Capítulo 7: O Forno das Oito Trigas e o Punho do Buda
Sun Wukong sobrevive ao forno alquímico de Laozi e devasta o Palácio Celestial, mas é derrotado pelo Buda Tathagata e aprisionado sob o Monte dos Cinco Elementos.
Quarenta e nove dias.
No interior do Forno das Oito Trigas, Sun Wukong descobriu algo inesperado: o fogo não o matava. Queimava — havia momentos de dor genuína, especialmente quando as chamas mais intensas varriam o interior do forno em rajadas que fariam qualquer imortal comum se dissolver em cinzas. Mas Sun Wukong, endurecido pelos pêssegos da imortalidade e pelo elixir de Laozi e pelos séculos de cultivo espiritual, resistia.
Mais do que resistia. Adaptava-se.
Buscou o canto onde a fumaça era mais densa — o canto correspondente à trigrama do vento, onde as chamas eram menos diretas — e ali ficou, olhos fechados, respirando o mínimo, deixando o calor fazer o que o calor faz a metais: não destruir, mas refinar.
Quando os portões do forno finalmente se abriram no quadragésimo nono dia, o que saiu não era um macaco destruído. Era um macaco transformado.
Sun Wukong emergiu do forno com os olhos ardendo — literalmente. As semanas de fumaça e chamas haviam convertido seus olhos dourados em algo ainda mais extraordinário: olhos que podiam ver através de qualquer disfarce, que reconheciam o mal oculto em qualquer forma, que enxergavam nos escuros mais profundos como se fossem luz plena. Olhos que os séculos posteriores chamariam de "Olhos de Ouro que Veem através das Ilusões".
Laozi, que havia aberto os portões esperando encontrar cinzas ou uma criatura humilhada, recuou num reflexo instintivo de surpresa. Os guardas deram um passo atrás. E Sun Wukong, sacudindo a fumaça das suas vestes douradas, olhou em volta com aqueles novos olhos terríveis e belos, e soltou um grito de batalha que ecoou por todos os nove céus.
O Bastão de Ouro apareceu na sua mão — diminuto atrás da orelha quando o aprisionaram, ele o havia guardado com ele o tempo todo.
O que se seguiu foi uma devastação.
Sun Wukong varreu o Palácio Celestial com a força acumulada de quarenta e nove dias de raiva refinada em calor. Derrubou portões de jade. Dispersou exércitos inteiros com uma única investida do bastão. Os Quatro Reis Celestiais que o haviam prendido correram para se reorganizar e foram varridos antes de conseguir formar fileiras. Ne Zha veio com suas rodas de fogo e sua lança dourada e foi enviado girando para longe como uma folha no vento. Os Cem Mil Soldados Celestiais tentaram cercá-lo e ele simplesmente multiplicou-se em mil cópias de si mesmo, cada uma tão feroz quanto o original.
O Imperador de Jade, do alto do seu trono, observava com a expressão de alguém que havia esgotado todos os seus recursos.
"Que seja pedido auxílio", disse ele com uma dignidade que mal cobria o desespero, "ao Buda Tathagata no Grande Templo do Trovão."
O mensageiro desceu em direção ao ocidente com a velocidade da urgência absoluta.
E o Buda veio.
Não como um exército, não com armadura ou armas. O Buda Tathagata apareceu no limiar do Palácio Celestial como um visitante sereno, sua presença criando um bolsão de calma absoluta no meio do caos que Sun Wukong havia gerado. Era uma figura de ouro e serenidade, com olhos que pareciam ter visto o nascimento e a morte de mais universos do que Sun Wukong jamais conseguiria contar.
Sun Wukong parou. Havia algo naquela presença que exigia pausa, mesmo dele.
"Macaco", disse o Buda, com uma voz que não era mais alta do que uma conversa comum mas que parecia preencher o espaço inteiro do Céu, "o que você quer?"
"Quero o trono do Imperador de Jade", respondeu Sun Wukong, com a franqueza de quem não vê razão para disfarçar suas intenções. "Sou o mais poderoso ser existente. O trono deve ser meu."
O Buda considerou isso com a mesma expressão serena que usaria para considerar qualquer coisa — a previsão do tempo, uma flor, o fim de um mundo. "Se você for realmente o mais poderoso ser existente", disse ele finalmente, "então certamente conseguirá provar um pequeno desafio que proponho."
Sun Wukong estava ouvindo. Era exatamente o tipo de desafio que o interessava.
"Se você conseguir saltar para fora da palma da minha mão", disse o Buda, "eu mesmo pederei ao Imperador de Jade que lhe ceda o trono voluntariamente."
Sun Wukong olhou para a palma do Buda, que estava estendida na sua frente — uma palma grande, dourada, absolutamente comum na aparência. Não havia nenhuma armadilha visível. Era apenas uma mão.
"Isso é tudo?" perguntou Sun Wukong, já se preparando para o salto.
"Isso é tudo", confirmou o Buda.
Sun Wukong se agachou, concentrou toda a sua energia nas pernas — pernas que podiam propulsioná-lo a cem e oito mil li num único salto — e se lançou para frente com uma força que deveria ter sido suficiente para atravessar o universo de ponta a ponta.
Voou. Voou por uma distância que parecia não ter fim, enquanto o mundo abaixo se tornava cada vez menor, enquanto os próprios céus pareciam ceder à sua passagem. Voou até que chegou ao que parecia ser o fim de tudo: cinco pilares imensos de pedra cor-de-rosa que se erguiam no vazio como os alicerces do cosmos.
Havia chegado ao limite do universo.
Orgulhoso, Sun Wukong tirou um pelo da cauda, transformou-o num pincel e escreveu nos pilares: "O Grande Sábio Igual ao Céu esteve aqui." Depois, porque era macaco e os instintos são mais fortes do que a dignidade em certas circunstâncias, fez também o que qualquer macaco faz no pilar central.
E voltou, com a velocidade de quem traz as melhores notícias.
"Saltei para fora da sua mão", anunciou ao Buda com um sorriso triunfante. "Cheguei ao fim do universo. Vi os cinco pilares do cosmos. Escrevi meu nome lá."
O Buda abriu a mão que havia permanecido fechada durante todo esse tempo.
Ali, nos cinco dedos do Buda — nos próprios cinco dedos — estava escrito "O Grande Sábio Igual ao Céu esteve aqui". E no dedo do meio havia um odor que não merecia ser descrito.
Sun Wukong ficou olhando para isso por um longo momento.
Os cinco pilares que havia tomado pelo fim do universo eram os cinco dedos do Buda. Jamais havia saído da palma da mão. Todo o cosmos que ele julgara ter atravessado era apenas o espaço interno de um único gesto de um único ser.
"Você nunca sairá da palma da minha mão", disse o Buda gentilmente. "Não porque eu seja seu inimigo, mas porque você ainda não compreende o tamanho do que não sabe."
Antes que Sun Wukong pudesse reagir, a mão do Buda se fechou e o empurrou para baixo — para baixo através dos céus, para baixo através das nuvens, para baixo em direção à terra. E onde Sun Wukong pousou, a própria terra se ergueu ao redor dele em forma de montanha: o Monte dos Cinco Elementos, cinco picos enormes que o prendiam completamente, com uma tira de papel com os caracteres sagrados de Buda selando a saída.
Sun Wukong tentou levantar. Não conseguiu. Tentou se transformar. As transformações não funcionavam dentro da montanha. Tentou usar o bastão. Não havia espaço para o bastão.
Havia apenas pedra em todos os lados, e o peso de cinco picos sobre ele, e o silêncio imenso de uma prisão que havia sido construída não por mãos, mas por sabedoria.
De sua boca, que ficava livre no lado da montanha, podia chamar por ajuda. Podia comer as pelotas de ferro quente que os guardas celestiais lhe traziam como alimento e beber a água de cobre derretido que lhe davam para beber. Podia ver o céu por uma fresta estreita acima.
E assim Sun Wukong ficou — o Grande Sábio Igual ao Céu, o ser mais poderoso do mundo, preso numa montanha — esperando por algo que ele ainda não sabia que estava esperando.
Esperou quinhentos anos.
Os anos sob a montanha ensinaram Sun Wukong coisas que nenhum treinamento havia ensinado.
Ensinaram a diferença entre esperar e aguardar. Esperar é passivo — é o tempo que passa enquanto você deseja que passe. Aguardar é ativo — é a presença contínua num momento que ainda não chegou, mas cuja chegada é reconhecida como certa.
Wukong havia esperado nos primeiros anos. Lutara contra a pedra, contra o Buda, contra o próprio conceito de imobilidade. Cada dia era uma batalha contra o aprisionamento que era sempre igual em resultado — a montanha permanecia, ele permanecia abaixo.
Mas em algum ponto — ele não conseguia identificar quando exatamente, porque o tempo sob a pedra era diferente do tempo normal — algo mudou. Não resignação, não desistência. Mas o reconhecimento de que alguns problemas não se resolvem pela força, e que a força aplicada repetidamente a um problema que não cede pela força é apenas desgaste.
Começou a aguardar.
Começou a notar as estações com atenção em vez de irritação. A neve que cobria os picos acima tinha padrões que mudavam de ano para ano — às vezes alta e leve, às vezes densa e azul-acinzentada. As flores que brotavam nas fendas das pedras na primavera eram de espécies que ele ia reconhecendo e distinguindo. Os pássaros que aninhavam nas pedras vizinhas tinham rostos individuais que ele aprendeu a distinguir — o macho de bico mais largo que aninhava sempre no mesmo canto, a fêmea de penas ligeiramente mais pálidas que cantava nos amanheceres de céu limpo.
Era um mundo pequeno. Mas era um mundo.
E havia, no centro de tudo isso, uma pergunta que havia ficado com ele desde a conversa com Guanyin antes de ser aprisionado aqui: o que é a jornada que está sendo planejada, e o que ela exigirá de mim que a força e o poder não são suficientes para fornecer?
A resposta não veio em palavras. Veio na forma de quinhentos anos de uma existência que era tudo o que a força não conseguia resolver — e que portanto ensinava o que estava além da força.
Quando o monge chegasse e removesse o lacre, Wukong não seria apenas mais forte ou mais habilidoso do que havia sido antes do aprisionamento. Seria diferente. Mais completo. Com espaço dentro de si para coisas que a vida anterior não havia deixado espaço para.
Não saberia nomeá-las ainda. Mas o espaço estaria lá.
E isso, descobriria, era o começo de tudo o que importava.
A última coisa que o Buda havia dito antes de partir — "quando as condições estiverem maduras" — ficou com Wukong por muito tempo como uma formulação que precisava ser examinada.
"Condições maduras." O que isso significava, exatamente? Havia um processo pelo qual condições amadureciam como frutas amadurecem — pela ação do tempo e da luz e da nutrição adequada? Havia algo que precisava crescer em algum lugar antes que a promessa pudesse ser cumprida?
Wukong não era dado a filosofia abstrata. Mas havia, nas profundezas do período de aprisionamento, muito tempo para considerar perguntas que normalmente eram varridas de lado pela ação constante.
Chegou eventualmente a uma compreensão que era simples quando finalmente articulada: as condições que precisavam amadurecer não eram condições externas — eram internas. Havia algo em Sun Wukong que o mundo precisava que ele se tornasse antes que a missão pudesse começar. E esse algo não podia ser conquistado em batalha nem aprendido em madrugadas de estudo — tinha que ser vivido no tempo longo da espera sem escapatória.
Não sabia o que era, esse algo. Mas havia uma vaga consciência de que estava crescendo — como planta no escuro que não sabe que cresce em direção à luz mas cresce de qualquer forma porque é sua natureza.
Quinhentos anos era tempo suficiente para que muitas coisas crescessem.
E quando o monge chegasse e a pedra se movesse e a luz entrasse — Wukong estaria pronto de maneiras que não conseguiria descrever mas que seriam evidentes para quem soubesse olhar.
A montanha esperava. E o macaco dentro dela esperava também, e a espera havia se tornado, estranhamente, algo próximo de paz.