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Capítulo 5: O Grande Sábio Rouba o Elixir; O Caos se Instala no Banquete dos Pêssegos da Imortalidade

Sun Wukong saqueia o jardim dos pêssegos da imortalidade, invade o banquete celestial, rouba os elixires de Laozi e causa caos no Palácio Celestial.

Jornada ao Oeste Capítulo 5 Sun Wukong Pêssego da Imortalidade Banquete dos Pêssegos Palácio Celestial

O jardim dos pêssegos da imortalidade ficava na ala mais tranquila e protegida do Palácio Celestial, cuidado pela Rainha-Mãe do Oeste com a atenção que se dá a um tesouro que demora dez mil anos a renovar-se. Era um lugar de beleza que detinha o pensamento — fileiras de árvores antigas cujos troncos tinham a espessura de três homens de braços dados e cujos galhos se curvavam sob o peso de frutas de jade rosado que cheiravam ao próprio conceito de eternidade, um perfume que flutuava sobre os muros do jardim e chegava mesmo aos pátios externos como uma promessa constante.

Havia três variedades, cada uma plantada numa seção separada do jardim: os pêssegos da parte dianteira amadureciam a cada três mil anos, e quem os comesse ganhava pele imaculada e leveza de passo que não envelhecia. Os da seção central amadureciam a cada seis mil anos e permitiam ao consumidor subir pelos ares e viver para além do alcance da morte comum. E os do fundo, os mais raros e venerável de tudo — os que amadureciam a cada nove mil anos — colocavam o consumidor em igualdade com o próprio firmamento, tão eterno quanto as estrelas.

A Rainha-Mãe estava se preparando para seu Grande Banquete dos Pêssegos — uma festividade que reunia os mais elevados seres do cosmos, um evento que ocorria apenas quando o ciclo das nove mil anos estava completo, quando os pêssegos mais preciosos estavam prontos para ser colhidos e partilhados com os eleitos. Havia designado sete fadas de sua corte pessoal para colher as frutas maduras com a delicadeza que o momento exigia.

As sete fadas chegaram ao jardim com cestos de seda bordada nos braços, falando em voz baixa com a reverência que o lugar merecia. Mas quando entraram pela porta de jade e começaram a examinar as árvores da seção dianteira, encontraram o jardim em estado que as paralisou imediatamente: ramos quebrados, cascas de pêssego espalhadas no chão entre as raízes, metade das frutas da primeira seção desaparecidas, e as árvores da segunda seção notavelmente menos carregadas do que haviam estado na última verificação três dias antes.


Wukong havia descoberto o jardim numa de suas caminhadas solitárias pelo Palácio, numa tarde em que o tédio das cerimônias havia se tornado insuportável e ele saíra para explorar as alas menos frequentadas. O portão era guardado, mas para um ser capaz das Setenta e Duas Transformações, guardas são inconvenientes menores.

Havia entrado como uma borboleta de asa azul e saído da borboleta assim que estava suficientemente dentro para ficar fora da visão dos guardas.

E então ficou parado diante das árvores carregadas de pêssegos e sentiu o mesmo reconhecimento que havia sentido diante do Bastão de Ouro no fundo do oceano — a sensação de que aquilo estava ali, de alguma forma, especificamente para ele. O perfume era de um tipo que ia além do olfato, que chegava a lugares mais internos do que o nariz.

Tinha comido pêssego após pêssego. Com a despreocupação satisfeita de alguém que come fruta no próprio quintal. Das três variedades, sem distinção — provando cada tipo com a curiosidade exploratória que era sua marca, apreciando as diferenças sutis de sabor e textura, voltando às que mais lhe agradavam para uma segunda e terceira vez.

Havia passado horas naquilo. E então, finalmente satisfeito de uma maneira profunda que ia além da saciedade física, havia subido numa das árvores maiores, se transformado numa parte do galho usando uma de suas habilidades menores, e dormido ali — camuflado perfeitamente, embalado pelo balanço suave das folhas e pelo perfume das frutas.


As sete fadas o encontraram ali, e quando o barulho dos cestos e suas vozes o despertaram, desceu do galho com um sorriso e o pelo ainda manchado de suco rosado, sem a menor sombra de culpa no rosto.

"Ah! Chegaram para colher os pêssegos. Que felicidade — precisava de companhia."

As fadas fizeram suas reverências com aquela mistura específica de respeito e alarme discreto que resulta de encontrar alguém que claramente não deveria estar onde está mas possui um título que torna a repreensão direta imprudente.

"O Grande Sábio Igual ao Céu também aprecia os pêssegos sagrados?" disse a maior delas, escolhendo as palavras com cuidado.

"Aprecia muito," confirmou Wukong sem hesitar. "São excelentes para a saúde. Já comi uns quantos hoje. Talvez mais do que uns quantos, se formos honestos."

As fadas trocaram olhares que continham conversas inteiras.

Wukong, com a curiosidade que nunca o abandonava, perguntou enquanto observava as fadas começarem a trabalhar: "E o Grande Banquete dos Pêssegos que a Rainha-Mãe prepara — quem foi convidado? Certamente é uma lista ilustre."

As fadas listaram os convidados com a automaticidade de quem decorou o protocolo: os Quatro Budas do Ocidente, os Cinco Anciãos Sábios do Leste, os Oito Reis Dragão, os Dez Reis dos Infernos, os Imortais dos Três Ilhas, as mais altas divindades de cada domínio. Cada nome era uma figura de imensa importância no cosmos.

"E Sun Wukong?" perguntou ele. "O Grande Sábio Igual ao Céu está na lista dos convidados?"

A fada maior hesitou de uma maneira que disse tudo sem dizer nada. "Não nos foi dado conhecimento sobre todos os convidados..."

Era uma resposta que era uma não-resposta, e Wukong era inteligente demais para não reconhecê-la como tal.

"Vou verificar pessoalmente," disse ele.

E desapareceu — usando o feitiço de imobilização que havia aprendido no terceiro ano com Subhuti, que congelava temporariamente o movimento de quem estava ao redor sem causar dano, apenas criando uma janela de alguns minutos para saída rápida. As fadas ficaram paradas com os cestos no ar, expressões suspensas entre duas expressões, e não viram Sun Wukong partir.


O local do banquete ficava num dos salões maiores do Palácio — um salão tão vasto que parecia ter seu próprio clima interno, com pilares de jade branco que subiam até um teto onde nuvens de decoração flutuavam em padrões estudados. Os preparativos estavam em andamento com a coordenação elaborada de quem organizou eventos desse tipo centenas de vezes: cozinheiros carregavam pratos de comidas que não tinham nome em nenhuma língua mortal, serventes dispunham os utensílios de jade e ouro com réguas invisíveis que garantiam alinhamento perfeito, e o vinho de mil anos estava sendo decantado de garrafas de cristal de quartzo em taças de âmbar com a delicadeza de quem lida com algo irreversível.

E no centro do salão, a mesa de honra — com lugares meticuosamente designados por tabuletas de jade, cada tabuleta com o nome de um convidado em caracteres que brilhavam com sua própria luz.

Wukong caminhou ao longo da mesa invisível — havia usado o feitiço de invisibilidade, uma das habilidades mais úteis do seu repertório — e leu os nomes um por um.

O nome de Sun Wukong, Grande Sábio Igual ao Céu, não estava em lugar algum.

A afronta foi como brasa caindo em palha seca. Não havia exatamente raiva — havia algo mais preciso do que raiva, uma clareza fria sobre o que o Palácio Celestial e todos os seus protocolos realmente achavam de Sun Wukong, por baixo de toda a cortesia da tabuleta de ouro e do palácio de hóspedes e das duas fadas assistentes.

Era suficiente para decidir o que acontecia a seguir.

Wukong arrancou um pelo do próprio braço, soprou nele com uma técnica específica, e o pelo se tornou um duplo adormecido de si mesmo — uma cópia perfeita que dormia agora no quarto de hóspedes como prova de sua presença obediente caso alguém fosse verificar.

Então, ainda invisível, começou a fazer o que um ser de sua natureza fazia quando tinha uma ala de banquete inesperadamente à sua disposição e nenhuma supervisão: saqueou tudo o que encontrou de interessante.

O vinho de mil anos tinha um sabor que não existia em nenhum outro lugar — não era só vinho, era o próprio processo do tempo transformado em líquido, e havia nele camadas de sabor que se revelavam em sequência como um argumento filosófico que ia ficando mais interessante à medida que progredia. Wukong bebeu das taças preparadas para os grandes imortais com a apreciação genuína de um ser que raramente encontrava algo à sua altura em questão de qualidade.

Os petiscos eram obras de arte culinária que seria uma pena deixar na mesa de alguém que não saberia apreciar adequadamente. Wukong os considerou um a um antes de comer os mais interessantes.

E havia também os pêssegos adicionais que os serventes haviam disposto em travessas decorativas ao longo das laterais da mesa.


Depois, com o estômago satisfeito e o espírito ainda fervilhando com aquela combinação específica de satisfação imediata e indignação de fundo, Wukong teve um pensamento que era, em retrospecto, a ideia mais consequencial da sua vida até aquele ponto.

O Laboratório do Supremo Velho Senhor ficava numa torre separada do complexo do palácio — Wukong havia mapeado sua localização durante as semanas de exploração cuidadosa que havia feito desde sua chegada. Laozi, o guardião da alquimia celestial, o mais antigo dos sábios taoístas, trabalhava ali com seus fornos e seus instrumentos produzindo elixires de vários tipos e potências para uso nos rituais celestiais.

Os elixires da imortalidade que o próprio Laozi havia refinado para sua coleção pessoal eram guardados em cabaças de jade de diferentes tamanhos, seladas com cera de abelha dourada e catalogadas segundo um sistema que ninguém mais conhecia. Wukong encontrou a câmara onde ficavam e ficou diante das cabaças com os olhos brilhantes.

Cada cabaça era uma concentração de poder destilado ao longo de eons — a essência da imortalidade em forma fluida, o resultado de um processo alquímico que convertia a quintessência dos cinco elementos em algo que, ingerido, tornava o corpo praticamente indestrutível.

Wukong abriu a primeira cabaça. Cheirou. Era uma fragrância que não tinha equivalente — como todos os cheiros bons do mundo combinados e então destilados novamente até sobrar apenas a ideia de bom cheiro.

Bebeu tudo.

Abriu a segunda. Bebeu.

A terceira, a quarta, a quinta — até que todas as cabaças estavam vazias e Wukong ficou ali com elas nas mãos, sentindo um calor que percorria seu corpo da raiz do pelo até a ponta dos dedos, uma sensação de plenitude que era diferente de qualquer coisa que já havia sentido, como se cada célula do seu ser tivesse sido substituída por uma versão melhorada de si mesma.

A voz de bom senso que raramente se fazia ouvir dentro dele disse então: Isso vai ter consequências.

Wukong considerou isso com honestidade. Sim, vai.

Seria muito prudente sair do Palácio imediatamente.

Excelente observação.

E saiu — voando pela rota invisível que havia identificado semanas antes, descendo das nuvens de volta ao Monte das Flores e Frutos antes que qualquer alarme fosse dado, aterrissando entre os pinheiros do seu monte com o coração mais cheio do que havia estado em muito tempo, e uma sensação de potencial no corpo que tornava difícil ficar parado.


Os alarmes foram dados em sequência, como uma série de pedras caindo num lago — cada uma criando ondas que chegavam ao centro antes que a perturbação da anterior houvesse se dissipado.

Primeiro as fadas saíram de sua imobilização e encontraram o jardim, relataram à Rainha-Mãe. Depois os preparativos do banquete revelaram o vinho bebido, os petiscos faltantes, a desordem de alguém que havia estado presente sem estar na lista. Por último e mais grave, Laozi chegou ao laboratório, encontrou as cabaças vazias, e produziu um ruído que não era bem um grito mas que os guardas do corredor ouviram como sinal inconfundível de catástrofe.

Cada relatório chegou ao Imperador de Jade com urgência crescente — o tipo de urgência que se acumula quando múltiplos problemas sérios apontam para o mesmo culpado.

O Imperador ouviu cada relatório em silêncio. Seus ministros esperavam expressão de raiva, de consternação, de resolução imediata.

O Imperador ficou em silêncio por um tempo que foi ficando desconfortável.

Então disse, com uma calma que era ela mesma uma forma de decisão: "Sun Wukong."

Não era pergunta.

"Sim, Vossa Majestade," confirmou um ministro. "Todas as evidências apontam para o Grande Sábio sem ambiguidade."

"Onde está agora?"

"De volta ao seu monte, acredita-se."

O Imperador de Jade fechou os olhos por um momento. Quando os abriu, havia neles uma clareza que dispensava interpretação. "Preparem dez divisões do exército. General Li Jing comandará a operação. O objetivo é prender Sun Wukong e trazê-lo ao Palácio para julgamento."

Naquela sala, a decisão pousou como pedra em água funda — pesada, definitiva, com ondas que se espalhariam muito além do que qualquer um ali presente podia prever.

A guerra entre o Palácio Celestial e o Rei dos Macacos havia sido declarada. E nenhuma das partes estava preparada para o que isso realmente significava.