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Capítulo 58: Os Dois Macacos Lutam Sem Fim — A Verdade é Revelada pelo Buda Tathagata

O verdadeiro Sun Wukong e seu duplo misterioso chegam ao Grande Templo do Trovão, onde Buda revela que o impostor é o Macaco das Seis Orelhas — um ser de igual poder que deve ser destruído.

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Os dois Wukongs voaram lado a lado pela rota mais longa do universo — da terra ao céu ao mar ao céu novamente — e nenhum dos dois cedeu nem um único palmo de espaço ao outro.

Era como uma dança de combate em câmera lenta entre dois bailarinos que conhecem cada passo um do outro com perfeição assustadora. Quando um acelerava, o outro acelerava na mesma medida. Quando um mudava de direção, o outro já estava na nova direção antes que o movimento fosse completado. Havia nisso algo que ia além da habilidade marcial — havia uma sincronização que pertencia à ordem das coisas impossíveis, o tipo de simetria que a natureza reserva para objetos idênticos submetidos às mesmas forças.

No Palácio de Jade, o Espelho Celestial revelou duas imagens idênticas. Os guardas que o carregaram trocaram olhares de perturbação contida. O Rei Guangmu, que havia visto criaturas extraordinárias durante eras de serviço, olhou de um para o outro e depois para o Espelho de volta, como se esperasse que uma segunda consulta produzisse resultado diferente.

Não produziu.

— O Espelho não mente — disse ele, com o tom de quem está declarando algo verdadeiro mas não necessariamente útil. — Ele simplesmente vê o que é.

— E o que é? — disse um dos Wukongscom voz que era indistinguível da do outro.

— Dois seres de composição idêntica — disse o Rei, com visível desconforto. — Não tenho autoridade para determinar qual é o original.

No fundo do oceano, o Rei Dragão Ao Guang recebeu os dois com a cortesia cautelosa de um soberano que reconhece poder em visitas e prefere não escolher lados. Mandou buscar os registros antigos de Sun Wukong — as medições do bastão, os registros do pedido de remoção do nome do livro da morte, os documentos da Revolução Celeste. Comparou os dois com cada registro disponível. Os resultados foram perfeitamente equivalentes em cada ponto de dados.

— Não posso — disse o Rei Dragão, com a honestidade de quem prefere admitir limitação a inventar certeza — determinar qual dos dois é o Sun Wukong que eu conheço. São idênticos nos aspectos que posso medir.

No Tribunal dos Mortos, o Rei Yanluo mandou buscar o grande Livro da Vida e da Morte com a urgência de quem confia que o registro resolverá o que os olhos não conseguem. O Juiz responsável pelos registros abriu o volume no capítulo de Sun Wukong e leu em voz alta: um único registro, a entrada de um único ser, com uma nota ao lado que dizia que aquele nome havia sido riscado da lista de mortes por solicitação do próprio durante a Grande Rebelião, no período do Imperador Taizong.

Apenas um registro. Dois seres diante do livro.

— A impraticabilidade desta situação está além dos meus instrumentos — disse o Rei Yanluo, e havia na sua voz a frustração de um administrador cuidadoso confrontado com um problema que se nega a caber nas categorias existentes.

— Inúteis — disseram os dois Wukongsem uníssono.

Foram ao Monte Potalaka, onde Guanyin os recebeu com a impassibilidade de quem está observando algo que sabia que aconteceria. Havia, naquela impassibilidade, não frieza mas a qualidade de alguém que guarda a calma especificamente porque sabe que qualquer um dos outros presentes pode perder a sua.

— Há coisas que estão além do meu poder de discernir — disse ela, simplesmente. — Vão ao Buda. Apenas Tathagata pode ver através desta situação.

Os dois Wukongspearam para a Montanha dos Abutres com a urgência combinada de dois seres que querem, cada um, que o outro seja exposto como falso o mais rapidamente possível.

A Montanha dos Abutres tinha aquela presença específica que os picos sagrados têm — não assustadora nem imponente no sentido físico, mas carregada de uma qualidade de atenção, como se a montanha em si observasse quem se aproximava e registrasse o que via. O Grande Templo do Trovão brilhava sob uma luz que não vinha de nenhum sol físico mas de alguma fonte mais fundamental, e os Dezoito Guardiões os receberam na entrada com a visível dificuldade de quem foi treinado para situações extraordinárias mas nunca para esta situação específica.

— Quantos Sun Wukongs... — começou um dos Guardiões, em voz baixa, para o colega ao lado.

— Dois — respondeu o segundo, também em voz baixa. — Aparentemente.

— Isso é possível?

— Aparentemente também.

Os dois entraram juntos no templo, lado a lado, com a sincronização que havia marcado toda a jornada rumo a este momento. O interior do templo tinha aquela quietude que não é ausência de som mas presença de algo que torna o som irrelevante. Os Arhats nas suas fileiras olharam para baixo com expressões que variavam entre a equanimidade treinada e o desconcerto involuntário.

E se prostraram diante do Buda Tathagata com a sincronização perfeita de seres que são idênticos em cada impulso físico.

O Buda olhou para eles por um momento que pareceu existir fora da sequência normal do tempo — não longo nem curto, mas completo.

— Eu sei qual de vocês é o real — disse ele, com a mesma calma com que teria dito qualquer outra coisa. — E sei o que o falso é.

O silêncio que caiu sobre o templo era do tipo que faz os presentes reter a respiração sem perceber que o estão fazendo.

— O ser que está fingindo ser Sun Wukong chama-se Macaco das Seis Orelhas. — O Buda falava com a precisão de quem nomeia o que já conhece há tempo. — É um ser de poder e capacidade iguais aos de Sun Wukong, mas de natureza diferente. Surgiu das fundações do universo como eco de uma possibilidade — a possibilidade de um ser que poderia ter sido Wukong mas não foi, que carrega em si cada aspecto físico e cada capacidade técnica do original sem carregar a história que tornou o original no que é. Pode imitar qualquer forma, qualquer voz, qualquer memória. O Espelho Celestial não pode distingui-lo porque ele genuinamente corresponde ao que Sun Wukong é em termos de substância mensurável. Mas não é Sun Wukong.

Um dos dois fez um passo à frente.

— Como se sabe quem é quem? — perguntou com uma voz que poderia ser de qualquer um deles.

— Porque você fez a pergunta — disse o Buda. — O verdadeiro Sun Wukong sempre pergunta. O eco imita, mas a fonte do impulso de perguntar é diferente nos dois — num é genuíno, no outro é apenas a imitação de um padrão sem o movimento interior que o origina.

O outro, que havia ficado imóvel durante esta explicação, deu um passo à frente também.

— Isso é mentira — disse ele, com a voz exata de Wukong, com aquela inflexão específica de desafio que era a inflexão habitual de Wukong quando confrontado com uma autoridade que não queria aceitar.

E era aqui que a distinção ficava visível para quem sabia o que procurar: Wukong desafiava o poder quando havia um argumento para desafiar. O eco desafiava porque desafiar era o padrão, sem o argumento por baixo.

— O que fazer com ele? — disse o verdadeiro Wukong.

— Destruí-lo — disse o Buda, com a tranquilidade de quem não encontra prazer nem relutância na necessidade. — Um eco sem original é uma perturbação na ordem das coisas — não porque seja malicioso por escolha, mas porque um ser cuja única função é negar a identidade de outro não pode coexistir com esse outro indefinidamente sem causar dano.

O Macaco das Seis Orelhas, ouvindo isto, abandonou a forma de Wukong — não inteiramente, porque a forma havia se tornado parte dele ao longo de semanas de uso, mas suficientemente para revelar nos olhos algo que os olhos de Wukong nunca tinham: o vazio específico de quem existe como reflexo sem ter nada próprio por baixo.

E atacou.

A batalha nos ares sobre a Montanha dos Abutres foi a mais intensa de todas as batalhas daquele arco impossível — dois seres idênticos em força e técnica, mas um carregando o peso específico de tudo que havia acontecido: os quinhentos anos sob a montanha, o despertar em serviço, cada demônio encontrado, cada erro cometido, cada redenção parcial conquistada a custo. O eco não carregava nada disso. Era força pura e vazia, como uma lâmina sem a memória das coisas que havia cortado.

E quando o Bastão de Ouro do verdadeiro Wukong finalmente encontrou a cabeça do falso com toda a força de treze mil quilos de comprometimento com uma jornada que não era apenas obrigação mas havia se tornado, ao longo do caminho, algo que se parecia com escolha — o Macaco das Seis Orelhas caiu.

E não se levantou.

Wukong ficou de pé sobre o adversário caído. Esperou. Quando ficou claro que não havia recuperação, baixou o bastão muito devagar, como quem coloca no chão um objeto que carregou por muito tempo.

Os monges do templo olhavam de longe com uma mistura de admiração e alívio. O Buda apareceu na varanda do templo com a serenidade inalterada de quem viu o resultado que esperava.

— Está resolvido — disse ele.

— Está — disse Wukong. E depois, com mais gentileza do que o tom habitual, com uma voz que tinha nela algo que era talvez gratidão e era talvez simplesmente exaustão de uma qualidade que se parece com gratidão: — Obrigado.

— Vá ao seu mestre. Ele precisa de você.

Wukong não precisou ser dito duas vezes.

Voou pela rota direta de volta à estrada do oeste, e quando aterrizou na frente de Tang Sanzang a poeira que levantou no chão seco do caminho foi o único som. O mestre ficou de pé com as mãos unidas, e havia naquele gesto tanto pedido de desculpas quanto boas-vindas — aquela forma que o corpo encontra de dizer o que as palavras estão tentando organizar.

— Wukong — disse Tang Sanzang.

Mestre — disse Wukong.

Não havia mais nada que precisasse ser dito imediatamente. As palavras virariam mais tarde, na caminhada, quando o ritmo dos passos tornasse mais fácil falar de coisas difíceis. Por agora, o retorno era suficiente.

Wukong foi ao seu lugar habitual na frente da procissão, o bastão no ombro, o olhar varrendo o horizonte com aquela vigilância que nunca descansa completamente. Bajie, com a diplomacia única de quem prefere fingir que nada aconteceu e está genuinamente convicto de que isso funciona, disse apenas:

— Bom. Então podemos comer alguma coisa?

Sha Wujing sorriu para ninguém em particular.

E a jornada continuou para oeste, sobre o caminho que era sempre o mesmo caminho e sempre diferente, como são todos os caminhos que importam.