Capítulo 14: Sun Wukong Libertado e o Aro de Ouro
Tang Sanzang liberta Sun Wukong do Monte dos Cinco Elementos, mas após o macaco matar bandidos, Guanyin envia um aro de ouro para controlar sua violência.
O Monte dos Cinco Elementos ficava na borda de um deserto de pedra que não tinha nome nos mapas que Tang Sanzang carregava. Era uma formação rochosa extraordinária — cinco picos de granito cor-de-rosa que se erguiam da planície como os dedos de uma mão enterrada, e no lado que voltava para o sul havia uma fresta estreita por onde, se você se aproximasse e olhasse com atenção, podia ver um par de olhos.
Tang Sanzang aproximou-se devagar, com o instinto natural de cautela de quem viaja sozinho por terras desconhecidas.
Os olhos o viram vindo de longe.
"Monge!" A voz que veio da fresta era rouca de quinhentos anos de silêncio, mas tinha uma energia que contrariava completamente o que a situação sugeria. "Monge do leste! Você é discípulo do Buda? Você vai ao Grande Templo do Trovão buscar escrituras?"
Tang Sanzang parou a uma distância segura e examinou a rocha com cuidado. Viu a fresta, os olhos, a boca aberta de impaciência contida.
"Sim", disse ele. "Sou monge da Terra Tang, a caminho do Grande Templo do Trovão. Quem é você?"
"Me chamo Sun Wukong. Estou preso aqui por quinhentos anos pelo próprio Buda Tathagata. Guanyin me disse que um monge do leste viria e que eu deveria servi-lo como discípulo na jornada ao ocidente. Se você me libertar, prometo protegê-lo até o fim do caminho."
Tang Sanzang ficou olhando para a rocha por um longo momento, com a expressão pensativa de alguém avaliando uma proposta de negócio incomum.
"Como posso libertá-lo?", perguntou finalmente.
"Há uma tira de papel com caracteres sagrados no topo do pico central. Retire-a."
Tang Sanzang escalou o pico com a dificuldade previsível de um monge que não era um escalador, mas que era surpreendentemente persistente. No topo, encontrou a tira de papel — caracteres dourados num papel que havia permanecido intacto por cinco séculos, como se fosse recém-escrito. Retirou-a com uma reverência instintiva diante de qualquer coisa que carregasse marca do sagrado.
A montanha tremeu.
Sun Wukong gritou para que Tang Sanzang se afastasse, e o monge desceu o pico com velocidade considerável enquanto as pedras começavam a se mover. A montanha se abriu como uma flor de rocha, libertando uma figura que saltou para fora com a energia explosiva de algo que havia estado comprimido por muito tempo.
Era um macaco. Um macaco extraordinário, vestindo os restos dourados de uma armadura celeste que havia sobrevivido à prisão sem enferrujar, com olhos que queimavam com uma luz que Tang Sanzang nunca havia visto em nenhum ser humano ou animal.
Sun Wukong deu três saltos e três cambalhota no ar puro, gritando de alegria tão pura que era quase perturbadora. Depois pousou diante de Tang Sanzang e prostrou-se com uma reverência que estava tecnicamente correta mas que transbordava com uma energia que ainda não havia decidido se era reverência ou impaciência.
"Mestre", disse Sun Wukong, "vamos andar."
Começaram juntos.
Por alguns dias, a parceria foi estranha e maravilhosa ao mesmo tempo. Sun Wukong caçava para o mestre, abria caminho onde a estrada estava bloqueada, afastava com a mera presença ameaças que Tang Sanzang nem chegava a ver. Havia algo nele que era ao mesmo tempo tranquilizador e levemente alarmante — uma força que obviamente não reconhecia limites como princípio geral.
E então encontraram os bandidos.
Eram seis homens armados que bloquearam a estrada com a confiança de quem fazia aquilo regularmente sem encontrar resistência. Tang Sanzang parou o cavalo e tentou explicar que eram peregrinos sem dinheiro — o que era verdade. Sun Wukong, que estava à frente abrindo caminho, voltou e avaliou a situação com a rapidez de alguém para quem seis homens com facas representavam um inconveniente modesto.
O que se seguiu foi rápido demais para Tang Sanzang processar completamente. Quando parou de piscar, os seis bandidos estavam mortos.
Tang Sanzang ficou imóvel por um longo momento, olhando para os homens caídos. Depois olhou para Sun Wukong, que limpava o bastão com uma expressão de satisfação prática.
"Você os matou", disse Tang Sanzang.
"Eles nos atacariam", disse Sun Wukong.
"Eles eram seres humanos."
"Seres humanos que matavam outros seres humanos."
Tang Sanzang desceu do cavalo e recitou sutras pelos homens mortos durante um tempo considerável, com Sun Wukong observando com a expressão crescentemente impaciente de alguém que não entendia a necessidade de rituais por pessoas que haviam tentado assaltá-los.
Quando Tang Sanzang terminou, falou. Falou longamente sobre a santidade da vida, sobre o karma da violência, sobre as consequências de agir sem ponderação. Era um sermão bem-intencionado e genuinamente sentido, mas tinha o problema de ser dirigido a Sun Wukong, que havia passado quinhentos anos numa montanha pensando sobre sua própria natureza e havia chegado a conclusões bastante diferentes das do monge.
Sun Wukong ouviu até um certo ponto. Depois, com a abruptura característica de alguém que não possui a habilidade de manter opiniões não expressas, anunciou que o mestre não sabia nada sobre o mundo real e que sem ele Tang Sanzang teria morrido cem vezes já, e partiu saltando pelas nuvens em direção ao Mar Oriental para visitar o Rei Dragão Ao Guang.
Tang Sanzang ficou sozinho novamente na estrada, desta vez com a sensação humilhante de que havia perdido o único companheiro e protetor que tinha por dizer a coisa certa da maneira errada.
Naquela noite, Guanyin visitou-o em sonho.
A Bodhisattva trouxe-lhe um presente: um aro dourado e um sutra. O aro, explicou Guanyin, era a Faixa Regulatória da Mente — colocada na cabeça de alguém, não podia ser removida sem magia muito específica, e um sutra especial recitado pelo portador a tornava apertada de forma muito dolorosa.
"Quando Sun Wukong retornar", disse Guanyin com sua gentileza prática, "ofereça-lhe como presente um manto dourado e o aro. Ele é poderoso demais para ser controlado pela força, mas há formas de criar limites que não dependem de força."
Quando Sun Wukong retornou — movido pelo remorso da impulsividade e pela percepção genuína de que havia deixado um homem indefeso sozinho numa estrada perigosa — encontrou Tang Sanzang com um manto dourado que brilhava na luz da manhã.
"Um presente de Guanyin", disse Tang Sanzang. "Considere como desculpas mútuas."
Sun Wukong colocou o manto com o prazer de uma criança recebendo um presente bonito. Tang Sanzang recitou o sutra.
O aro apertou.
Sun Wukong caiu de joelhos com um grito que soou por toda a paisagem, agarrando a faixa dourada com as mãos e puxando inutilmente enquanto ela se aprofundava na sua pele.
"PARE!", rugiu ele.
Tang Sanzang parou de recitar.
O aro relaxou ligeiramente.
Os dois ficaram olhando um para o outro — Sun Wukong com uma mistura de raiva e constrangimento que era quase cômico nos limites do quanto ele claramente se importava com o que havia acontecido, Tang Sanzang com a expressão de alguém que não gosta muito do que acabou de fazer mas que reconhece que era necessário.
"Podemos tentar de novo?", disse Tang Sanzang finalmente. "Eu não repreendo você mais como se fosse uma criança. Você não mata seres humanos sem tentar primeiro outra solução."
Sun Wukong considerou. "Isso é razoável", disse ele, com uma dignidade levemente abatida.
E assim, com essa negociação incomum entre um monge e o ser mais poderoso do mundo, a parceria mais improvável da história sagrada começou de verdade.
Os dias que se seguiram ao retorno de Wukong da visita ao Rei Dragão do Oceano do Oeste tiveram uma qualidade diferente dos anteriores.
Não era que o conflito havia desaparecido — havia entre mestre e discípulo diferenças fundamentais que nenhuma conversa única resolve, assim como a distância entre duas montanhas não desaparece apenas porque dois viajantes reconhecem que existe. Mas havia algo que havia mudado na textura dessas diferenças. Menos fricção direta, mais negociação silenciosa.
Wukong encontrou-se fazendo algo que raramente havia feito antes: observar antes de agir. Não por muito tempo — a pausa era de um segundo, dois, às vezes apenas um batimento de coração. Mas havia uma pausa. E nessa pausa, a pergunta "é necessário?" encontrava às vezes uma resposta diferente da que o impulso inicial teria produzido.
Tang Sanzang observava isso com aquela atenção que nunca estava ausente mas raramente se anunciava. Havia nas pequenas mudanças do discípulo algo que era mais satisfatório do que qualquer vitória de argumento — porque argumentos podem ser ganhos sem que nada mude, mas comportamento que muda vem de dentro.
Numa tarde em que cruzavam uma área de montanhas de pinheiros antigos que cheiravam a resina aquecida pelo sol, o monge disse de repente: "Discípulo, há algo que devo dizer."
Wukong olhou para ele com aquela atenção súbita que era sua quando o Mestre falava de forma inesperada.
"Quando usei o feitiço pela primeira vez," disse Tang Sanzang, "havia em mim também algum desconforto. Não quanto ao necessário — sei que é necessário. Mas quanto ao que significa controlar outro ser, mesmo com boa intenção."
Wukong ficou quieto.
"Não é algo que faço de coração leve," continuou o monge. "E agradeço que continues."
Era uma coisa pequena. Mas havia nessa admissão do Mestre uma honestidade que Wukong reconheceu como o tipo de linguagem que os dois haviam estado aprendendo a falar — não a linguagem do mestre que instrui e o discípulo que obedece, mas a linguagem de dois seres muito diferentes aprendendo a caminhar juntos.
"Sei disso," disse Wukong. E havia nessas duas palavras toda a complexidade do que havia passado entre eles desde o dia em que o monge havia retirado o lacre da montanha.
A estrada continuou. E o horizonte do Oeste permaneceu distante e presente ao mesmo tempo, como sempre.