Capítulo 52: Wukong Semeia o Caos na Caverna Dourada — Buda Revela o Verdadeiro Dono do Anel
Sun Wukong recupera seu bastão e continua a luta contra o demônio do anel, buscando ajuda do próprio Buda Tathagata, que revela ser o anel o Vajra de Laojun — roubado por seu boi azul fugitivo.
A madrugada sobre a Montanha Dourada estava carregada de fumaça e derrota. Os guerreiros celestiais sentavam-se em silêncio nas nuvens, com suas armas desaparecidas, olhando uns para os outros com a expressão envergonhada de quem não sabe o que dizer.
Sun Wukong chegou brandindo seu bastão recuperado com o entusiasmo de quem reencontrou um velho amigo.
— Recuperei minha arma! — anunciou, fazendo o bastão rodopiar em arcos de prata. — Agora vou entrar nessa caverna e acabar com esse negócio de uma vez!
Li Tianwang ergueu uma sobrancelha.
— E nossas armas? Quando as recuperamos?
— Logo, logo — disse Wukong, com aquela impaciência que era sua marca registrada. — Primeiro deixem-me bater nesse demônio até ele cuspir tudo que engoliu.
E o fez. Voltou à caverna, chamou o demônio a combate, e os dois lutaram por três longos turnos do relógio, sem que nenhum cedesse. O monstro era forte, era rápido, e por mais que o Bastão de Ouro cantasse no ar com toda a sua força de treze mil e quinhentas libras celestiais, o demônio desviava, contra-atacava, e mantinha seu terrível equilíbrio.
Quando o entardecer começou a tingir o céu de roxo, o demônio recuou.
— Chega por hoje, macaco — disse ele. — Não é hora de brigar no escuro. Voltamos amanhã.
— Fuja, fuja — respondeu Wukong, mas ele também estava cansado, embora jamais admitisse isso.
Quando a caverna fechou suas portas, Wukong declarou para seus aliados celestiais:
— Deixem-me tentar roubar o anel esta noite. De dia, os bandidos ficam de guarda; à noite, é quando o ladrão entra em ação.
O General das Chamas e os generais do trovão olharam uns para os outros com expressões que misturavam admiração e desconforto.
— É um método heterodoxo — concordou Deng, o general do trovão.
— É eficaz — respondeu Wukong, e já estava se transformando num grilo.
Pequeno como uma pedra de areia, ele deslizou pela fenda da porta e se escondeu na sombra de uma parede enquanto os demônios jantavam com o barulho de quem não se preocupa com nada. Depois, quando os roncos começaram a ecoar pelos corredores de pedra, Wukong avançou.
Encontrou o quarto do chefe de demônios pela trilha de fumaça de incenso barato e pelo roncar de trovão de um ser que dormia profundamente. Transformou-se num pulgão amarelo e saltou para a cama de pedra.
Lá estava o demônio, deitado de lado, com o anel branco enrolado no braço esquerdo — não o havia tirado para dormir. Wukong enfiou a mandíbula e mordeu.
O demônio rugiu no sono e se virou.
— Seus serventes preguiçosos! Nem sacudir a cama direito vocês sabem!
Wukong mordeu de novo.
— Que coisa me mordeu? — resmungou o demônio, e puxou o anel mais fundo no braço, enrolando-o duas vezes, antes de voltar a dormir.
Wukong tentou uma terceira vez, mas o anel estava tão firmemente preso ao braço que era impossível tirá-lo sem acordar completamente o monstro. Resignado, recuou. Havia uma forma melhor de resolver isso.
Foi para o depósito de armas, abriu a fechadura com magia, e encontrou tudo o que o demônio havia roubado — as seis armas de Nezha, os cavalos de fogo e dragões de fogo do General das Chamas, tudo organizado com o orgulho de um colecionador. E na mesa, uma bandeja de vime com um punhado de pelos.
Os próprios pelos que Wukong havia transformado em macacos.
Tomou os pelos, soprou neles e os transformou em cinquenta pequenos macacos. Ordenou a eles que pegassem tudo — as espadas, as facas, os laços, os maços, os cavalos de fogo, os dragões de fogo — e soltou também as bestas em chamas que incendiaram a câmara.
O caos que se seguiu foi monumental. Os demônios acordaram com o fogo lambendo seus couros, correndo em todas as direções, gritando, tropeçando uns nos outros. Metade deles morreu naquela noite. O chefe acordou e caminhou pela caverna apagando fogo com seu anel mágico, salvando o que podia salvar, mas o estrago já estava feito.
Wukong chegou ao cume da montanha com os braços cheios de armas e os cinquenta macacos atrás dele carregando o resto. Li Tianwang e os outros vieram ao seu encontro, e houve um momento de festa genuína ali entre as nuvens, com Nezha recuperando suas seis armas com visível alívio.
Mas na manhã seguinte, quando atacaram de novo em força total — Nezha com suas seis armas, os generais do trovão com seus raios, o General das Chamas com suas chamas reformadas, Li Tianwang com sua espada, e Wukong com seu bastão — o demônio tirou o anel do bolso, atirou-o ao ar, e num único movimento engoliu absolutamente tudo outra vez.
Todos ficaram de mãos vazias, de novo.
Wukong ficou olhando para os punhos vazios por um longo momento.
— Há uma força em jogo aqui que eu não entendo — disse ele, finalmente. — Preciso ir perguntar ao próprio Buda.
Nenhum dos guerreiros celestiais tinha uma resposta melhor para oferecer. Então Wukong deixou todos para trás e disparou pela nuvem de ouro em direção ao Ocidente, em direção à Montanha dos Abutres onde ficava o Grande Templo do Trovão.
A Montanha Espiritual era sempre uma visão que lhe tirava o fôlego. Os pinheiros murmuravam nas encostas, os monges caminhavam nos terraços de jade, os pássaros brancos voavam em círculos perfeitos sobre as torres douradas.
Uma monja veio ao seu encontro no jardim das bambus.
— Wukong, sempre impaciente — disse ela, sorrindo. — Se quer ver o Tathagata, entre pelo portal principal, não fique aqui olhando paisagem.
Os Oito Grandes Vajras custodiavam a porta, mas se afastaram para deixá-lo passar, e Wukong entrou na sala principal e se prostrou diante da presença imensa e serena do Buda Tathagata.
— Senhor — disse ele, a testa no chão —, seu discípulo foi encarregado de proteger Tang Sanzang nesta jornada ao Oeste. Fomos apanhados por um demônio de poderes extraordinários que possui um anel que devora qualquer objeto que lhe seja lançado. Pedi ajuda ao Imperador de Jade, que enviou Li Tianwang e Nezha — o anel comeu as armas deles. Trouxe o General das Chamas com seus dragões de fogo — o anel comeu os dragões. Trouxe o Deus do Rio com suas águas — a água não chegou perto. Ontem à noite, roubei de volta nossas armas, mas esta manhã o demônio as roubou de novo. Imploro que o Senhor use sua visão sábia para me dizer a origem desta criatura.
O Buda Tathagata olhou para Wukong com aqueles olhos que viam tudo e disse:
— Eu sei quem é esse demônio. Mas não posso te dizer diretamente. Você tem língua solta demais, macaco — se eu te disser de onde ele vem, você vai sair gritando o nome do dono pelo caminho, e aí vai haver confusão aqui mesmo na Montanha Espiritual.
Wukong fez sua melhor expressão de contrição.
— Então como me ajuda, Senhor?
— Mandando dezoito Arhat com você. Eles carregarão areia dourada divina. Leve o demônio para longe da caverna, deixe que os Arhat joguem a areia, e ela vai paralisá-lo completamente — os pés afundam, o corpo não obedece, e você pode capturá-lo.
Wukong levantou-se, agraciou o Buda com um sorriso de entusiasmo e saiu correndo — apenas para descobrir que havia apenas dezesseis Arhat esperando do lado de fora.
— Eram dezoito! — protestou ele, olhando ao redor.
— Estávamos recebendo instruções adicionais — disseram os outros dois, Domador de Dragões e Subjugador de Tigres, saindo naquele momento pela porta. — Calma, macaco agitado.
De volta à Montanha Dourada, Wukong foi direto à porta da caverna e chamou o demônio a combate, recuando gradualmente, conduzindo-o para terreno aberto onde os dezoito Arhat esperavam nas nuvens. Ao sinal de Wukong, eles derramaram a areia dourada.
A areia caiu como neblina luminosa, cobrindo tudo. O demônio sentiu seus pés afundarem — três palmos, depois seis palmos — e entrou em pânico. Enfiou a mão no bolso, pegou o anel, atirou-o para cima.
E o anel fez o que sempre fazia: engoliu toda a areia dourada dos dezoito Arhat em um único movimento preguiçoso.
Silêncio.
Os Arhat ficaram com os braços no ar, sem nada para mostrar pelo esforço.
Domador de Dragões voltou-se para Wukong.
— O Tathagata nos disse: se o anel roubar a areia, vá procurar o Velho Senhor Laojun no Palácio Tushita no Trigésimo Terceiro Céu. Lá você encontrará a origem desta criatura.
Wukong disparou pelos ares sem precisar ouvir mais.
O Palácio Tushita, separado de tudo pelo Céu do Desapego, era o lar de Laojun, o Velho dos Caminhos. Dois meninos guardiões tentaram barrar a passagem de Wukong, mas ele passou por eles como brisa passa por galhos.
Laojun estava ali, surgindo de uma câmara interna com uma expressão de quem não está muito surpreso com a visita.
— Macaco, você não deveria estar protegendo o monge?
— É exatamente sobre isso que vim falar, Velho Senhor — disse Wukong, e olhou em volta, e viu imediatamente o que precisava ver: a baia de bois estava vazia. O grande boi azul de Laojun não estava lá.
Num canto, um menino dormia profundamente — tinha engolido um elixir que o faria dormir por sete dias.
— Seu boi azul fugiu — disse Wukong.
Laojun ficou pálido.
— Quando? Como?
— Há sete dias, pelo jeito. E o boi está agora na Montanha Dourada, fingindo ser um demônio com chifres e uma lança, capturando meu mestre e roubando as armas de todos os guerreiros celestiais com um anel que ele roubou de você.
Laojun verificou seu inventário de tesouros com mãos trêmulas. Tudo estava lá — exceto o Vajra Diamantino, um anel que havia fabricado no início dos tempos, que tinha o poder de subjugar qualquer objeto do mundo.
— Esse boi de maldição — resmungou Laojun. — Levou meu Vajra. Com isso ele é invencível contra qualquer força que eu conheça, exceto meu próprio leque de folha de bananeira.
Wukong tinha que admitir: aquele momento foi satisfatório.
Laojun agarrou o leque e voou com Wukong de volta à Montanha Dourada. Quando chegaram, o velho filósofo ficou no alto de um pico e chamou o boi azul com uma voz que ressoou pelos vales como um sino de templo.
— Boi! Você não vai voltar para casa?
O demônio olhou para cima, viu seu mestre, e ficou tão atordoado que por um momento esqueceu tudo. Wukong aproveitou o momento de distração para se aproximar e dar-lhe um tabefe sonoro no focinho.
O boi sacou o anel e o atirou. Laojun abriu o leque e jogou um sopro de vento divino.
O anel parou no ar, girou sem força, e caiu diretamente nas mãos de Laojun.
O boi vacilou — seus músculos amoleceram, sua força escorreu para fora como água —, e de repente não havia mais demônio, apenas um grande boi azul ajoelhado no chão da montanha, com os olhos arregalados e o focinho tremendo.
Laojun amarrou o anel no focinho do animal com uma correia de seda — é assim que as argolas de boi são feitas até hoje — e montou no boi com a dignidade de quem nunca perdeu o controle da situação.
— Cuide melhor dos seus meninos da próxima vez — disse Wukong.
— Cuide melhor do seu mestre — respondeu Laojun, e voou de volta ao Trigésimo Terceiro Céu.
Sun Wukong entrou na caverna com Li Tianwang e seus aliados, matou cada demônio menor que encontrou, liberou Tang Sanzang, Zhu Bajie e Sha Wujing de suas amarras, recuperou o cavalo branco e as bagagens, e distribuiu as armas roubadas de volta a seus donos.
Agradecimentos foram feitos em todas as direções. Guerreiros celestiais voltaram para seus postos no céu. E Tang Sanzang, ainda tremendo um pouco, mas ileso, montou no cavalo branco.
Quando eles continuaram o caminho para o oeste, um espírito da montanha correu até eles com uma tigela de arroz quente — Sun Wukong havia mandado buscar aquela refeição antes mesmo de entrar na batalha, guardando-a numa tigela de prata até o momento certo.
— Para o Mestre Tang — disse o espírito, com uma reverência.
E Tang Sanzang, pela primeira vez em dias, sorriu de verdade.