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Capítulo 6: O Deus Erlang Mostra Suas Verdadeiras Habilidades; O Grande Sábio se Vê em Confronto Final

O deus guerreiro Erlang e suas tropas travam batalha épica com Sun Wukong. Após uma guerra de transformações, Laozi usa seu bracelete e o macaco é finalmente capturado.

Jornada ao Oeste Capítulo 6 Sun Wukong Erlang batalha de transformações captura

O Bodhisattva Guanyin observava a batalha de um pavilhão de nuvens, sentada com aquela serenidade que não era indiferença mas algo mais complexo — a serenidade de quem vê o sofrimento com clareza total e ainda assim não perde a calma necessária para agir com sabedoria. Ao seu lado, o Patriarca Taishang Laozi esfregava sua barba branca com uma preocupação que era mais técnica do que emocional — a preocupação do especialista que observa um problema e calcula soluções.

"Os exércitos regulares não são suficientes," disse Guanyin com aquela economia de palavras que caracterizava seus julgamentos. Dez divisões celestiais haviam descido ao Monte das Flores e Frutos e o resultado havia sido uma derrota humilhante — generais renomados recuando em desordem, soldados dispersos nas florestas da montanha como folhas num vendaval. Sun Wukong havia lutado sozinho contra todos eles com uma alegria que adicionava insulto ao dano.

"Conheço alguém," disse Laozi. "Erlang Shen. O Deus dos Três Olhos, sobrinho do Imperador."

Erlang Shen vivia com certa ostentação de independência — havia construído seu próprio templo na Montanha Guanjiang, treinava seus próprios exércitos, conduzia suas próprias expedições contra as criaturas das trevas que infestavam os domínios sob sua jurisdição. Era o tipo de divindade que participava dos assuntos do Palácio Celestial quando lhe convinha e se recusava com elegante clareza quando não lhe convinha, o que era uma posição que poucos podiam sustentar mas que Erlang sustentava com uma competência que tornava a recusa defensável.

Era orgulhoso e independente. Era extraordinariamente habilidoso nas artes da guerra, da transformação e do combate de alto nível. E havia entre ele e Sun Wukong uma simetria que Laozi havia identificado: eram os dois guerreiros mais capazes do cosmos, cada um à sua maneira, e o embate entre eles seria determinante de formas que os exércitos não conseguiriam ser.

Um mensageiro foi enviado ao templo. Erlang não ficou entusiasmado com a convocação — era do tipo que preferia encontrar seus próprios problemas a resolver os dos outros — mas a gravidade da situação era suficientemente evidente para tornar a participação difícil de recusar com dignidade. Desceu ao Monte das Flores e Frutos com seus seis irmãos juramentados, seus Cento e Oitenta e Dois Espadachins do Templo, e seu cachorro de caça divino — um animal que havia vencido em batalha seres dez vezes seu tamanho e cujos dentes eram de um tipo de material que não existia no mundo mortal.


Quando Erlang Shen chegou ao campo de batalha e chamou Sun Wukong para o confronto, os dois guerreiros se avaliaram mutuamente com o olhar específico de especialista que reconhece outro especialista — uma avaliação rápida, total, sem os preliminares sociais que guerreiros menores usam para ganhar tempo.

Erlang tinha três olhos: os dois normais de uma beleza fria e calculista, e um terceiro na testa que ficava fechado quando não estava em uso e que, quando aberto, via através de todas as ilusões conhecidas. Carregava uma lança de três pontas e um gancho de oito anéis, cada peça forjada nos tesouros celestiais com propósitos específicos. Era alto como um pinheiro jovem — não tão alto quanto o aspecto terrorizante que Wukong às vezes usava, mas de uma proporção que tornava evidente que cada centímetro era funcional.

Wukong o avaliou com aqueles olhos de alperce que viam mais do que a maioria dos seres supunha, e o que viu não foi um alvo fácil. Era o primeiro ser que encontrava desde a saída do forno de Laozi que instilava nele não medo — mas respeito técnico.

"Grande Sábio Sun Wukong," disse Erlang com a formalidade fria do guerreiro que está prestes a começar um trabalho sério, "rendeis-vos e sois escoltado ao Palácio, ou combatemos?"

"Combatemos," disse Wukong com o prazer genuíno de alguém a quem foi finalmente oferecida a opção interessante.


O combate começou com a explosão característica de dois seres de poder real chocando-se sem preencher, cada um testando o outro nos primeiros instantes antes de comprometer-se completamente. Lança contra bastão, velocidade contra velocidade, o choque de cada golpe enviando ondas de energia que faziam as árvores da montanha vergar.

Mas o que distinguia essa batalha de todas as anteriores de Wukong era que Erlang não apenas lutava em forma fixa — era também um mestre das transformações, e quando o combate direto chegou a um impasse depois de alguns minutos de trocas furiosas, ele mudou para um plano diferente.

O combate virou uma guerra de transformações — dois mestres da arte de mudar de forma, cada um tentando superar o outro num jogo de complexidade crescente que era ao mesmo tempo batalha e demonstração de virtuosismo técnico que nenhum dos exércitos ao redor era capaz de apreciar completamente.

Wukong virou um gavião de olhos vermelhos, cortando o ar em mergulhos rápidos. Erlang virou um abutre de maior envergadura que caçava o gavião com a calma de quem tem vantagem de tamanho e paciência.

Wukong mergulhou nas águas de um riacho e se tornou um peixe dourado de escamas que brilhavam como moedas. Erlang transformou-se numa garça pescadora e caminhou na margem com aquela atenção imóvel que as garças têm, esperando o peixe cometer um erro.

Wukong emergiu como uma cobra enrolada numa pedra quente. Erlang virou uma cegonha com bico de ferro que era precisamente do tipo certo para lidar com cobras.

Cada transformação de um era imediatamente correspondida pela transformação do outro — mais rápida, mais adaptada, mais precisamente antagônica. Era uma conversa em linguagem de formas que só os dois podiam ter completamente, os exércitos ao redor assistindo como público a um espetáculo que os excedia.

A velocidade foi aumentando. Formas mais raras e mais difíceis, transformações que requeriam controle total e precisão absoluta. Wukong tentou um templo de campo — uma pequena construção de madeira com telhado de palha que parecia completamente inofensiva, encostada a uma pedra próxima à estrada. Era uma transformação que havia funcionado para enganar demônios e espíritos menos sofisticados por anos.

Erlang parou.

O terceiro olho abriu-se — uma luz que não tinha a qualidade de nenhuma fonte de luz natural, uma luz que via através de matéria e através de ilusão como se fossem névoa.

"Um templo," disse Erlang com aquela calma de quem encontrou o que estava procurando. Caminhou ao redor da estrutura. "Janelas como olhos. Portão como boca. Mas um poste de bandeira atrás." Inclinou a cabeça. "Nenhum templo tem o rabo do lado de fora."

E atacou o poste.

Wukong teve que sair — explodir para fora da forma de templo em sua forma verdadeira — e a sequência de vantagem e perseguição foi reestabelecida.


Neste momento, no pavilhão de nuvens, Laozi observou a abertura que havia estado esperando.

Retirou da manga de sua veste um objeto que não era imponente de se ver — um bracelete simples, circular, da cor do pó de pedra, sem ornamentos visíveis. Era o Diamante do Vácuo: um artefato que havia sido forjado ao longo de milênios de alquimia não para batalha direta mas para o tipo de intervenção que batalhas diretas não conseguiam produzir. Era pesado com o peso de toda a alquimia que havia entrado em sua criação — não pesado para as mãos, mas pesado como a verdade.

Laozi calculou o ângulo. Jogou.

O bracelete caiu do céu com a precisão de quem tem experiência infinita em calcular trajetórias a partir das alturas. Acertou Sun Wukong diretamente na cabeça — não com violência suficiente para ferir gravemente, mas com impacto suficiente para desequilibrá-lo por um momento decisivo.

O cachorro de caça de Erlang havia estado aguardando precisamente esse momento. Saltou com a velocidade que era sua especialidade e prendeu a perna de Wukong entre seus dentes de ferro enquanto o macaco ainda estava recuperando o equilíbrio.

Sun Wukong caiu.

Os exércitos celestiais o cercaram antes que pudesse se levantar — correntes de ferro divinas em seus pulsos e tornozelos, um gancho de ouro atravessando seu collarbone que cortava a comunicação entre sua mente e seus poderes de transformação, soldados em número suficiente para tornar qualquer tentativa de luta imediata impraticável.

Era a primeira vez na vida de Sun Wukong que estava completamente derrotado. Não por superação de força — mas por timing, por coordenação, por um bracelete que havia caído do céu no momento exato.

Estava acorrentado. E o caminho que levava ao Palácio Celestial e ao julgamento se estendia à frente como o horizonte de uma estrada que ele não havia escolhido.


No Palácio Celestial, o julgamento foi breve porque a evidência era abundante e sem ambiguidade. A lista de crimes era longa e específica: roubo do Bastão de Ouro e das armaduras no Palácio do Rei Dragão, invasão ilegítima dos registros do submundo, abandono de cargo oficial, saque do jardim dos pêssegos sagrados, pilhagem do banquete preparado para a Rainha-Mãe, roubo dos elixires pessoais de Laozi, resistência armada com danos às forças imperiais.

A sentença foi execução.

O problema que surgiu foi praticamente sem precedente nos registros do Palácio Celestial: a sentença não podia ser executada.

Os métodos usuais de execução divina foram tentados em sequência. Foram rodeadas chamas ao redor de Wukong e ateadas ao máximo. Wukong olhou para o fogo com interesse técnico e disse: "Quente." Mas não se queimou.

Espadas celestiais foram brandidas em ângulos que deveriam separar o corpo com precisão cirúrgica. As lâminas ricochetearam como se Wukong fosse feito de metal mais duro.

Trovões do arsenal celestial. Raios da coleção particular dos generais mais poderosos. Nada.

O problema com ingerir todo o elixir de imortalidade de Laozi — mais os pêssegos da imortalidade de nove mil anos e os de seis mil anos em quantidades consideráveis — era que tornava o consumidor extraordinariamente difícil de matar. O corpo de Wukong havia sido forjado e reforçado por uma combinação de ingredientes que mesmo os especialistas celestiais achavam difícil de avaliar completamente.

Foi então que Laozi sugeriu, com a calma de alguém que chegou à solução depois de eliminar todas as alternativas: "O Forno de Oito Trigramas. O fogo dos oito trigramas é de natureza diferente de qualquer outro fogo — não é apenas calor mas transformação alquímica. Pode ser que onde o fogo comum falha, o fogo alquímico consiga."

O Forno de Oito Trigramas de Laozi era o maior artefato alquímico existente — um caldeirão de dimensões que não podiam ser medidas em termos lineares, alimentado pelo fogo que havia fornecido calor aos processos de criação do cosmos. Era o tipo de objeto que fazia até os generais celestiais mais endurecidos se posicionarem a distância respeitosa quando estava em pleno funcionamento.

Wukong foi atirado dentro. O forno foi fechado com os selos dos oito trigramas.

E quarenta e nove dias se passaram.


Quarenta e nove dias no interior do Forno de Oito Trigramas eram, para um ser mortal, um conceito sem sentido. Para Sun Wukong — que havia passado quinhentos anos sob uma montanha como experiência de aprendizado — eram quarenta e nove dias que o fogo alquímico passava processando tudo o que havia entrado em sua composição ao longo de sua extraordinária existência.

O elixir, os pêssegos, os anos de treinamento com Subhuti, a natureza original nascida da pedra — tudo foi submetido a um processo de refinamento que ia além da intenção de Laozi de destruição.

Quando Laozi abriu o forno ao fim dos quadragésimo nono dia, esperando encontrar cinzas ou nada, o que encontrou foi Sun Wukong.

De pé. Vivo. Esfregando os olhos com os punhos — olhos que agora tinham uma cor diferente: róseos como alperce maduro, com uma luminosidade que não havia lá antes, capazes de distinguir o verdadeiro do falso mesmo através de ilusões elaboradas. O fogo havia refinado não apenas seu corpo mas sua visão.

Saltou para fora com a agilidade que era sua, fez um giro no ar que claramente dava prazer a si mesmo, convocou o Bastão de Ouro que havia esperado fielmente atrás de sua orelha durante todo o processo, e brandiu-o numa volta completa que fez os assistentes de Laozi recuarem três passos como por instinto.

"Que bom sono!" disse Wukong com o sorriso de alguém que acordou completamente descansado.

O caos que se seguiu foi de uma escala que a história do Palácio Celestial não havia registrado antes. Wukong avançou pelos salões e pátios com uma ferocidade que havia sido temperada, literalmente, pelo fogo dos oito trigramas. Os exércitos que vieram deter ele — todos os que estavam disponíveis — foram varridos. Generais que havia derrotado antes foram derrotados mais rápido. Os novos olhos de alperce viam através de todos os feitiços de ilusão e confusão que os defensores do palácio tentaram usar.

O Imperador de Jade, observando do seu trono com aquela calma imperial que estava começando a parecer mais teimosa do que serena, convocou o último recurso disponível: um mensageiro urgente em direção ao Monte Espírito Cinza, ao Grande Templo do Trovão, onde o Buda Tathagata habitava em meditação que não era separada da ação mas a continha completamente.

"Grande Buda," disse o mensageiro, prostrado a trezentos li de distância do templo para não interromper a meditação mais do que o necessário, "o Palácio Celestial implora por vossa intervenção. Um macaco nascido de pedra está destruindo tudo. Nenhuma força disponível pode detê-lo."

O Buda Tathagata não respondeu imediatamente. Quando respondeu, foi com aquela voz que soava como silêncio que havia aprendido a falar: "Irei pessoalmente."

E assim, da direção do oeste, um ser de presença que precedeu sua chegada por horas — uma tranquilidade que se espalhava pelo firmamento como luz antes do amanhecer — começou sua aproximação ao Palácio Celestial.

O destino de Sun Wukong estava prestes a encontrar o único ser no universo que poderia mudar sua trajetória — não pela força, mas por algo de que Sun Wukong nunca havia ouvido falar mas que estava prestes a aprender, de forma inesquecível, que existia.