Capítulo 65: A Caverna do Músico — o demônio que captura com música
Um demônio músico usa sons específicos que paralisam quem os ouve. Tang Sanzang é capturado pela melodia. Sun Wukong, cujos olhos de ouro funcionam sem precisar de ouvidos abertos, derrota o músico e liberta o mestre.
O som chegou antes de qualquer coisa visível.
Era música — real música, com estrutura e beleza, não o barulho dissonante que demônios costumavam usar como intimidação. Era o tipo de música que faz parar e ouvir.
Sun Wukong disse imediatamente:
"Não ouçam."
Mas Tang Sanzang já havia ouvido.
A melodia específica que o demônio músico havia cultivado durante séculos tinha uma frequência que correspondia exatamente ao padrão de respiração e batimento cardíaco de seres em estado meditativo.
Tang Sanzang, que passava a maior parte do tempo em estado meditativo, era o alvo perfeito.
O monge ficou imóvel na sela do cavalo — vivo, respirando, mas completamente sem capacidade de movimento voluntário.
Zhu Bajie tampou as orelhas com barro da estrada.
Sha Wujing tampou as suas com tecido da mochila.
Sun Wukong não tampou nada — os olhos de ouro processavam mais do que os ouvidos, e a parte da música que causava paralisia era visual na sua magia, não auditiva.
"Eu vejo a frequência," explicou para os outros que não entendiam. "Ela sai da boca do músico como cor. Não preciso fechar os ouvidos se posso ver o que não devo absorver."
O demônio músico havia saído da floresta para verificar sua captura — um ser esguio com dez dedos demasiado longos, cada um com uma unidade táctil diferente, instrumento ambulante.
Sun Wukong foi direto ao músico.
O músico tentou tocar diretamente para ele.
Sun Wukong fechou os olhos — eliminando a percepção visual da frequência — e avançou pelos sons guiado pelo som físico dos passos do músico, não pela música mágica.
O bastão encontrou o instrumento.
O instrumento era o músico — não separado, mas extensão. Quando o bastão encontrou os dedos demasiado longos, a música parou.
O demônio músico ficou sem voz, sem sons, sem frequência.
Ficou apenas um ser esguio e assustado num campo de batalha.
Tang Sanzang voltou ao movimento.
Olhou em volta.
"A música parou."
"Parou."
"Era muito bela."
"Era uma armadilha."
Tang Sanzang ficou pensativo.
"As coisas mais belas às vezes são. Isso torna as outras coisas belas menos belas?"
Sun Wukong pensou.
"Não. Torna necessário prestar atenção."
A armadilha mais perfeita é aquela que parece exatamente o que você estava esperando encontrar. Música, beleza, compaixão — qualquer coisa pode ser usada. O truque não é fechar os sentidos — é saber o que alimenta.
A floresta após o demônio músico ficou em silêncio por um trecho — os animais locais que haviam sido silenciados pela presença do ser retomando gradualmente seus sons naturais.
O som da estrada voltou ao normal.