Capítulo 91: A Festa das Lanternas em Jinping — Os Monges Fantasmas Sequestram Tang Sanzang
Os peregrinos chegam à Prefeitura de Jinping durante o Festival das Lanternas. Tang Sanzang é capturado por três demônios rhinocerontes que se disfarçam de Budas para roubar o óleo sagrado das lanternas de ouro. Sun Wukong parte em perseguição.
A estrada depois de Yuhua foi misericordiosa — dias planos, céu limpo, aquele tipo de caminho que engana o viajante fazendo-o esquecer que toda paz tem prazo. Tang Sanzang ia no cavalo com olhos semicerrados, meio em oração, meio em contemplação do nada que a paisagem generosamente oferecia.
Cinco ou seis dias de viagem e surgiu outra cidade no horizonte.
— Aquilo — disse Wukong, espiando do alto de uma pedra — é a Prefeitura de Jinping. Fazemos parte do reino de Tianzhu agora.
A Prefeitura de Jinping era barulhenta e cheia de vida, com mercados que cheiravam a anis e rapadura, vendedores de seda disputando clientes com vendedores de ferragens, e uma animação especial que não era apenas o movimento do comércio.
Encontraram um templo budista — o Templo da Nuvem de Compaixão — no centro da cidade, com um abad que ao ver Tang Sanzang prostrou-se numa reverência tão profunda que pareceu uma árvore dobrada pelo vento.
— Mestre de Tang! Que honra imensa. Este pobre templo não merecia tanta graça.
Os discípulos foram apresentados com o usual espanto dos espectadores — o abad cobriu a boca com as mãos ao ver Bajie; outros monges recuaram até se acotovelarem na parede do fundo.
— São meus discípulos — disse Tang Sanzang, com a paciência de quem já explicou isso muitas vezes. — Feios, sim. Mas confiáveis.
Serviu-se um jantar. Bajie atacou os pratos com o entusiasmo de alguém que não comer por seis dias e, enquanto o templo inteiro tentava descobrir se aquilo era um porco vestido de monge ou um monge com muito azar genético, o abad mencionou, quase de passagem:
— Vocês chegaram numa boa hora. Hoje é dia treze do primeiro mês. Amanhã é o Festival das Lanternas. No dia quinze, a Ponte das Lanternas de Ouro vai estar iluminada como nenhum lugar na terra.
Tang Sanzang levantou os olhos do arroz.
— Lanternas de ouro?
— Uma tradição antiga, mestre. Há três lanternas enormes no meio da ponte — cada uma do tamanho de um barril, feitas de fio de ouro filigranado com painéis de vidro. O óleo usado é o Óleo de Incenso Harmonioso — dois taéis de prata por tael de óleo, trinta e dois por catty. As três lanternas juntas custam quase cinquenta mil taéis de prata. E queimam apenas três noites.
Wukong ergueu uma sobrancelha.
— Cinquenta mil taéis por três noites?
— Sim. Porque nessas noites, os Budas descem para ver as lanternas. É assim desde sempre — todos os anos o óleo acaba, e todos dizem que os Budas beberam o óleo como sinal de abundância para o ano seguinte. É a bênção mais esperada da cidade.
Ficaram. Tang Sanzang queria ver os Budas.
A noite do décimo quinto era uma criatura especial. As ruas da Prefeitura de Jinping transbordavam de pessoas que carregavam lanternas menores, tochas, pinheiros acesos. Músicos tocavam em esquinas. Dançarinos em trajes de dragão e leão serpenteavam entre a multidão. A Ponte das Lanternas de Ouro estava no centro de tudo, com as três enormes lanternas iluminando o rio abaixo com um reflexo que parecia a própria água estar em chamas douradas.
Tang Sanzang se aproximou da ponte com aquela intensidade de quem veio de longe especificamente para aquilo. O odor do Óleo de Incenso Harmonioso era diferente de qualquer perfume que conhecia — mais profundo, mais permanente, como se o ar ficasse impregnado para sempre.
— Esse óleo — perguntou ao abad, que vinha ao lado —, é mesmo especial?
— Sagrado, mestre. Nenhum outro óleo funciona nestas lanternas. Por isso as famílias designadas para custear a tradição gastam fortunas. Porque se a chuva for parca, se a colheita for ruim, se os Budas não vierem beber o óleo, diz-se que o ano será de desgraça.
Um vento começou a soprar.
A multidão se dispersou instintivamente — aquele recuo coletivo de quem já aprendeu que quando o vento vem na noite das lanternas, é hora de dar espaço.
— Os Budas estão chegando — sussurrou o abad.
E realmente, no meio do vento, três formas luminosas desceram do céu. Três figuras douradas, com as proporções serenas e majestosas que Tang Sanzang reconhecia das estátuas dos templos — mas vivas, movendo-se, descendo em direção às lanternas.
Tang Sanzang correu para a ponte e prostrou-se com a testa no chão.
Wukong — que nunca havia parado de observar desde o momento em que o vento começara — sentiu algo torcer por dentro. Havia naquelas três figuras uma coisa errada. Não a coisa errada que vem do mal aberto, mas o tipo mais sutil de erro — o brilho estava um grau fora do lugar, o movimento um milímetro imperfeito.
— Mestre! Não são Budas verdadeiros — ele chamou.
Mas era tarde.
As lanternas escureceram como se alguém tivesse soprado velas. O vento cresceu num turbilhão, e Tang Sanzang — ainda ajoelhado na ponte — desapareceu no vórtice junto com as figuras douradas.
Bajie girou em círculos na ponte vazia.
— Mestre?
Sha Wujing chamou para o rio, para o ar, para a multidão que havia voltado a olhar sem entender.
Wukong ficou parado por um segundo — aquele segundo que precede a decisão — e depois disse:
— Vocês dois voltam para o templo. Cuidam do cavalo e da bagagem. Eu vou no vento.
O abad veio correndo.
— O que aconteceu? Os Budas levaram seu mestre?
— Não eram Budas — disse Wukong, já subindo. — Eram ladrões de óleo que fingem Budas. Fazem isso há anos. Só que desta vez, além do óleo, levaram meu mestre.
Subiu numa nuvem e seguiu o rastro do vento para o nordeste.
Voou a noite inteira. Ao amanhecer, quando o vento morreu, estava diante de uma montanha grande e agreste — a Montanha do Dragão Verde, com a Gruta da Sombra Negra enterrada no seu flanco. Era dali que vinha o cheiro — uma mistura de sândalo queimado e algo de animal, mais pesado que perfume, mais denso que névoa.
Antes que pudesse tentar entrar, quatro figuras saíram de trás de uma pedra no caminho — quatro homens comuns carregando três carneiros.
Wukong os reconheceu imediatamente.
— Os Quatro Assistentes do Valor! O que fazem aqui escondidos atrás de pedras em vez de proteger meu mestre?
Os quatro espíritos guardiões apareceram em suas formas verdadeiras, inclinando-se rapidamente.
— Grande Sábio, desculpe. Seu mestre relaxou sua vigilância espiritual durante o festival e foi capturado como consequência natural. Temos protegido seu corpo de danos físicos — ainda está vivo e ileso. Quanto aos três carneiros...
— Três carneiros?
— "Três Yang Trazem Fortuna" — explicou um deles. — Uma mensagem de boa sorte para neutralizar o mau augúrio que pesa sobre seu mestre agora mesmo.
— E a montanha?
— Chama-se Montanha do Dragão Verde. A gruta dentro chama-se Gruta da Sombra Negra. Três demônios vivem lá — os Reis dos Ventos Glacial, Ardente e Empoeirado. São demônios de rinoceronte que amam o Óleo de Incenso Harmonioso e todos os anos se transformam em Budas para roubá-lo das lanternas de Jinping. Desta vez reconheceram Tang Sanzang como um monge sagrado e levaram-no junto. Pretendem cortá-lo em pedaços finos, fritar no próprio óleo sagrado e comê-lo.
Wukong cerrou os dentes.
— Não vai acontecer.
Avançou até a porta da Gruta da Sombra Negra e berrou o desafio.
Um exército de criaturas com cabeças de boi saiu pela porta com lanças e espadas. Atrás deles, os três demônios rinocerontes — cada um grande como um boi de pelagem colorida, empunhando respectivamente um machado, uma adaga e uma clava de bambu —, com bandeiras que proclamavam seus nomes.
Lutou com os três por cento e cinquenta golpes enquanto o sol subia e depois descia. Os demônios eram fortes e coordenados, e quando o Rei do Vento Empoeirado sacudiu sua bandeira, os bois menores se fecharam em círculo ao redor de Wukong com número suficiente para tornar a vitória improvável.
Wukong subiu em nuvem e recuou.
Não era derrota. Era recálculo.
Voltou ao templo de Jinping antes da meia-noite, onde Bajie e Sha Wujing esperavam numa agonia de inquietação. Contou o que havia visto — os três demônios rinocerontes, Tang Sanzang ainda vivo, a gruta com seu exército de bois.
— Vamos agora — disse Sha Wujing, que raramente era o mais urgente dos três.
E os três subiram nas nuvens e voaram para o nordeste, em direção à Montanha do Dragão Verde.
A batalha da meia-noite seria mais complicada do que a do dia. Mas pelo menos, desta vez, seriam três.