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Capítulo 55: O Demônio Libidinoso Tenta Tang Sanzang — A Natureza Pura Permanece Imaculada

Tang Sanzang é capturado por um demônio escorpião feminino que tenta seduzi-lo. Sun Wukong e Zhu Bajie descobrem que a criatura é invencível e buscam ajuda do Oficial Estelar Mão da Manhã.

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O vento baixou e Tang Sanzang havia sumido.

Sun Wukong saltou aos ares imediatamente, os olhos varrendo o horizonte como dois faróis. Uma coluna de poeira marrom rolava para o noroeste, e era para lá que ia.

Bajie, Sha Wujing — gritou ele, descendo em picada —, peguem o cavalo e as bagagens e me sigam!

Voaram pelos ares em direção à poeira. Sob eles, a rainha e seu cortejo de mulheres olhavam para o céu com expressões que misturavam perplexidade e uma certa satisfação complicada com o sequestro do homem que havia acabado de rejeitar a proposta de casamento.

A pista de poeira levou-os a uma montanha coberta de névoa escura, com um nome gravado numa pedra negra na entrada: Monte do Inimigo Venenoso — Caverna da Lira.

Wukong estudou a placa.

— Uma caverna de demônio — disse Bajie, com a perspicácia que o caracterizava.

— Vou entrar para reconhecer o terreno — disse Wukong.

Transformou-se numa abelha. Pequena, dourada, silenciosa, entrou pela fresta da porta de pedra e voou pelos corredores até uma sala central onde uma figura feminina estava sentada num trono de pedra rodeada de servas.

Wukong a estudou. Era bela, mas havia nela algo que não pertencia ao mundo humano — os movimentos tinham uma precisão não biológica, e seus olhos, quando pegavam a luz das tochas, brilhavam com um verde-azulado que nenhum olho humano tinha.

Duas servas trouxeram bandejas com bolões de massa recheados. Uma tinha recheio de carne humana. A outra tinha recheio de feijão doce.

— Tragam o irmão Dourado da Tang — ordenou a criatura.

Tang Sanzang foi trazido por outras duas servas. Estava pálido, os lábios sem cor, os olhos vermelhos de lágrimas. Wukong, na abelha, quis sair de sua transformação e partir para o ataque imediatamente. Mas esperou, observando.

A criatura tratou o mestre com uma gentileza que parecia quase sincera. Ofereceu-lhe o bolão de recheio de feijão. Falou de companhia, de quietude, de encontrar paz longe do caminho difícil.

Tang Sanzang respondeu com o silêncio de quem não tem nada a dizer que valha ser dito.

A criatura, intrigada pela resistência, tentou o humor. Tentou a sedução. Tentou a lógica.

Tang Sanzang ficou quieto como uma pedra e olhou para o nada com olhos que estavam longe dali.

Wukong, nas alturas da sala, quis sorrir mas não tinha boca de abelha para isso. Velho teimoso, pensou com afeto.

Mas quando a criatura começou a se aproximar de Tang Sanzang com uma intenção clara nos gestos e no olhar, Wukong não conseguiu mais se conter. Saiu da forma de abelha, sacou o bastão, e rugiu:

— Besta imunda!

A criatura ergueu os olhos, e então algo estranho aconteceu: da boca dela saiu uma nuvem de fumaça escura que engoliu toda a sala. Wukong ouviu a ordem — guardem o irmão Dourado — e depois a criatura estava na entrada da caverna, com um tridente de três pontas de aço, encarando-o.

— Macaco intrometido. Que direito tem de entrar na minha casa?

— O direito de recuperar meu mestre — disse Wukong, e atacou.

A batalha foi equilibrada e violenta. A criatura não recuava, suas três pontas se movendo com uma velocidade que mal podia ser seguida pelos olhos. Quando Bajie chegou correndo e entrou na briga, ficou três contra um, e mesmo assim a criatura mantinha seus três atacantes em xeque.

Então ela usou sua habilidade especial.

Um movimento súbito, um arco do corpo, e algo pontudo atingiu o couro cabeludo de Wukong com uma dor que não era como nada que ele havia sentido em toda sua longa vida de batalhas.

— Ai! — gritou ele, e aquela exclamação involuntária disse mais do que qualquer discurso sobre a seriedade da situação.

Recuou, agarrando a cabeça. Bajie, vendo seu irmão recuar, também bateu em retirada, agarrando o focinho onde havia recebido um golpe semelhante.

— Que arma é essa? — grunhiu Bajie. — Parece um gancho envenenado.

Wukong estava ajoelhado no chão, com a cabeça entre as mãos, enquanto a dor pulsava como um tambor de guerra. Sua cabeça havia sobrevivido a machados e espadas e raios e fogo divino. O que poderia furar essa cabeça assim?

Sentaram no sopé da montanha, os dois feridos, Sha Wujing olhando para os dois irmãos com uma expressão de preocupação genuína.

Uma velha apareceu no caminho vindo do sul, carregando uma cesta de bambu com verduras. Havia algo na aura dela — uma luminosidade sutil, como sol visto através de névoa — que fez Wukong olhar mais atentamente.

Aquelas eram as nuvens auspiciosas de uma divindade disfarçada.

Wukong ajoelhou-se imediatamente, puxando Bajie pelo braço.

Bodhisattva Guanyin — disse ele, com a cabeça baixa.

A velha ergueu-se, e por um momento o disfarce escorregou, e havia ali a figura alta e luminosa da Bodhisattva da Compaixão com seu véu branco e sua frasquinha de salgueiro, olhando para eles com olhos que carregavam séculos de paciência.

— Wukong — disse ela —, este demônio é mais perigoso do que parece. O gancho em sua cauda é a Estaca do Veneno Invertido. Com um único golpe pode paralisar qualquer ser, humano ou divino. Ela mesma, com essa arma, feriu o Buda Tathagata no polegar esquerdo quando ele tentou afastá-la da Montanha Espiritual, e até o próprio Buda teve dificuldade com a dor.

Silêncio entre os três peregrinos.

— Mas ela é uma... — começou Bajie.

— Escorpião — disse Guanyin. — Uma escorpião gigante que viveu por eras, que absorveu energia divina, que assumiu forma humana. Não há arma comum que possa derrotá-la. Mas há um ser que pode.

— Quem? — perguntou Wukong.

— O Oficial Estelar Mão da Manhã — disse Guanyin. — Ele reside no Palácio da Luz no Portão Leste do Paraíso. É ele quem pode enfrentar esta criatura.

Wukong estava de pé antes de Guanyin terminar a frase. Disparou pelos ares em direção ao Leste.

O Oficial Estelar Mão da Manhã estava voltando de uma audiência imperial quando Wukong o interceptou no corredor etéreo entre as constelações. Era um ser majestoso, vestido de ouro com lantejoulas de luz estelar, carregando um leque de penas de turquesa que farfalhava nos ventos celestiais.

Grande Sábio — disse o Oficial, com uma reverência. — Que urgência?

Wukong explicou, e o Oficial concordou imediatamente — havia entre eles o entendimento rápido de dois seres de poder que reconhecem a urgência de uma situação.

Desceram juntos para a Montanha do Inimigo Venenoso.

Bajie estava ainda ajoelhado no chão, agarrando o focinho, quando Sha Wujing apontou para o céu.

— O Grande Sábio voltou com um convidado.

O Oficial Estelar veio ao sopé da montanha, examinou as feridas de Wukong e Bajie, e com um único toque curou o veneno que ainda pulsava nos ferimentos.

— Como faz isso? — perguntou Bajie, maravilhado.

— Faz parte de minha natureza — disse o Oficial, simplesmente.

Wukong e Bajie voltaram à entrada da caverna e chamaram a criatura de volta ao combate. Ela saiu, arrancando insultos, brandindo seu tridente. Recuaram gradualmente, conduzindo-a para onde o Oficial Estelar esperava no cume de uma pedra.

O Oficial ficou de pé e soltou um grito.

Era apenas um grito — alto, claro, penetrante como uma agulha de cristal atravessando o ar. Mas para aquela criatura, aquele som era a coisa mais devastadora do universo.

O tridente caiu. O belo rosto da criatura contorceu-se. O corpo inteiro estremeció e começou a recuar para sua verdadeira forma — não uma mulher, mas um escorpião enorme, castanho-dourado, maior que um cavalo, com a cauda curvada sobre as costas como um arco de morte.

O Oficial gritou de novo.

O escorpião caiu de lado, imóvel. A força havia saído de todos os seus membros.

Bajie avançou.

— Não escapa desta vez — disse ele, e seu ancinho desceu com força total, transformando a criatura num amontoado de quitina e fluido amarelo-esverdeado.

Sha Wujing veio correndo com a notícia de que Tang Sanzang estava livre na câmara interior, ileso, sentado num canto com os olhos fechados em meditação enquanto as servas do demônio corriam em todas as direções sem saber o que fazer com a morte de sua mestra.

O Oficial Estelar inclinou-se diante de Wukong.

— Boa sorte com a jornada, Grande Sábio. Venham nos visitar quando as Escrituras estiverem em mãos.

E voltou ao paraíso da mesma forma calma com que havia descido.

Tang Sanzang abraçou seus três discípulos com a gratidão de alguém que havia ficado muitas horas convicto de que morreria com a virtude intacta. Depois, com aquela practicidade monástica que era uma das suas virtudes mais constantes, perguntou se havia algo para comer.

Havia. As servas do demônio — que eram, na verdade, mulheres comuns do País das Mulheres que haviam sido sequestradas — tinham um celeiro cheio de arroz e feijão. Cozinharam uma refeição decente, e os quatro peregrinos comeram em silêncio feliz enquanto as mulheres libertadas encontravam seus caminhos de volta para casa.

Depois, com as tochas da caverna apagadas e o fogo de uma vida de mal extinto, Tang Sanzang montou no cavalo branco e disse:

— Vamos.