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Capítulo 49: Tang Sanzang Sofre Desastre no Palácio Aquático; Guanyin Salva do Perigo Manifestando-se com Cesto de Peixe

Bajie e Sha Wujing combatem o Rei Sensível no fundo do rio mas não conseguem vitória. Sun Wukong vai a Potalaka e encontra Guanyin em trajes simples, tecendo um cesto de bambu. A Bodhisattva lança o cesto no rio e captura o Rei Sensível — um peixe dourado de seu próprio lago de lótus que escapou numa maré alta. O Velho Tartaruga carrega os peregrinos pelas oitocentas li restantes.

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Tang Sanzang estava no fundo do Rio Celestial dentro de um caixão de pedra.

Não era uma metáfora — era uma pedra de seis pés, fechada por cima por outra pedra, do tipo que existe nos fundos dos rios antigos onde a água nunca mexe. Estava úmido, frio, e escuro, e o único som era a pressão da água e, às vezes, o movimento de algo grande passando perto.

Recitava em voz baixa.

Não porque acreditasse que a recitação mudaria a situação imediata — estava dentro de um caixão de pedra no fundo de um rio, e as sutras não abrem pedra — mas porque era a única coisa que podia fazer e porque o som das palavras era, por si mesmo, uma forma de manter a mente no lugar certo.

Às vezes pensava no Imperador Tang, que havia esperado três anos e recebeu silêncio. No mosteiro de Jinshan, onde havia estudado em criança. Na montanha de cinco pontas onde havia encontrado Sun Wukong pela primeira vez.

Recitava.


Na superfície, Bajie e Sha Wujing haviam mergulhado no Rio Celestial três vezes nas últimas horas.

O palácio aquático do Rei Sensível ficava a duzentos li do fundo — uma estrutura de coral e pedra fluvial que a criatura havia construído ao longo de décadas, com câmaras que Sun Wukong, transformado em camarão, havia explorado rapidamente antes de sair para confirmar que o mestre estava vivo.

O mestre estava vivo. Estava atrás de um caixão de pedra no corredor traseiro do palácio. Havia dito em voz baixa que estava bem, que os discípulos deveriam se cuidar, e que quando saísse dali gostaria de falar com Sun Wukong sobre o assunto de ouvir avisos na beira de rios gelados.

Sun Wukong tinha dito que estaria de acordo com essa conversa assim que o tirasse do caixão.

O problema era o combate.

Bajie e Sha Wujing lutavam bem no fundo — Bajie especialmente tinha a força bruta de alguém criado para dominar a água, e o cajado de Sha Wujing era eficaz nos espaços estreitos das câmaras do palácio. Mas o Rei Sensível lutava com o terreno, usando correntes dentro do palácio que só ele entendia, aparecendo por ângulos que os dois não antecipavam, e depois de duas horas de combate, os dois estavam empatados com ele e ninguém havia ganhado.

Sun Wukong não podia entrar de forma eficaz — na água, precisava de um encantamento de respiração que ocupava energia que deveria estar no bastão, e o bastão sem energia plena perdia metade do que era.

Ficou na margem olhando para o rio por um tempo.

Depois foi ao sul.


A ilha de Potalaka estava tranquila quando Sun Wukong chegou.

Os guardiões dos vinte e quatro caminhos estavam no lugar, o Príncipe Hui'an estava nos jardins, a dragoa que guardava o frasco de jade estava na posição habitual. Tudo normal.

Exceto que Guanyin não estava no trono de lótus.

— A Bodhisattva está no bambuzal — disse o guardião. — Pediu para não ser perturbada.

— O meu mestre está preso no fundo de um rio — disse Sun Wukong.

— A Bodhisattva pediu para não ser perturbada.

Sun Wukong entrou no bambuzal.

O que encontrou era diferente de qualquer coisa que havia visto antes em Potalaka. Guanyin estava sentada num tronco caído com os cabelos soltos — não o penteado elaborado das aparições formais, mas o cabelo simples de alguém que não havia arrumado ao acordar. Usava uma veste curta de trabalho. Os pés estavam descalços na terra.

Na mão, tinha uma faca de trinchar bambu, e à volta dela havia ripas de bambu verde de vários tamanhos, e estava tecendo alguma coisa.

Sun Wukong ficou parado na entrada do bambuzal.

— Bodhisattva — disse ele.

Guanyin não levantou os olhos do trabalho.

— Eu sei por que você veio.

— Meu mestre —

— Está no fundo do Rio Celestial. Eu sei.

Sun Wukong ficou em silêncio.

— Então por que está tecendo um cesto?

Guanyin cortou uma ripa, dobrou-a, encaixou-a com a precisão de alguém que havia feito isso antes mas não recentemente.

— Porque é o que é necessário.

O cesto estava quase pronto — oval, com alças de bambu verde, com um padrão de trança que era funcional sem ser ornamental. O tipo de cesto que pescadores usam.

— Um cesto para pescar — disse Sun Wukong.

— Sim.

— Para pescar o Rei Sensível?

— Sim.

— Que tipo de criatura é o Rei Sensível?

Guanyin cortou a última ripa e encaixou o fecho do cesto.

— Um peixe dourado — disse ela. — Que vivia no meu lago de lótus. Cada manhã, subia à superfície para ouvir os sutras que recito. Há anos que fazia isso, e ao longo dos anos foi refinando entendimento suficiente para ter forma e poder. — Fez uma pausa. — Há um tempo, houve uma maré alta no mar do sul. A água subiu ao lago, e o peixe dourado seguiu a corrente para fora, e chegou ao Rio Celestial, e não voltou.

Sun Wukong olhou para o cesto.

— Você sabia que estava lá.

— Eu soube quando ele capturou o seu mestre. Antes disso, sabia que havia saído do lago, mas não onde havia ido.

— E vai pescar ele.

— Vou pescar ele.

Guanyin se levantou, amarrou o cesto com uma faixa de seda que havia tirado da própria roupa, e caminhou para fora do bambuzal com os pés ainda descalços.

— Discípulo — disse ela —, venha.


A chegada de Guanyin ao Rio Celestial foi anunciada não por Sun Wukong mas pelos guardiões locais, que haviam sentido a presença dela antes que chegasse à margem e haviam saído do esconderijo para se prosternarem.

Bajie e Sha Wujing, que estavam sentados na margem recuperando o fôlego depois do terceiro mergulho, viram a Bodhisattva descalça com um cesto de bambu na mão e ficaram em silêncio.

— Você foi buscá-la assim? — disse Bajie para Sun Wukong em voz muito baixa.

— Ela estava no bambuzal.

— Sem os ornamentos, sem o manto, descalça —

— Eu sei.

Guanyin caminhou até a beira da água. Tirou a faixa de seda que havia usado para amarrar o cesto, atou o cesto ao final da faixa, e ficou de pé com os pés quase na água.

Disse algo em voz baixa — não um sutra, não um encantamento, algo mais simples que Sun Wukong não conseguiu ouvir completamente.

Jogou o cesto na água.

Ficou segurando a faixa de seda.

O cesto afundou.

Por um minuto, nada aconteceu. O rio continuava com a superfície lisa que o gelo havia deixado ao derreter. Os guardiões locais continuavam prostrados. Bajie continha a respiração.

Guanyin puxou a faixa devagar.

O cesto subiu.

Dentro dele havia um peixe.

Não um peixe normal — era dourado de verdade, com escamas que refletiam a luz de maneira que lembrava o ouro refinado, com os olhos ainda vivos e abertos, olhando para cima através das grades do cesto de bambu. Tinha a qualidade que os animais têm quando percebem que foram encontrados por alguém que os conhece.

Bajie disse:

— Isso é o Rei Sensível?

— Era o Rei Sensível — disse Guanyin. — Agora é o peixe dourado do lago de lótus, de volta onde pertence.

Sha Wujing já havia mergulhado no rio. Dentro do palácio aquático, sem o poder da criatura que o mantinha coeso, as paredes estavam se desintegrando — os espíritos menores dispersando, as correntes internas desaparecendo, e no corredor traseiro, o caixão de pedra que já não tinha nada segurando-o começou a se mover.

Sha Wujing levantou a pedra de cima, tomou o mestre pelos braços, e os dois subiram à superfície.

Tang Sanzang estava encharcado, frio, e com a dignidade um pouco comprometida, mas completamente intacto.

Ficou de pé na margem e viu Guanyin com o cesto de bambu.

— Bodhisattva — disse ele, e se inclinou.

— Levante-se — disse Guanyin. — Há uma dívida a fazer no que diz respeito ao peixe, mas essa é minha dívida, não a sua. O senhor continue sua jornada.

Tang Sanzang ficou de pé.

— Mas o rio —

Do fundo da água veio um som — não de combate, não de demônio, mas o som de algo muito grande e muito velho se movendo para a superfície. O que emergiu era uma tartaruga de um tamanho que tornava a palavra tartaruga insuficiente — quatro metros de largura de carapaça, a cabeça do tamanho de uma carroça, os olhos antigos com a qualidade de algo que havia estado ali antes do rio existir.

— Grande Sábio — disse a tartaruga com a voz de alguém que havia ouvido muita coisa no fundo de rios ao longo de muitos séculos. — O palácio aquático onde você encontrou o monge era o meu lar antigo. Aquela criatura o havia tomado de mim há nove anos. Você devolveu o lar. Permita-me transportar o mestre pelas oitocentas li restantes.

Sun Wukong olhou para a tartaruga.

Depois olhou para o rio.

Depois olhou para Tang Sanzang, que estava encharcado e com expressão de alguém que havia aprendido uma lição específica sobre ouvir avisos.

— Aceite — disse Sun Wukong.

A travessia das oitocentas li do Rio Celestial levou um dia inteiro — a tartaruga movia-se com a velocidade de algo que não tinha pressa porque pressa era uma preocupação de criaturas com vida curta. Mas a superfície da carapaça era absolutamente estável, e o cavalo branco não escorregou uma única vez, e quando chegaram à margem ocidental, Tang Sanzang desceu e fez uma reverência para a tartaruga.

— Senhor, agradeço. Quando retornar do ocidente, trarei as escrituras e qualquer resposta que o Buda puder dar.

A tartaruga disse:

— Há uma pergunta que carrego há mil trezentos anos. Quando chegará o dia em que possa deixar esta carapaça e ganhar um corpo humano?

Tang Sanzang respondeu:

— Farei a pergunta.

A tartaruga mergulhou.

Os peregrinos voltaram para o ocidente com o sol à esquerda e o rio atrás deles, e a questão da carapaça da tartaruga ficou guardada no silêncio do mestre como mais uma das coisas que havia prometido perguntar quando chegasse.