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Capítulo 79: O Demônio do Vento Lunar — Tang Sanzang Sequestrado de Novo

Os peregrinos enfrentam o Demônio Yin-Yang do Vento Lunar que rapta Tang Sanzang. Sun Wukong descobre que o monstro usa uma campainha mágica e busca ajuda do Bodhisattva da Estrela do Norte.

Sun Wukong Tang Sanzang Demônio do Vento Lunar campainha mágica reino de Bhiksha

Ainda havia um problema no Reino de Bhiksha que os peregrinos não haviam resolvido antes de partir. A raposa branca havia chegado em companhia — havia um demônio maior que a controlava, um espírito do vento lunar chamado Pimian Hu que habitava a Montanha da Pedra Seca a nordeste da cidade.

Este demônio havia enviado a raposa como instrumento e ainda esperava a entrega dos corações das crianças. Quando a raposa morreu e o plano falhou, o demônio foi ele mesmo.

Chegou numa noite de vento, quando os peregrinos já dormiam a léguas de distância do reino. O vento passou pela tenda e quando passou, Tang Sanzang havia desaparecido.

Sun Wukong acordou com o desaparecimento — tinha adormecido levemente e sentia as variações do ar mesmo durante o sono. Saltou para o exterior e viu no horizonte uma nuvem escura se afastando rapidamente para o nordeste.

— Porco! Sha Wujing! Acordem!

Saíram da tenda atordoados. Em dois segundos Sun Wukong havia explicado o essencial e subido ao ar perseguindo a nuvem.

A nuvem era mais rápida do que qualquer nuvem deveria ser. Sun Wukong aumentou a velocidade ao máximo da sua nuvem de nascente e mal conseguia manter distância constante. Era como perseguir o próprio vento.

A nuvem entrou numa montanha de pedra cinzenta e seca que não havia na paisagem um dia antes — ou talvez estivesse sempre ali e eles simplesmente não haviam passado por ela.

Sun Wukong voou em volta da montanha três vezes, procurando entradas. Havia uma gruta. Uma única entrada, profunda, com portões de pedra que pareciam naturais mas tinham bordas demais iguais para ser acidente da natureza.

Entrou.

O demônio do vento lunar era uma criatura de aparência humana mas de natureza irreal — o corpo feito de vento comprimido, os olhos como luas cheias, os cabelos flutuando permanentemente mesmo sem brisa. Tinha uma campainha de bronze na mão — pequena, do tamanho de uma mão fechada, mas com um som que quando tocada criava um vento que carregava qualquer pessoa para onde o demônio quisesse.

Tang Sanzang estava amarrado numa câmara lateral. Saudou Sun Wukong com olhos marejados mas sem uma palavra — havia descoberto que qualquer som que fizesse dentro da gruta era amplificado pela pedra e chegava aos ouvidos do demônio instantaneamente.

Sun Wukong tentou libertar o mestre. Antes que conseguisse, o demônio apareceu.

A batalha foi ao ar livre, para não esmagar Tang Sanzang nas paredes. O demônio tocou a campainha. O vento veio — não um vento normal, mas um vento com inteligência própria que envolvia Sun Wukong de todos os lados ao mesmo tempo, tentando jogá-lo para onde o demônio queria.

Sun Wukong resistiu. A nuvem de nascente era mais poderosa que o vento da campainha por alguns metros — mas quando o demônio tocou três vezes seguidas, o vento acumulado foi demais e Sun Wukong foi arremessado contra um penhasco.

Caiu. Levantou. Sangrava de um corte na testa.

O demônio voltou para dentro e fechou os portões de pedra.

Sun Wukong ficou olhando para a montanha. Precisava de alguém que combatesse vento.

Quem controla o vento?

O Oficial do Vento é um subordinado do Imperador de Jade — mas já havia pedido ajuda ao imperador e os resultados foram insatisfatórios. O Dragão do Mar — não, dragões controlam água, não vento.

Sun Wukong subiu às estrelas e procurou o Bodhisattva da Estrela do Norte — uma entidade que habitava a constelação setentrional e tinha poder sobre os ventos do polo. Encontrou-o num palácio de gelo celestial, sentado sobre um golfinho negro.

— Grande Sábio Sun — disse o Bodhisattva do Norte — você tem a aparência de quem lutou recentemente.

— Lutei e levei o pior. Há um demônio do vento lunar que sequestrou meu mestre com uma campainha mágica. Preciso de algo para neutralizar o vento.

— Tenho um animal que pode ajudar. — O Bodhisattva assoviou. Do lado de fora veio um pássaro de penas pretas como carvão, olhos dourados, com algo na aparência que fazia pensar em trovão parado. — Este é o Corvo da Tempestade Polar. Quando ele grita, o vento contrário para.

— Posso levá-lo?

— Ele vai com você. Mas volte quando acabar.

O Corvo da Tempestade Polar voou ao lado de Sun Wukong de volta à montanha. Quando o demônio saiu e tocou a campainha, o corvo soltou um grito — não um canto de pássaro, mas algo entre trovão e instrumentos de bronze — e o vento da campainha dobrou sobre si mesmo e se dissipou.

O demônio ficou parado, confuso, olhando para a campainha como se ela tivesse quebrado.

Sun Wukong aproveitou o momento de confusão e atacou. Desta vez, sem o vento para interferir, o bastão de ouro era mais rápido que os reflexos do demônio. Três golpes, e o demônio estava no chão.

— Onde está meu mestre?

— Câmara das pedras brancas, ao fundo da segunda galeria...

Sun Wukong correu. Encontrou Tang Sanzang. Cortou as cordas. O mestre estava exausto mas ileso.

— Sempre que adormeço, algo acontece — murmurou Tang Sanzang.

— A próxima vez que for dormir, amarre uma corda no meu tornozelo — disse Sun Wukong.

— Isso não é muito prático.

— Não, não é. Vamos embora.

Saíram da montanha. O Corvo da Tempestade Polar voltou para o norte. Sun Wukong agradeceu ao Bodhisattva celestial com uma reverência à distância.

Zhu Bajie e Sha Wujing os esperavam com o cavalo na estrada. Zhu Bajie tinha comido a metade das provisões de viagem enquanto esperava.

— Tinha fome — explicou ele, sem embaraço.

Seguiram para o Ocidente antes que o dia terminasse.