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Capítulo 71: Sun Wukong Rouba os Sinos Dourados — Guanyin Aparece para Recolher o Monstro

Sun Wukong, disfarçado de mosca, rouba os três sinos mágicos do demônio Saí Taisui. Guanyin desce dos céus para recuperar seu animal de montaria fugitivo e explicar o mistério do sequestro.

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Saí Taisui havia trancado as portas da frente e das fundas da caverna e varreu cada canto à procura de Sun Wukong, mas a busca continuou vã até o cair da noite. O demônio finalmente desistiu, sentou-se na Pavilhão da Pele Esfolada e ordenou que seus subordinados fizessem rondas noturnas — arcos tensionados, espadas nas bainhas, batendo nas barras de madeira a cada hora.

Sun Wukong, transformado em mosca varejeira, tinha-se colado à dobradiça da porta.

Quando o movimento diminuiu, voou para dentro do palácio interior e encontrou a Rainha de Ouro curvada sobre uma mesa, as lágrimas pingando silenciosas sobre a madeira polida. Ela murmurava uma cantiga de pesar — sobre a separação, sobre o rei, sobre o amor que se desfaz como fumaça quando o vento muda.

Sun Wukong pousou no cabelo dela, quieto como uma fagulha.

— Rainha — sussurrou, tão baixinho que apenas ela podia ouvir — sou eu, o monge Sun, enviado pelo rei. Não me machuquei. Apenas me descuidei com os sinos e tive de me esconder. Agora preciso que você distraia o demônio. Convide-o para beber vinho. Deixe que ele traga os sinos. Quando ele os depositar, cuide de que eu possa pegá-los.

A rainha tremeu. Ergueu a mão devagar e olhou para a mosca pousada na palma:

— Você é... pessoa ou fantasma?

— Sou o monge Sun, transformado. Pode acreditar.

— Me mostre.

— Se eu me mostrar, os guardas me verão.

— Mostre-me apenas a você. Estendo a mão; salte para cá.

Ele saltou. A rainha olhou para a mosca minúscula na palma aberta — como um grão de arroz preto sobre uma flor de lótus — e disse:

— Fala.

— Sou eu — disse Sun Wukong, com a voz fina de inseto.

— Acredito — disse a rainha, e as lágrimas secaram. — O que devo fazer?


A rainha foi até a sala da frente e chamou pela dama de companhia, Primavera Bela. Enquanto a jovem se aproximava, Sun Wukong arrancou um fio de pelo, soprou nele e o transformou num verme do sono — uma criaturinha tão pequena que só poderia ser vista por olhos de macaco divino. Pousou o verme sobre o rosto de Primavera Bela. O verme engatinhou até a narina direita e se instalou.

Primavera Bela sentiu uma sonolência repentina e irresistível. Encontrou um canto, curvou-se nele como um gato e dormiu profundamente.

Sun Wukong se transformou em Primavera Bela — mesma altura, mesmo rosto, mesmas roupas.

Então a verdadeira rainha foi chamar Saí Taisui:

— Grande Rei, a fumaça se dissipou, os intrusos fugiram. Esta noite é tranquila. Deixe-me servir-lhe vinho para comemorar.

O demônio ficou satisfeito. Vieram lanternas, vinhos, petiscos de carne, frutas do vale. A rainha encheu as taças com suas próprias mãos, passando uma ao demônio e guardando uma para si. A falsa Primavera Bela ficou de pé ao lado, segurando a jarra.

O demônio bebeu. A rainha bebeu. Mandaram vir dançarinas e cantoras. A festa foi suave, deliberada, projetada para afrouxar a guarda do monstro.

— Vossa Excelência — disse a falsa Primavera Bela em certo momento — este é o encontro mais feliz de tantos meses. Que os sinos que protegem o lar do Grande Rei não sejam esquecidos também — que compartilhem desta alegria.

O demônio olhou para a servo com um lampejo de suspeita — mas a rainha interveio sorrindo, e a suspeita se dissolveu. O demônio se coçou, levantou-se, foi até o quarto e voltou com os três sinos presos à cintura.

A falsa Primavera Bela se aproximou com a jarra, servindo vinho. Com a outra mão, sorrateira como cobra em água parada, arrancou um punhado de pelos da própria cauda — mastigou-os e os transformou em três pragas: piolhos, pulgas e percevejos. Com um sopro suave, os mandou para dentro da roupa do demônio.

Saí Taisui sentiu a coceira logo. Enfiou a mão na roupa, coçou, esfregou. A rainha, com voz carinhosa:

— Grande Rei, suas roupas devem estar sujas de tanto uso. Deixe-me ajudá-lo.

E com toda a naturalidade do mundo, começou a tirar as camadas do demônio, dobrando cada uma sobre a mesa. Sun Wukong, por dentro, observava as peças se acumulando. Segunda camada. Terceira. E ali estavam — os três sinos dourados, pendurados num cordão de seda na camada mais próxima da pele.

A falsa Primavera Bela estendeu a mão:

— Deixe-me segurar os sinos enquanto Vossa Excelência se livra das pragas.

O demônio, distraído pela coceira, entregou os sinos sem pensar.

Sun Wukong os agarrou. Substituiu-os imediatamente por três cópias feitas de pelo transformado — idênticos ao toque, à vista, ao peso. Entregou os falsos ao demônio.

O demônio os examinou à luz da lanterna. Olhou para um lado, virou para o outro. Depois os entregou à rainha:

— Guarde-os bem. Da outra vez foi descuido.

A rainha os trancou num baú de ouro.


Quando o demônio foi dormir, Sun Wukong voltou à sua forma original. Recuperou o verme do sono da narina de Primavera Bela, que acordou sem saber que havia dormido. Usou o encantamento do abre-fechaduras no portão principal — que se abriu silencioso como uma flor — e saiu para a rua escura.

Parou na entrada da caverna e gritou três vezes:

— Saí Taisui! Devolva a Rainha de Ouro do Reino de Zhuzi!

Os guardas correram para ver. Nenhum quis acordar o Grande Rei que acabara de adormecer. Sun Wukong gritou mais. Bateu na porta. Gritou até o amanhecer.

Quando o sol nascia e o demônio finalmente emergiu com olhos irritados e armas nas mãos, Sun Wukong estava lá, de bastão em riste, sorrindo.

A batalha foi furiosa. Cinquenta golpes sem vencedor. O demônio recuou:

— Preciso tomar o desjejum. Depois continuamos.

— Vai buscar os sinos — disse Sun Wukong para si mesmo.

E de fato, o demônio voltou correndo para o quarto interior, gritando para a rainha:

— Os sinos! Depressa!

A rainha entregou o baú de ouro. O demônio o abriu, pegou os três sinos e voltou correndo para o campo de batalha.

— Veja estes sinos, macaco! Agora você vai conhecer o sabor da fumaça, do fogo e da areia vermelha!

— Você tem sinos? — disse Sun Wukong com ar despreocupado, abrindo o manto. — Eu também tenho.

O demônio ficou parado. Os sinos de Sun Wukong eram idênticos aos dele — mesmo tamanho, mesmo brilho, mesmo peso aparente.

— Como você...?

— Meus sinos são o par feminino dos seus — disse Sun Wukong com toda a seriedade. — Os seus são yang; os meus são yin. Juntos formam o jogo completo. Quer ver quem chacoalha melhor?

— Prove.

— Você primeiro.

O demônio pegou o primeiro sino e chacoalhou. Nenhuma fumaça. Chacoalhou o segundo. Nenhum fogo. Chacoalhou o terceiro. Nenhuma areia.

O demônio ficou lívido:

— O mundo mudou! Estes sinos ficaram tímidos diante dos yin!

Sun Wukong pegou os três sinos verdadeiros de uma só vez e os chacoalhou juntos. Vermelho, preto e amarelo — fumaça, fogo e areia — explodiram em colunas como montanhas saindo da terra. Sun Wukong soprou para o norte e o fogo dobrou de força.

O demônio correu. Não havia para onde. O fogo o cercou.

E então, do alto, uma voz:

— Sun Wukong! Vim buscá-lo!

Sun Wukong ergueu os olhos. Uma figura descia sobre nuvens de lótus branco — a mão esquerda segurando o vaso de jade com a água sagrada, a mão direita segurando o ramo de salgueiro. Era Guanyin.

Sun Wukong guardou os sinos e se ajoelhou:

Bodhisattva! Perdoe a falta de reverência. Não sabia que Vossa Excelência estava presente.

Guanyin balançou o ramo de salgueiro. Algumas gotas de água sagrada caíram sobre as chamas e as apagaram em segundos. A fumaça se dissipou. A areia assentou.

— Vim recuperar este ser — disse Guanyin, olhando para o demônio encurralado.

— Este monstro é de Vossa Excelência? — perguntou Sun Wukong.

— É meu animal de montaria. O Leão de Pelo Dourado. Um pastor distraído dormiu no serviço, e o animal fugiu. Mas não veio aqui por acaso — veio cumprir um karma antigo do rei deste lugar.

— Um karma?

— O rei, quando era príncipe, era apaixonado por caça. Um dia, chegando à Encosta dos Fênix Caídos, encontrou dois filhotes de pavão — filhos da Buda-Mãe Pavo Rei da Grande Claridade. Eram irmão e irmã. O príncipe feriu o pavão macho com flecha e a fêmea voltou ferida para o Ocidente. A Buda-Mãe declarou que o rei deveria sofrer três anos de separação da amada. Meu animal, que estava presente naquele dia, gravou isso na memória e veio cumprir a sentença — raptando a rainha por exatamente três anos.

Sun Wukong ficou de queixo caído.

— Então o demônio estava... cumprindo uma ordem?

— O karma tem seus caminhos tortuosos. Os três anos se cumpriram. A rainha está intacta. E você chegou para curar o rei, que de outra forma não teria buscado cura na hora certa. Tudo se encaixa.

— Mas ele raptou a rainha! Viveu com ela três anos! Isso não é—

— A rainha usou uma proteção — disse Guanyin com serenidade. — Uma roupa especial lhe foi dada, que transformou toda a sua pele em espinhos venenosos. Quem a tocasse sentiria dor. O animal jamais a tocou. Ninguém tocou.

Sun Wukong ficou em silêncio por um momento.

— Tudo bem. Mas posso dar pelo menos umas vinte bengaladas nele antes de Vossa Excelência levá-lo?

— Não.

— Dez?

— Não. Se você levantasse o bastão, ele morreria. Ele ainda tem seu papel no cosmos.

— Então... perdoo por ordem de Vossa Excelência.

Guanyin chamou o leão. O animal se sacudiu, deixou cair a aparência de demônio e revelou sua forma verdadeira — uma fera de pelo dourado e brilhante, patas como flores de lótus, olhos como sóis. Guanyin montou nele com a leveza de quem sobe uma escada familiar.

— Os sinos — disse ela então, olhando para Sun Wukong.

— Ah. Sim.

— Você sabe onde estão os verdadeiros.

— Pode ser.

— Sun Wukong.

— Aqui estão.

Guanyin colocou os três sinos dourados no pescoço do leão, ajustou o cordão, e subiu para as nuvens de lótus.

Sun Wukong entrou na caverna e destruiu todos os demônios subordinados sem misericórdia. Depois encontrou a Rainha de Ouro no palácio interior, fez uma reverência, e disse:

— Sua Majestade está livre. Vamos embora.

Fez um dragão de palha com ervas do campo — um veículo improvisado digno de uma rainha — e pediu que ela fechasse os olhos e confiasse nele. Ela confiou. O vento soprou. Em meio período de tempo, eles chegaram ao palácio.

Quando o rei viu a rainha, correu para segurar sua mão — e gritou de dor. A mão ardeu como brasa.

Zhu Bajie riu até as lágrimas.

Sun Wukong explicou sobre os espinhos. E então desceu do céu, convocado por um chamado que nenhum humano havia feito, o Imortal Zhang Ziyang, que havia colocado a roupa encantada na rainha três anos atrás para protegê-la. Ele removeu o encanto com um gesto de dedo, e os espinhos se dissolveram.

O rei e a rainha se abraçaram finalmente — e desta vez, sem dor.

O banquete que se seguiu durou três dias.