Capítulo 92: Os Três Monges na Montanha do Dragão — As Quatro Estrelas Capturam os Rinocerontes
Sun Wukong obtém ajuda das Quatro Estrelas da Madeira para combater os demônios rinocerontes. Após uma batalha épica que se estende ao mar ocidental, os três demônios são capturados e Tang Sanzang é libertado. A Prefeitura de Jinping é liberada da tributação das lanternas.
Chegaram à Gruta da Sombra Negra antes do amanhecer — três sombras que deslizavam nas nuvens sobre a Montanha do Dragão Verde com a lua baixa atrás delas como testemunha que prefere não se comprometer. Abaixo, a montanha era massa sólida de pedra e escuridão, sem a distinção de árvores ou trilhas visível a essa altitude e nessa hora. Só a gruta, com a pedra ao redor que brilhava levemente com a luz refletida de dois dragões de fogo esculpidos na entrada — ornamentação que alguém havia colocado ali há muito tempo e que agora servia apenas para localizar a entrada na escuridão.
Wukong mandou Bajie e Sha Wujing esperarem fora enquanto ele mesmo entrava primeiro para verificar o estado de Tang Sanzang. Transformou-se em vaga-lume — uma luz laranja piscante, pequena como ponto de incandescência, que voou pela fresta da porta de pedra sem fazer som de portas.
A gruta estava cheia de criaturas adormecidas. Bois com cabeças que haviam cultivado a consciência até um ponto que já não era de boi mas não era ainda suficientemente de outra coisa para ter nome próprio — enrolados uns nos outros no chão de pedra com aquela indiferença animal de quem não precisa de travesseiro e não considera o frio uma adversidade. Havia dezenas deles, dispersos em grupos, as respirações lentas e ruidosas criando um ritmo coletivo que era quase música, se músicas fossem feitas de coisas pesadas que roncam.
No fundo da gruta, nas correntes de ferro que haviam sido forjadas especificamente para o trabalho de segurar alguém que não poderia ser segurado por correntes comuns, Tang Sanzang chorava em voz baixa. O choro era diferente do choro de dor — era o choro de quem já não sente que pode parar, como chuva de estação que simplesmente continua porque é sua natureza continuar.
O vaga-lume pousou na pedra ao lado e voltou à forma humana no silêncio que a transformação de Wukong tinha quando ele escolhia fazê-la silenciosa.
— Mestre.
Tang Sanzang levantou os olhos. Por um segundo — apenas um segundo — havia naquele olhar a expressão de quem vê algo que não ousava esperar e ainda não acredita que é real.
— Discípulo...
— Estou aqui. Bajie e Sha estão do lado de fora. Vou tirar os grilhões agora.
Com um feitiço simples de abertura — não diferente em princípio do que um ladrão de tombs aprenderia, mas com décadas de prática adicional —, os cadeados abriram. Tang Sanzang levantou-se tremendo com o tremor de quem ficou imóvel por muito tempo e não está certo de que as articulações vão cooperar.
Estavam a meio caminho da saída, movendo-se devagar para não acordar os bois adormecidos, quando o alarme soou.
Não soou como alarme — soou como boi menor que rondava à noite e ouviu o rangido dos grilhões ao cair e soltou o grito reflexivo de animal que encontrou algo inesperado. Mas o resultado foi alarme. Em segundos, archotes acenderam pelo corredor como dominó — um acendendo o próximo com aquela inevitabilidade das reações em cadeia. Os bois ao redor acordaram com a rapidez das criaturas cujo sono é leve por treinamento ou por natureza.
Wukong empurrou Tang Sanzang para a frente.
— Corre! Não olhes para trás!
Mas os bois eram muitos e a gruta os conhecia — os corredores favoreciam os que os habitavam. Cercaram o corredor principal antes que Tang Sanzang chegasse à curva que levava à saída. Wukong bateu em quatro, cinco, seis deles, o bastão trabalhando nos dois sentidos ao mesmo tempo, abrindo espaço onde não havia espaço por força pura e obstinação. Mas havia muitos mais, e por trás dos bois vieram os três grandes demônios rinocerontes, com os seus olhos rubros que ardiam com a luz de quem não precisa de archote para ver, e as suas armas que recebiam a luz dos archotes e a devolviam multiplicada.
O maior dos três agarrou Tang Sanzang antes que chegasse à porta, com uma mão que era do tamanho do peito do monge, e arrastou-o de volta para o fundo da gruta sem pressa — aquela falta de pressa específica de quem sabe que tem vantagem de posição e não precisa de urgência. Desta vez, amarraram o monge com duas correntes entrelaçadas que faziam o sistema anterior parecer descuidado.
Wukong bateu em mais dois bois, quebrou mais dois crânios, e saiu pela porta para encontrar os irmãos.
— Está vivo mas preso de novo — disse, sem preâmbulo nem desculpa. — Bajie, arranha a porta.
Bajie não precisou de segundo encorajamento. Cravou o Forcado das Nove Dentes na porta de pedra com todo o peso do seu corpo enorme — aquele peso que havia sido reclamado como desvantagem em incontáveis outros contextos e que era, neste, precisamente o que a situação exigia. A porta virou pó com o som de algo que existiu por muito tempo e escolheu aquele instante para parar.
A batalha que se seguiu na terceira noite foi a mais furiosa das três — três discípulos contra três demônios rinocerontes e todo o exército de bois, com a lua completando seu movimento pelo céu enquanto eles lutavam sem trégua. Bajie tombou quando um grupo de bois o cercou por todos os lados e o derrubou pela força pura da massa coordenada — não por ser mais fraco, mas porque havia limites físicos para o que uma criatura conseguia fazer contra dez que se moviam como uma. Sha Wujing foi capturado logo em seguida por um dos rinocerontes grandes que o apanhou pela gola com habilidade de lutador experiente.
Wukong ficou sozinho no corredor, com o bastão em movimento e os dois irmãos presos, e fez o cálculo que era necessário fazer.
Retirou-se.
Saiu pela porta destruída, saiu da montanha, subiu às nuvens. Não havia vergonha naquilo — havia a necessidade prática de reconhecer quando a batalha presente precisava de recursos que não estavam disponíveis na batalha presente.
Ao amanhecer, Wukong estava no Portão Oeste do Paraíso, com o aspecto de quem passou a noite lutando porque havia passado a noite lutando. O General Estrela de Vênus — o velho sábio de barba branca que havia sido interlocutor em tantos momentos críticos, de quando Wukong era ainda a perturbação que o Paraíso precisava gerenciar até agora quando era a proteção que o Paraíso ocasionalmente precisava mobilizar — saiu para encontrá-lo com a paciência de quem há muito aprendeu a não julgar a aparência do Grande Sábio ao chegar.
— Grande Sábio. Você tem o aspecto de quem precisou sair de algum lugar com pressa.
— Saí por necessidade e voltarei. Três demônios rinocerontes da Montanha do Dragão Verde. Capturaram meu mestre, capturaram meus irmãos, e resistiram a três noites de batalha com tudo o que tentei. Preciso entender como vencê-los e com que auxílio.
O velho general sorriu levemente — o sorriso de quem tem a resposta mas aprecia que a pergunta seja feita corretamente antes de dá-la.
— São rinocerontes que alcançaram o Dao ao longo de séculos de cultivo. A sua força especificaviene das águas lunares e da yin — são a expressão do mais profundo da natureza yin. Há apenas uma classe de criaturas especificamente capaz de subjugá-los: as Quatro Estrelas da Madeira das Vinte e Oito Constelações.
— Que estrelas são essas?
— As quatro estrelas ligadas ao elemento madeira entre as vinte e oito: o Dragão de Madeira, o Lobo de Madeira, o Javali de Madeira e o Cão Selvagem de Madeira. A madeira supera a água na sequência dos cinco elementos — e os rinocerontes são, em essência, criaturas de água e sombra. Vá ao Imperador de Jade e peça o decreto de mobilização.
Wukong não perdeu tempo com agradecimentos que podiam ser feitos depois. Entrou pelo Portão do Paraíso com o passo de quem tem agenda, percorreu os corredores celestiais com a familiaridade de quem havia causado problemas significativos naqueles mesmos corredores há quinhentos anos, e foi direto ao Salão da Luz Penetrante onde os Quatro Mestres Celestiais o receberam e levaram ao Trono de Jade.
O Imperador ouviu o relato com a atenção de alguém que havia aprendido a distinguir as visitas de Sun Wukong por categoria — esta era das que requeriam decisão, não das que requeriam apenas paciência. Consultou brevemente os conselheiros de protocolo, verificou que o pedido tinha base nos Registros das Cinco Potências, e assinou o decreto com o selo que tornava a mobilização das Quatro Estrelas obrigatória.
As Quatro Estrelas da Madeira apareceram no pátio celestial como quatro guerreiros cujas naturezas animais eram visíveis na expressão mesmo em forma humana — o Dragão, sereno e imenso com aquela calma específica das criaturas que haviam existido antes de grande parte das coisas que existiam ao redor, o Lobo com a agilidade lateral de quem nunca ataca de frente quando pode atacar de lado, o Javali com a força de coisa enraizada que não cede quando o solo não cede, o Cão Selvagem com aquela energia elétrica inquieta que os mais primitivos têm quando estão na iminência de algo.
— Grande Sábio, para onde vamos?
— Montanha do Dragão Verde. Gruta da Sombra Negra. Desçam comigo.
Chegaram ao crepúsculo — a hora entre o dia e o escuro quando as sombras têm comprimento máximo e as criaturas das sombras estão em transição de um estado ao outro. Os demônios rinocerontes souberam de alguma forma que reforços vinham — talvez pelo movimento de energia no ar, talvez por observadores que Wukong não havia localizado. Saíram da gruta em posição de batalha antes que os cinco pousassem.
Quando viram as Quatro Estrelas da Madeira, porém, algo mudou nos rostos dos três rinocerontes que nenhuma quantidade de força de vontade conseguia esconder completamente. Aquela confiança que haviam exibido nas três noites anteriores, a confiança de quem sabe que é o maior daquele território, vacilou — como chama diante de vento que ainda não chegou mas que se anuncia.
— Fujam! — berrou o maior dos três, com a decisão rápida de quem reconhece o predador específico para o qual não tem defesa.
Era tarde para a decisão, embora a decisão em si não fosse errada.
As Quatro Estrelas atacaram com aquela precisão que só existe quando uma criatura encontra o adversário para o qual foi especificamente construída, em cujos movimentos não há surpresa porque a lógica do embate está inscrita na natureza de ambos. Os demônios rinocerontes perderam a forma progressivamente — as armaduras de pele espessa que haviam resistido a tudo antes cedendo agora à qualidade específica do elemento madeira que penetrava onde a força bruta não chegava. Soltaram as armas, correram — para o leste, para o nordeste, para onde havia distância do que os perseguia.
Para o mar.
Wukong e o Dragão de Madeira e o Cão Selvagem de Madeira foram em perseguição enquanto o Lobo e o Javali varriam os bois menores que ainda restavam na gruta, libertavam Tang Sanzang, Bajie e Sha Wujing das correntes, e incendiavam o lugar até as fundações com aquele fogo de madeira que não deixava o que havia sido deixar de ter sido.
A perseguição sobre as ondas foi longa — os rinocerontes eram criaturas de água e mergulharam com a facilidade de quem estava voltando ao elemento original. Wukong mergulhou atrás deles usando a habilidade que havia adquirido em tantos combates anteriores em rios e mares, a habilidade de mover-se na água sem perder velocidade. No fundo do Mar Ocidental, o Rei Dragão Ao Shun enviou seu filho mais veloz com um esquadrão de tartarugas que bloqueavam a fuga pelas profundezas e lagostas que fechavam as rotas laterais.
O menor dos três rinocerontes foi morto pelo Dragão de Madeira num embate que foi tão rápido que ninguém conseguiu gritar aviso — literalmente mordido no pescoço antes que a intenção de captura tivesse tempo de ser comunicada. Os outros dois foram capturados com argolas de ferro nos focinhos, ferro que havia sido forjado especificamente para presos celestiais e que por isso mesmo não cedia ao tipo de força que os rinocerontes empregavam.
Wukong surfou de volta ao litoral com os dois prisioneiros arrastados atrás como âncoras vivas, deixando rastro branco na superfície do mar.
De volta à Prefeitura de Jinping, diante do Prefeito e dos seus funcionários numa câmara de julgamento que nunca havia sido usada para este tipo de caso e provavelmente nunca seria novamente, os dois rinocerontes sobreviventes foram julgados na brevidade que os crimes claros permitem.
Bajie, que havia ficado dias amarrado em correntes e havia desenvolvido naqueles dias uma visão específica sobre o que constituía justiça apropriada, executou a sentença ele mesmo com sua faca larga — dois golpes limpos, sem cerimônia desnecessária mas também sem hesitação.
As Quatro Estrelas da Madeira receberam os chifres dos três demônios como troféus que o Imperador de Jade havia solicitado — quatro chifres totais, pois cada rinoceronte tinha dois mas um havia sido perdido no combate submarino. Tang Sanzang segurou um quinto chifre, encontrado solto no fundo da gruta, para presentear ao Buda quando chegasse.
O Prefeito de Jinping saiu ao balcão principal do palácio com a formalidade dos que foram treinados para cerimônias e que finalmente têm cerimônia adequada para a qual usar esse treinamento:
— A tradição das Lanternas de Ouro fica abolida a partir deste dia. Os demônios que a instituíram foram destruídos. As duzentas e quarenta famílias que por gerações custearam o óleo das lanternas com sacrifício próprio estão isentas de qualquer tributação relacionada a lanternas, para sempre, por decreto que será gravado em pedra.
A multidão no pátio do palácio soltou o rugido de quem carregou peso por muito tempo e o peso finalmente foi retirado — não de uma vez, porque os rugidos de alívio não têm a uniformidade dos rugidos de celebração, mas em ondas que vinham de diferentes partes do pátio e se somavam.
As Quatro Estrelas da Madeira partiram para o céu com a discrição das criaturas celestiais que fazem o trabalho e não necessitam de festa. O Prefeito mandou preparar um banquete que durou três dias — com aquela generosidade específica de quem havia estado privado de motivo para ser generoso e agora quer recuperar o tempo.
Tang Sanzang comeu pouco, bebeu apenas chá, e ficou a maior parte do tempo em silêncio de gratidão. Não o silêncio de quem não tem o que dizer, mas o silêncio de quem percebe que o que tem para dizer é maior que qualquer idioma, e que o único recipiente adequado para isso é o silêncio que é, na verdade, oração contínua em que as palavras foram substituídas pelo estado que as palavras tentavam alcançar.
No quarto dia, antes que o sol chegasse ao horizonte, Tang Sanzang acordou Wukong com um toque no ombro — o toque leve e preciso de quem sabe que esse discípulo dorme levemente e não precisa de mais.
— Vamos.
— Agora? O banquete ainda não acabou. Havia promessa de um prato especial para o quarto dia.
— Precisamente por isso. Se esperarmos que o banquete acabe, ficamos mais um mês. E já estou quase lá. Sinto isso nos pés que caminham. Sinto nas rezas que fazem a distância parecer menor do que era ontem.
Wukong acordou Bajie e Sha Wujing no escuro, selaram o cavalo branco antes que o primeiro pássaro abrisse a boca, e partiram antes que a cidade acordasse para mais uma rodada de celebração e retenção generosa.
Quando o sol nasceu sobre Jinping e os cozinheiros entraram na cozinha do palácio para o quarto dia de banquete, o pavilhão dos hóspedes estava limpo como se nunca houvesse sido habitado. Os quatro viajantes eram apenas uma silhueta na estrada à frente, diminuindo com a distância, indo em direção ao oeste com a constância de coisas que sabem para onde vão.