado budista por trás do fato de Wukong ter matado os Seis Bandidos? +

O título do capítulo 14, "O Macaco da Mente retorna ao caminho certo e os Seis Bandidos desaparecem sem rastro", já entrega a resposta: Wukong é o "Macaco da Mente" e os Seis Bandidos são as "Seis Raízes". O ato de Wukong matar os bandidos simboliza o ritual espiritual de "domar as seis raízes" —…

Por que a morte dos Seis Bandidos causou a bronca severa de Tang Sanzang? +

Para Tang Sanzang, por mais que fossem bandidos, eles eram "vidas humanas". Wukong, ao matar, teria violado os preceitos budistas, e com todo aquele poder, não precisaria ter sido tão cruel. Esse foi o primeiro embate direto entre mestre e discípulo, revelando o conflito central de todo o livro: a…

Qual a relação de causa e efeito entre o episódio dos Seis Bandidos e a Argola Apertada? +

Depois de levar a bronca de Tang Sanzang, Wukong saiu voando em sua nuvem, possesso de raiva. Foi nesse momento que Guanyin, disfarçada de velha, entregou ao monge o chapéu de flores douradas e o Feitiço da Argola Apertada. Quando Wukong voltou, foi enganado e acabou com o chapéu na cabeça, e a…

A quais sentidos os Seis Bandidos correspondem e qual a base budista para isso? +

Alegria aos Olhos corresponde à cobiça visual; Raiva aos Ouvidos, à ira despertada pela audição; Amor pelo Olfato, ao apego trazido pelo cheiro; Pensamento ao Paladar, à saudade movida pelo gosto; Desejo da Mente, aos anseios nascidos do pensamento; e Preocupação do Próprio Corpo, à natureza sofrida…

Os Seis Bandidos são "demônios" de verdade na Jornada ao Oeste? +

Rigorosamente falando, não. Eles são apenas bandidos humanos, sem poderes mágicos, sem cultivo espiritual, sem transformações e nem sequer aparecem na lista oficial das "Oitenta e Uma Tribulações". A particularidade deles é a natureza alegórica: são a personificação de conceitos budistas, e não…

Aparições na história