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Capítulo 56: O Espírito Furioso Mata Bandidos — O Caminho se Perde e o Macaco é Expulso

Sun Wukong mata bandidos que atacam os peregrinos, mas Tang Sanzang, indignado com a violência, recita o encantamento da faixa e expulsa Wukong da expedição pela segunda vez.

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Havia flores vermelhas na beira do caminho e um canto de cigarras nos pinheiros quando os quatro peregrinos desceram da montanha rumo ao oeste. Era o começo do verão, e o calor chegava em ondas suaves que cheiravam a terra quente e erva-doce. Os pinheiros lançavam sombras longas sobre o caminho de pedra, e havia naquele trecho uma tranquilidade que parecia um presente feito a mão — o tipo de quietude que a estrada raramente oferecia e que por isso mesmo era recebida com suspeita involuntária pelos que haviam caminhado longa o suficiente para saber o que ela precede.

Tang Sanzang estava de bom humor, o que acontecia raramente o suficiente para ser notado.

— Discípulo — disse ele para Sun Wukong, que caminhava à frente com o bastão pousado no ombro e os olhos dourados varrendo o horizonte entre as árvores —, esta estrada parece pacífica.

— Toda estrada parece pacífica no começo — respondeu Wukong, mas disse isso com um tom de filosofia resignada em vez de aviso sombrio, o que era um progresso.

O sol começou a baixar, e com ele a fome do grupo fez-se sentir. Bajie começou a reclamar que a distância entre eles e a última refeição estava aumentando a um ritmo que seu estômago não aprovava. Comentou sobre isso uma vez, com moderação. Depois comentou de novo, com mais ênfase. A terceira vez foi uma descrição vívida dos sofrimentos físicos decorrentes do jejum prolongado que Sha Wujing ouviu com a expressão de quem está acostumado mas nunca inteiramente imune.

Wukong agitou o bastão no ar para fazer o cavalo correr mais rápido na direção de onde havia fumaça de fogões, e o cavalo disparou em frente, deixando os outros para trás com aquela aceleração súbita que os cavalos fazem quando percebem que nenhum dos seus guias imediatos está segurando as rédeas.

Tang Sanzang mal segurava as rédeas quando o caminho foi bloqueado.

O barulho veio primeiro — gongos batidos irregularmente, vozes altas, o som de passos que saem dos dois lados ao mesmo tempo. Depois a visão: uma fileira de homens armados que saíram dos arbustos e das pedras, trinta ou mais, com lanças, facões, bordunas e a expressão de quem tem feito isso com sucesso suficiente para ter confiança. O líder era um homem de rosto verde-escuro e dentes como serras, com uma cabeleira emaranhada presa por uma corda vermelha e os braços tatuados de dragões que o tempo havia tornado azul-esverdeados como hematomas velhos.

— Ei, monge! — gritou o líder. — Deixe tudo que carrega ou deixe a vida.

Tang Sanzang, que havia sido assaltado antes e havia aprendido a manter a voz firme nessas situações, disse com toda a compostura que um homem consegue reunir quando está sozinho num cavalo branco diante de trinta homens armados:

— Somos peregrinos sem bens de valor. Carregamos apenas os documentos de nossa jornada sagrada e comida suficiente para o próximo dia.

O líder avançou um passo com o facão levantado — e Sun Wukong chegou.

Havia chegado correndo pelo caminho de cima, e havia na sua chegada aquela qualidade que a chegada de Wukong sempre tinha: não o movimento gradual de alguém que se aproxima mas a aparição súbita de quem já estava mais perto do que parecia possível. Avaliou a situação num segundo — trinta e tantos homens, o mestre sozinho no cavalo, Bajie e Sha Wujing ainda atrás na curva.

— Vocês têm sorte — disse Wukong, com a calma específica de quem não precisa levantar a voz para ser ouvido. — Parem agora e deixem-nos passar, e este encontro será esquecido pelos dois lados até o pôr do sol.

O líder olhou para o macaco de cabeça raspada e bastão de ouro com a avaliação de quem mede oponentes pela estatura, e errou o cálculo.

A batalha foi breve e desequilibrada. Wukong não era cruel — era eficiente com a crueldade precisa de quem protege algo mais importante do que seu próprio conforto. Dois homens caíram antes que os outros pudessem reorganizar o ataque. Os demais recuaram, depois fugiram, e o líder foi o último a ir, com a expressão de alguém que está revisando suas escolhas de carreira enquanto corre.

Tang Sanzang desceu do cavalo e ficou de pé entre os caídos.

O silêncio que se seguiu tinha uma qualidade particular — não o silêncio da paz mas o silêncio posterior à violência, que é diferente: mais pesado, com cheiro de metal e pó.

— Discípulo — disse Tang Sanzang, com a voz baixa e perigosamente quieta de quem está contendo algo maior do que as palavras disponíveis. — Você matou.

— Protegi — disse Wukong.

— Você tirou vidas humanas.

— Eles teriam tirado a sua.

— Não sabemos isso.

Mestre, eu sei isso. — Wukong ficou de pé diante do monge com os olhos diretos e sem arrependimento visível, o que era o pior argumento possível naquela situação, mesmo sendo o argumento verdadeiro. — Havia trinta homens com armas e intenção clara. Não há outra interpretação possível para aquela formação naquele caminho.

Tang Sanzang fechou os olhos. Quando os abriu, havia neles algo que ia além da raiva — havia a fadiga de alguém que carrega uma contradição por milhas e milhas e às vezes simplesmente não consegue mais.

— Você é meu discípulo, mas você mata. Você protege mas deixa corpos no caminho. Como posso levar ao Grande Templo do Trovão um homem cujas mãos nunca estão limpas?

— Elas nunca estarão completamente limpas nesta jornada — disse Wukong, e havia na voz algo que poderia ser frustração mas que era mais próximo de tristeza. — O caminho para o oeste passa por demônios e bandidos e todo tipo de coisa que não se dobra diante de preces e sutras. Você precisa de mim, Mestre.

— O que eu preciso — disse Tang Sanzang, com uma firmeza que endureceu cada sílaba — é de um discípulo que reconheça que vidas humanas têm peso diferente das vidas de demônios.

Os dois ficaram olhando um para o outro com a acumulação de meses de caminhada entre eles — de resgates e erros e gratidão e incompreensão mútua, daquela relação específica entre mestre e discípulo que é ao mesmo tempo sagrada e profundamente impaciente.

Bajie e Sha Wujing chegaram e avaliaram a cena em silêncio, com a sabedoria de quem reconhece o tipo de tensão que não melhora com contribuições voluntárias.

E Tang Sanzang, lentamente, levantou as duas mãos e começou a recitar.

As palavras chegaram como sempre chegavam — baixas, rítmicas, com aquela cadência específica que não era a cadência de um sutra comum mas de algo feito para encontrar metal e apertar. Wukong reconheceu as primeiras sílabas antes de sentir qualquer coisa física, e aquele intervalo entre reconhecimento e dor foi o mais longo.

Então a faixa na cabeça apertou.

Apertou de novo.

Wukong caiu de joelhos no caminho de pedra, com as mãos na cabeça, e o som que saiu dele não era humano mas também não era completamente animal — era o som de algo poderoso sendo forçado a lembrar seus limites. Pediu ao mestre que parasse. Pediu de novo. Prometeu coisas. Tang Sanzang continuou por mais vinte repetições do encantamento, cada uma afundando a faixa mais fundo na carne da cabeça raspada, cada uma um lembrete de quem tinha a última palavra naquele acordo entre mestre e discípulo.

Quando parou, Wukong ficou curvado no chão por um momento.

— Vá — disse Tang Sanzang. — Não volte.

Mestre

— Desta vez é definitivo. — A voz tinha a textura de pedra molhada: fria, lisa, intransigente. — Cada vez que fico com você, acabo carregando o peso de mortes que não necessitavam ser. Vá.

Wukong se levantou devagar, com a postura de alguém que está carregando algo invisible e muito pesado. Olhou para Bajie, que desviou os olhos. Olhou para Sha Wujing, que olhou de volta com uma expressão que era a expressão de quem não tem autoridade para interferir mas se importa com o que está vendo. Olhou para o mestre uma última vez — aquele rosto fechado, aquela veste de seda surrada, aquela testa curvada em determinação.

E partiu.

Não para o Monte das Flores e Frutos. Não imediatamente. Primeiro voou sem destino claro, deixando que a nuvem de ouro o carregasse pela altura que fica entre a terra e o céu — aquele espaço intermediário onde nada é exigido e nada é oferecido, apenas o vento e a extensão do mundo lá embaixo. Voou sobre florestas que nomeava mentalmente pelo tipo de árvore, sobre rios que reconhecia pela cor da água, sobre vilas onde a vida humana continuava com a indiferença confortável de quem não sabe que há um macaco de olhos dourados passando sobre suas cabeças a quinhentos pés de altura.

Não havia, descobriu ele, um lugar evidente para onde ir quando se foi expulso da única missão que fazia a jornada fazer sentido.

Abaixo, Tang Sanzang retomou o cavalo com os três braços — Bajie, Sha Wujing, e o animal branco que nunca tinha opiniões sobre quem o montava. Avançaram rumo ao oeste. Mas havia na marcha do grupo uma qualidade diferente agora — mais lenta, não pelos passos mas pelo ar ao redor. O espaço que Wukong sempre ocupia à frente estava vazio, e o vazio tinha peso próprio. Bajie não fez piadas. Sha Wujing ficou mais próximo do mestre do que de costume.

Tang Sanzang rezou enquanto andava, o rosário passando pelos dedos com o ritmo de quem precisa da contagem para manter o pensamento ancorado.

À tarde, quando o caminho se estreitou entre dois afloramentos de pedra cinzenta, Tang Sanzang mandou Bajie à frente buscar água de um riacho que cheirava no ar. Mandou Sha Wujing também, porque a sede era grande e uma vasilha sozinha não seria suficiente.

E ficou sozinho no caminho estreito com o cavalo branco que mascava palha imaginária com paciência imperturbável.

O fazendeiro que chegou era velho, de espinha torta e olhos que haviam visto décadas suficientes para conhecer o aspecto de um viajante em dificuldade. Convidou Tang Sanzang para descansar em sua casa, que ficava na encosta da colina ali em cima, a poucos minutos a pé. O monge aceitou — havia na oferta a qualidade dos gestos simples que o mundo às vezes oferece quando o peso fica alto demais.

Na casa, havia chá e pão seco e uma lareira onde um fogo pequeno queimava sem motivo prático além do hábito. O velho falou sobre o filho que havia fugido anos atrás para viver de roubos nas estradas — um filho que havia escolhido aquela vida apesar de tudo, e cuja ausência o velho carregava com a expressão de alguém que aprendeu a não tentar resolver o que não tem solução.

Tang Sanzang ouviu sem interromper. Havia no relato do velho algo que ressoava em algo que não queria nomear.

— Às vezes — disse o velho, com a voz direta dos muito idosos que já não precisam ser diplomáticos — os filhos que nos causam mais problema são os que mais nos fazem falta quando vão.

Tang Sanzang não respondeu. Mas as mãos apertaram o rosário com uma força que não era oração.

Bajie voltou depois, molhado dos joelhos para baixo e com duas vasilhas cheias. Sha Wujing voltou logo atrás. Encontraram o mestre na casa do velho, bebendo chá com a expressão de alguém que foi tocado por algo que preferia não admitir.

Partiram quando o sol começava a descer.

A estrada para o oeste tinha aquela qualidade específica do final do dia: a luz dourada-avermelhada que torna cada sombra mais longa e cada silêncio mais eloquente. Os três peregrinos avançavam sem falar muito, e o cavalo branco caminhava com aquela dignidade equina que nunca muda com o clima emocional dos que o guiam.

Nenhum dos três disse o nome de Wukong.

Mas estava ali, no vazio diante deles, tão presente quanto se estivesse caminhando.