Capítulo 3: O Bastão de Ouro e a Ascensão do Grande Sábio
Sun Wukong obtém o lendário Bastão de Ouro no Palácio do Rei Dragão, consegue armadura nos reinos do submundo, e proclama a si mesmo o Grande Sábio Igual ao Céu.
O oceano não intimidava Sun Wukong. Nunca havia intimidado — afinal, ele mesmo havia cruzado mares numa jangada de bambu sem hesitar. Mas desta vez, ao mergulhar nas profundezas do Mar Oriental, não era a insegurança que o movia, mas a convicção absoluta de que ali, no fundo das águas, encontraria o que precisava.
Usando uma técnica de controle das águas que aprendera com o Mestre Subodhi, caminhou pelo fundo do oceano como se caminhasse por uma estrada comum, as águas se abrindo respeitosamente a cada passo. Os peixes e crustáceos que o avistavam recuavam em reverência ou em susto — difícil dizer qual dos dois. Sun Wukong seguia em frente com a expressão de quem faz uma visita de negócios.
O Palácio de Cristal do Rei Dragão Ao Guang emergia das profundezas como uma visão de outro mundo: torres de coral vermelho, muralhas de jade verde, portões incrustados de pérolas do tamanho de cabeças humanas. Lanternas de água-viva iluminavam os corredores com uma luz que pulsava como um coração subaquático.
O Rei Dragão Ao Guang o recebeu no grande salão com a pompa que a situação exigia e com uma expressão que tentava disfarçar o desconcerto que sentia. Afinal, ninguém simplesmente aparecia em seu palácio caminhando pelo fundo do mar como se estivesse numa praça pública.
"Sou Sun Wukong", anunciou o macaco sem preâmbulos, "Rei dos Macacos do Monte das Flores e Frutos. Seu vizinho, por assim dizer. Vim pedir uma arma emprestada — ou melhor, dada."
O Rei Dragão sorriu com a diplomacia cansada de quem sabe que discutir seria inútil. Mandou trazer uma espada pesada, ornamentada com ouro e rubis.
Sun Wukong a empunhou, a balançou duas vezes e a devolveu. "Muito leve."
Mandaram trazer um tridente de ferro com a ponta de ouro.
"Muito leve também."
Uma alabarda de noventa quilos?
"Brinquedo."
O Rei Dragão trocou olhares nervosos com sua corte. Sun Wukong observava tudo com os braços cruzados e a expressão de alguém esperando pacientemente em uma fila.
Foi então que a Rainha Dragão, que havia observado a cena com crescente curiosidade, se aproximou do marido e murmurou algo em seu ouvido. O Rei Dragão assentiu lentamente.
"Existe uma coluna", disse ele a Sun Wukong, "que fica no fundo deste palácio, no depósito das antiguidades. Colocamos lá porque emite uma luz que perturba nosso sono. Dizem que pertence ao grande fundador Yu, que a usou para medir as profundezas dos mares. Você é bem-vindo a ela."
Sun Wukong seguiu os servos do Rei Dragão até o depósito das antiguidades, e lá estava — uma coluna de ferro escuro, do tamanho de um pilar de templo, que irradiava uma luz dourada fraca mas persistente. Havia inscrições ao longo de seu comprimento, e cada extremidade terminava numa ponta reforçada por argolas de ouro.
Assim que Sun Wukong colocou a mão sobre ela, algo aconteceu.
A coluna pulsou. Era uma sensação sutil, quase como um coração batendo sob o metal — um reconhecimento. Como se a arma tivesse estado esperando por ele desde que o fundador Yu a criara há eras incomensuráveis.
"Que seja um pouco menor", murmurou Sun Wukong, e a coluna se contraiu até o tamanho de um cajado comprido, perfeita para empunhar com as duas mãos. "Menor ainda." Reduziu-se ao tamanho de uma flauta. "Maior." Cresceu até tocar o teto do depósito.
O Bastão de Ouro — assim chamado pelas argolas douradas em cada extremidade — tinha encontrado seu dono.
Sun Wukong voltou ao grande salão empunhando o bastão com a casualidade de quem segura um palito, e o Rei Dragão fez uma expressão que só pode ser descrita como alívio profundamente disfarçado. Mas Sun Wukong não estava satisfeito apenas com a arma.
"Preciso também de uma armadura adequada", disse ele. "Não é razoável que um Rei venha à guerra com estas vestes de sempre."
O Rei Dragão abriu a boca para protestar — ele havia dado seu tesouro mais antigo! — mas Sun Wukong o preveniu com um olhar que comunicava claramente que a alternativa a presentear uma armadura era ter o palácio desmontado peça por peça por um macaco com um bastão mágico.
Mensageiros foram enviados correndo aos reinos dos outros três Reis Dragão — Norte, Sul e Oeste. E em questão de horas, chegaram os presentes: um capacete de ouro adornado com fênix, uma armadura dourada de cota de malha e botas de nuvens que permitiam caminhar no ar. Sun Wukong vestiu tudo isso com a tranquila satisfação de alguém que sabia que merecia.
Voltou ao Monte das Flores e Frutos em grande estilo, descendo das nuvens sobre a Caverna da Cortina d'Água enquanto os macacos abaixo explodiam em gritos de admiração e reverência. Ele os reuniu, demonstrou os poderes do bastão — que podia crescer até perfurar o céu ou encolher até caber atrás de uma orelha — e então organizou seu reino com a eficiência de um general experiente.
Nomeou generais. Dividiu seu exército em brigadas. Treinou seus súditos nas artes marciais com a paciência surpreendente de um mestre que ainda se lembra de como é ser iniciante. As semanas que se seguiram foram de disciplina alegre, de um exército de macacos se tornando algo que o mundo jamais havia visto.
Mas havia um problema que ele ainda não havia enfrentado: a morte.
Não a morte dos outros — isso ele podia lidar. Era a sua própria mortalidade que ainda o incomodava, apesar de todos os poderes que havia adquirido. Havia aprendido a viver por séculos, mas o Rei do Inferno ainda mantinha seu nome nos registros dos mortais. Enquanto seu nome estivesse lá, o Rei do Inferno podia, tecnicamente, vir buscá-lo a qualquer momento.
Isso era inaceitável.
Uma noite, Sun Wukong adormeceu e foi surpreendido por dois agentes do submundo — figuras encapuzadas com correntes nos braços, portando um documento oficial com seu nome. Com uma naturalidade irritante, apresentaram-lhe a intimação: era hora de comparecer perante o Rei do Inferno para prestar contas de uma vida que, por todos os registros celestiais, já havia sido longa demais.
Sun Wukong olhou para os agentes com a expressão de alguém que acaba de ser interrompido no meio de um sonho agradável.
"Não", disse.
Os agentes insistiram. Sun Wukong empunhou o Bastão de Ouro. Os agentes reconsideraram, mas Sun Wukong já havia decidido que, já que estava ali de qualquer forma, iria ao submundo — mas em seus próprios termos.
No Palácio do Submundo, os dez Reis do Inferno o receberam com a solenidade nervosa de funcionários públicos que de repente se veem diante de alguém que claramente não respeita as regras do sistema. Sun Wukong examinou os livros dos registros com o dedo imperioso, encontrou seu nome — e o de todos os macacos do Monte das Flores e Frutos — e com uma pincelada de tinta vermelha que lhe pediram emprestada, riscou cada um deles.
"A partir de agora", anunciou, "nem eu nem nenhum dos meus súditos está sujeito ao julgamento deste lugar."
Os Reis do Inferno protestaram em coro. Sun Wukong deu uma pancada no chão com o bastão que fez tremer os alicerces do submundo.
Os Reis do Inferno engoliu em seco e concordaram.
De volta ao Monte das Flores e Frutos, Sun Wukong se sentiu pela primeira vez verdadeiramente imortal. Não apenas de corpo — isso o Mestre Subodhi já havia garantido — mas também na burocracia cósmica que regia o destino de todos os seres.
Não demorou muito para que as queixas chegassem ao Palácio Celeste. O Rei Dragão reclamou da perda de seu tesouro. Os Reis do Inferno reclamaram da violação de seus registros sagrados. E o Imperador de Jade, sentado em seu trono de nuvens douradas, ouviu todos esses relatos com a expressão cansada de um governante que percebe que um problema menor acaba de se tornar um problema maior.
"Quem é esse macaco?", perguntou ele.
Um conselheiro se adiantou. "Um ser nascido de uma pedra no Monte das Flores e Frutos, Majestade. Aprendeu as artes da imortalidade com algum mestre desconhecido. Possui um bastão capaz de abalroar o céu e a terra."
O Imperador de Jade tamborilou os dedos no braço do trono. "E o que ele quer?"
"Pelo que podemos avaliar, Majestade... quer que o mundo todo o respeite como o ser mais poderoso que existe."
Outro silêncio pensativo. Os cortesãos trocavam olhares nervosos.
"Então talvez", disse o Imperador de Jade finalmente, com a sabedoria pragmática de um governante eterno, "devêssemos dar-lhe um título que o satisfaça."
Mas que título seria suficiente para Sun Wukong? Era a questão que nenhum conselheiro celeste conseguia responder com confiança.
Mas havia ainda algo que Wukong precisava verificar antes de partir ao Palácio.
Voltou ao monte e reuniu todos os macacos para um discurso que misturava instrução prática e visão estratégica — havia aprendido com Subhuti que o poder sem organização era barulho, e com a batalha contra o Rei Misto que organização sem poder era vulnerabilidade. Distribuiu as armas conquistadas entre os macacos mais capazes, designou capitães e tenentes com funções específicas, estabeleceu rotas de patrulha e protocolos de alerta. Em poucas horas, o que havia sido uma tribo de macacos com bastões de bambu tornara-se algo que se assemelhava a um exército real.
"Quando estiver ausente," disse Wukong aos quatro velhos conselheiros que governariam em seu nome, "esta montanha deve ser mantida como sempre foi — segura, próspera, com todos os macacos vivendo com a alegria que é nosso direito por nascimento."
Os quatro curvearam-se. Os macacos ao redor aplaudiram.
E Sun Wukong, com o Bastão de Ouro atrás da orelha e a armadura de ouro brilhando ao sol da tarde, partiu para o Palácio Celestial — carregando consigo a energia do Monte das Flores e Frutos, o treinamento da Caverna do Coração Oblíquo da Lua, e aquela qualidade indomável que era simplesmente quem ele era, que nenhum palácio poderia conter por muito tempo mas que, por ora, iria ali ver o que havia para ser visto.
No Palácio do Rei Dragão, Wukong havia também observado algo que só compreendia agora, de volta ao seu monte: a diferença entre poder que serve e poder que impõe.
O Rei Dragão tinha imenso poder no seu domínio — controlava as águas de todo o mar oriental, comandava exércitos de criaturas aquáticas, possuía tesouros que dynastias humanas inteiras não alcançariam em mil anos de acumulação. Mas havia no Rei Dragão, durante toda a visita, uma qualidade de contenção — não fraqueza, mas a sabedoria específica de quem sabe que seu poder tem limites e que reconhecer esses limites é em si uma forma de força.
Wukong havia saído do palácio com tudo o que queria — o bastão, as armaduras, os equipamentos. Mas ao refletir sobre a visita, reconhecia que havia algo nos olhos do Rei Dragão durante toda a interação que não era apenas resignação ante um hóspede mais poderoso. Era também avaliação: quem é este ser, o que quer além do que pede, para onde isso vai levar?
Era o tipo de pergunta que Wukong raramente havia se feito sobre si mesmo.
Que tipo de ser era ele, afinal? Nascido de pedra, criado por macacos, treinado por um imortal, rei por mérito de coragem e habilidade. Mas para quê? A imortalidade que havia buscado — e que havia conquistado de formas que o próprio Patriarca não havia explicitamente ensinado mas que o treinamento havia tornado possível — para quê serviria?
Não havia uma resposta clara. Mas a pergunta ficou com ele de uma maneira que as perguntas que importam sempre ficam — não urgente, não angustiante, mas presente, como uma pedra no sapato que se remove para andar mais confortavelmente mas que marca o lugar do sapato enquanto está lá.
O Palácio Celestial esperava. E lá, talvez, a pergunta encontraria alguma forma de resposta — mesmo que não fosse a forma que qualquer ser sensato esperaria.