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Capítulo 68: O Reino de Zhuzi — Tang Sanzang Fala da História e Sun Wukong Pratica Medicina

Os peregrinos chegam ao Reino de Zhuzi, onde o rei está gravemente doente. Sun Wukong arranca o edital de recrutamento de médicos e se prepara para tratar o soberano usando métodos heterodoxos.

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Saíram do beco fedorento e retomaram a estrada do Ocidente. O verão chegou sem avisar — o mar de lótus abria flores nos açudes à beira do caminho, as andorinhas voavam baixo, e o calor suave do sol de tarde convidava à sonolência. Tang Sanzang cavalgava tranquilo, pela primeira vez em semanas sem medo imediato.

Então apareceu, ao longe, uma cidade.

— Discípulos — disse Tang Sanzang, puxando as rédeas — aquilo ali é uma cidade ou apenas uma miragem?

— É uma cidade — disse Sun Wukong, entornando o pescoço para ver. — E há uma bandeira amarela-alva na muralha com caracteres grandes.

— Você consegue ler daqui?

— Claro. Diz Reino de Zhuzi.

Tang Sanzang franziu o cenho para o discípulo:

— Este macaco e seus olhos impossíveis. Ninguém leria a essa distância.

— Pois bem, mestre, vamos até lá e você confere.

E de fato, quando chegaram, era o Reino de Zhuzi — um estado ocidental próspero e movimentado, de ruas largas e mercados barulhentos, arquitetura imponente e trajes elegantes. Tang Sanzang ficou satisfeito:

— Não é diferente do grande mundo da Tang. As pessoas aqui parecem pessoas de verdade.

Mas as pessoas de verdade logo começaram a se aglomerar ao redor dos peregrinos — particularmente ao redor de Zhu Bajie, que escondia o focinho comprido no peito da roupa como ordenado pelo mestre. Alguns garotos atrevidos jogavam pedrinhas e tijolos. Tang Sanzang mandou que todos mantivessem a cabeça baixa e seguissem em frente.

Encontraram no centro da cidade um edifício com o sinal de Hospedaria Real — o equivalente local a um albergue para visitantes oficiais. Dois funcionários estavam na recepção fazendo listas de pessoal e olharam para os quatro peregrinos com espanto.

Tang Sanzang se apresentou:

— Somos monges da Grande Tang, enviados para buscar as escrituras sagradas no Ocidente. Precisamos apenas de uma noite de descanso e, se possível, de ter nosso salvo-conduto carimbado pelo rei.

Os funcionários, após um momento de hesitação, os conduziram a um quarto lateral — não o melhor quarto, mas adequado — e mandaram trazer suprimentos básicos: arroz branco, farinha, legumes, tofu, cogumelos.

Tang Sanzang foi ao encontro do rei. Sun Wukong ficou na hospedaria com os outros dois.

Zhu Bajie resmungou:

— Não temos óleo nem sal nem molho. Como vamos cozinhar?

— Mando você comprar no mercado — disse Sun Wukong.

— Eu? Com este rosto? Vou assustar a metade da cidade.

— Você acaba de passar dois dias enterrado em esterco podre, e agora tem vergonha de ir ao mercado? Vai, porco. Eu te dou o dinheiro.

Zhu Bajie protestou até que Sun Wukong prometeu que também iria. Os dois saíram juntos, causando sensação na rua, Sun Wukong conduzindo Zhu Bajie como uma enfermeira conduz um paciente envergonhado. Passaram por casas de chá e restaurantes — Sun Wukong olhando tudo mas não comprando nada, sempre dizendo mais adiante tem melhor — e Zhu Bajie estava ficando louco de fome e impaciência quando chegaram à praça da torre do tambor.

Ali havia uma multidão. Barulho de vozes, empurra-empurra. Sun Wukong se espremeu pela frente e leu o edital afixado na parede:

Eu, rei do Reino de Zhuzi do Ocidente, estabelecido há gerações em paz e prosperidade, encontro-me há tempo sofrendo de doença grave. Os médicos da corte tentaram todos os seus remédios sem sucesso. Por este edital convoco qualquer sábio, de qualquer nação ou tradição, que possua o dom da medicina. Quem curar minha enfermidade receberá metade do reino. Este edital é verdadeiro.

Sun Wukong releu com cuidado. Então se abaixou, pegou um punhado de terra, jogou para cima com um encantamento e fez soprar um vento repentino que dispersou a multidão. Aproveitando a confusão, dobrou o edital calmamente e o enfiou na roupa de Zhu Bajie antes de correr de volta para a hospedaria.


Zhu Bajie estava cochilando encostado na muralha quando o vento o sacudiu. Abriu um olho, viu que havia perdido Sun Wukong de vista, e foi caminhando de volta à hospedaria. Guardas da torre viram o papel a sobressair da roupa dele e correram para acusá-lo:

— Você arrancou o edital real!

— Eu não arranquei nada! — protestou Zhu Bajie, mas ao olhar para o peito viu o papel. Tentou arrancá-lo.

— Não rasgue isso! É um edital imperial!

Os guardas o seguraram pelos braços. Zhu Bajie ficou firme como uma montanha — dez homens empurrando não o moviam — mas eventualmente cedeu à pressão da autoridade e do bom senso e deixou que o conduzissem, entre protestos ruidosos, de volta à hospedaria.

Na hospedaria, Sun Wukong estava sentado com aparência de total inocência. Sha Wujing estava tentando não sorrir.

— Você me armou uma cilada! — gritou Zhu Bajie.

— Eu? Armei o quê? — disse Sun Wukong. — Deve ter sido o vento.

Antes que a discussão avançasse, os guardas anunciaram que havia eunucos e oficiais de alto escalão à porta, trazendo mensagem do rei.

— Um monge por nome Sun foi apontado como tendo arrancado o edital real. O rei manda chamá-lo para a corte.

Sun Wukong arrumou o manto, recebeu o edital das mãos de Zhu Bajie com toda a compostura, e disse para os eunucos:

— Fui eu mesmo que arranhei o edital. Guiai-me ao rei.

E para Zhu Bajie e Sha Wujing, antes de sair:

— Fiquem aqui. Coletem tudo que me trouxerem como medicamentos.

— Medicamentos? — disse Sha Wujing. — Para quê?

— Para curar um rei. Recebam e armazenem tudo.


Na corte, Tang Sanzang estava sentado com o soberano — um homem de meia idade, magro e amarelado, com olhos fundos e movimentos lentos, como quem carrega peso invisível. Quando Sun Wukong entrou gritando Aqui estou eu! com a sua voz de trovão, o rei deu um salto na cama e quase desmaiou de susto.

— Que coisa é essa? — protestaram os ministros. — Que tipo de médico entra gritando?

— O tipo que vai curar o rei — disse Sun Wukong. — Agora, se continuarem com esse tratamento tímido que vêm dando ao soberano, ele fica doente para sempre. Um rei assustado é um rei que permanecerá doente em espírito e corpo.

Os médicos da corte, ofendidos, exigiram que explicasse seu método.

Sun Wukong recitou os quatro diagnósticos da medicina clássica: observar, ouvir, perguntar, palpar o pulso. Disse que, sem os quatro, nenhum diagnóstico era completo — nem mesmo o de um santo. Os médicos, após um instante de espanto, admitiram que estava correto.

O rei, ainda tremendo, disse que não suportava olhar para a cara de Sun Wukong.

— Então farei o diagnóstico sem ver a cara de Vossa Majestade — disse Sun Wukong. — Tenho fios dourados que diagnosticam à distância.

Os cortesãos nunca tinham ouvido isso. Chamaram de diagnóstico por fio suspenso — eram especialistas em diagnóstico clássico, mas nunca tinham visto tal técnica. Deliberaram brevemente e decidiram permitir.

Sun Wukong arrancou três fios de cabelo da própria cauda, soprou neles e os transformou em três cordas douradas de vinte e quatro palmos de comprimento — vinte e quatro, pelos vinte e quatro períodos do calendário. Um eunuco as levou até o quarto do rei.

Instrução dada: amarrar uma extremidade de cada fio nos três pontos de diagnóstico do pulso esquerdo do rei — cun, guan e chi — e passar as outras extremidades pela janela.

Sun Wukong colocou o polegar direito sob o dedo indicador e sentiu o primeiro fio. Depois o médio. Depois o anelar. Ajustou sua própria respiração. Analisou a qualidade de cada batimento: flutuante, afundante, vagaroso, apressado, cheio, vazio, áspero, escorregadio.

Depois repetiu o procedimento no pulso direito.

Quando terminou, sacudiu os fios e os recolheu. Gritou para dentro da janela:

— Majestade, o pulso esquerdo: o cun está forte e tenso — coração oco e dolorido; o guan está áspero e frouxo — suor frio e paralisia muscular; o chi está vazado e fundo — urina vermelha e fezes com sangue. O pulso direito: o cun está flutuante e deslizante — coagulação interna; o guan está lento e atado — alimentos não digeridos presos há muito tempo; o chi está apressado e sólido — febres alternadas com calafrios. O diagnóstico: duplo pássaro perdido de seu bando. Uma doença de susto e angústia.

Do interior vieram as palavras do rei:

— Exatamente isso. Exatamente.

Os ministros ao lado de Sun Wukong se entreolharam, surpresos.

— Diagnóstico correto — admitiram.

— Que remédio se usa para isso? — perguntou um médico da corte.

— Qualquer remédio que sirva — respondeu Sun Wukong. — Mas precisam de todos os 808 ingredientes, três jin de cada um. Enviem-nos para a hospedaria, onde meus irmãos os guardarão.

O médico da corte protestou que 808 ingredientes eram todos os ingredientes conhecidos pela medicina, que nenhum doente jamais usaria todos ao mesmo tempo —

— Exatamente — disse Sun Wukong. — Assim vocês não saberão qual eu uso de verdade, e não poderão imitar minha fórmula secreta.

Todos os ingredientes foram mandados à hospedaria naquela noite — junto com os instrumentos de preparo. E Tang Sanzang, como garantia do tratamento prometido, foi convidado a pernoitar no palácio.

Tang Sanzang disse a Sun Wukong antes de se despedir:

— Se você errar nisso, eu carrego o peso também.

Mestre — disse Sun Wukong, sorrindo — ou eu curo o rei desta doença, ou na pior hipótese serei acusado de negligência médica e não de homicídio intencional. O que não me mata. Vá descansar.

E Sun Wukong voltou à hospedaria para preparar o remédio mais incomum que o Reino de Zhuzi jamais veria.