Capítulo 28: O Monte das Flores e Frutos em Ruínas — Tang Sanzang é Capturado na Floresta Negra
Sun Wukong retorna ao Monte das Flores e Frutos devastado e encontra seus companheiros macacos sobrevivendo em miséria. Enquanto isso, Tang Sanzang se perde na floresta e cai nas mãos de um demônio.
Expulso pelo mestre, Sun Wukong cruzou o Mar do Oriente em um único salto, e lá estava ela — a água de sempre, as ondas de sempre, imensas e indiferentes ao tempo. Enquanto sobrevoava o espelho cinzento do oceano, pensou: Cinco séculos se passaram desde que percorri este caminho.
O vento lhe trouxe o cheiro da terra antes mesmo que a terra aparecesse. E quando o Monte das Flores e Frutos emergiu do horizonte, Sun Wukong pousou devagar — mais devagar do que era seu costume — como se temesse o que encontraria. E tinha razão de temer.
As flores haviam morrido. As frutas haviam morrido. Os pinheiros retorcidos que ele conhecia desde criança jaziam carbonizados, seus galhos estendidos como braços de naufragados. As pedras que já foram cobertas de musgo brilhante agora exibiam marcas negras de fogo antigo. O lugar onde havia festa e riso permanente era agora um campo de cinzas. Era o trabalho do deus Erlang e de seus seis irmãos da Montanha Mei, que haviam incendiado tudo quando o aprisionaram cinco séculos atrás.
Sun Wukong permaneceu imóvel por um longo momento. Um poema nasceu em sua garganta, mas ele o engoliu. Havia tempo para lamentos mais tarde. Agora havia apenas a devastação.
Então um barulho. Um movimento entre as pedras quebradas. Sete ou oito macacos pequenos emergiram cautelosamente de entre os escombros, seus olhos arregalados de espanto e alegria misturados.
— Grande Sábio! Grande Sábio voltou! — gritaram, e subiram sobre ele, abraçando seus braços e pernas como crianças.
— Onde estão todos os outros? — perguntou Sun Wukong, olhando ao redor.
Os macacos ficaram quietos. Um dos mais velhos, com cicatrizes nas costas, respondeu com voz baixa e trêmula:
— Quando o Grande Sábio foi levado pelos céus, os caçadores chegaram. Com armadilhas e redes e bestas de aço. Mataram metade, capturaram a outra metade para servir de entretenimento nas feiras, obrigando-os a fazer acrobacias por moedas de cobre. Os que sobreviveram se esconderam nas grutas mais fundas. Agora somos apenas mil almas nesta montanha que antes era casa de quarenta e sete mil.
Sun Wukong ouviu isso sem dizer palavra. Quando o macaco terminou, ele perguntou pelos generais que havia deixado no comando — e eles vieram, saindo das sombras, curvando-se diante dele com uma mistura de alegria e culpa. Alegria por vê-lo. Culpa por não terem podido proteger o que ele deixara para trás.
— Preparem pedras — disse Sun Wukong.
Os macacos não entenderam, mas obedeceram. Carregaram pedras, fragmentos de rocha que o fogo havia quebrado em pedaços irregulares, e as empilharam em montes espalhados pela montanha — trinta aqui, cinquenta ali, oitenta mais adiante. E então Sun Wukong mandou que todos se escondessem dentro da Caverna da Cortina d'Água.
Não demorou. Do sul vieram os sons — tambores, buzinas, o latido de cães de caça, o relinchar de cavalos. Uma tropa de mais de mil caçadores subia a encosta, carregando arcos, lanças, gaiolas e redes. Homens duros, experientes, que faziam daquelas colinas seu sustento há anos, sem ninguém para impedi-los.
Sun Wukong subiu ao pico mais alto e observou. Eram muitos. Vinham com confiança, como quem entra em território conquistado. Ele respirou fundo, formou o selo com os dedos e evocou o vento do leste.
O que veio foi mais que vento. Foi uma tempestade surgida do nada, furiosa como uma divindade traída. As pedras que os macacos haviam empilhado se ergueram e voaram — cem, duzentas, trezentas pedras cortando o ar como projéteis de catapulta. Os caçadores não tiveram tempo de gritar. Cavalos caíram. Bandeiras foram arrancadas. Em minutos, o campo foi silenciado.
Sun Wukong pousou no meio da devastação e olhou ao redor. Então riu — mas era um riso estranho, sem alegria verdadeira.
— Tang Sanzang me dizia: mil dias de bondade ainda não bastam; um dia de maldade já é demais. E eu, seguindo-o, me continha quando matava demônios. E agora? Voltei para casa e acabei com centenas de homens mortais. Mas eles vinham matar os meus. Não havia escolha.
Chamou os macacos. Mandou que retirassem as roupas dos mortos, lavassem o sangue delas e as vestissem para se esquentar. Mandou que empurrassem os corpos para o fundo do abismo. Mandou que aproveitassem as armas e a carne dos cavalos abatidos. E então, com os estandartes coloridos que sobraram, costurou uma única bandeira multicolorida e a hasteou na entrada da caverna, onde os caracteres proclamavam em vermelho e ouro:
Grande Sábio Igual ao Céu — Reconstruindo o Monte das Flores e Frutos — Restaurando a Caverna da Cortina d'Água.
Nos dias seguintes, Sun Wukong percorreu os quatro mares, pedindo aos Reis Dragões das águas chuva suave para lavar a montanha. Plantou salgueiros e pinheiros, pessegueiros e ameixeiras. Reuniu novos demônios e espíritos de toda espécie para preencher o vazio que os caçadores haviam deixado. A montanha começou, devagar, a reviver. E ele viveu ali por algum tempo, soberano novamente, sem pronunciar a palavra "monge", sem pensar em sutras budistas, sendo apenas o que sempre havia sido: o Rei Macaco do Monte das Flores e Frutos.
Enquanto isso, Tang Sanzang cavalgava para o ocidente com Zhu Bajie na frente abrindo caminho com seu ancinho e Sha Wujing carregando as bagagens. Haviam atravessado a Crista do Tigre Branco e chegavam agora a uma floresta densa e escura, onde os pinheiros cresciam tão juntos que a luz do sol chegava apenas em fiapos pálidos ao chão coberto de sombra.
— Discípulos — disse Tang Sanzang, puxando as rédeas do cavalo branco — este lugar é perigoso. Fiquem vigilantes. Há uma presença aqui que não me agrada.
Mas logo Tang Sanzang sentiu fome. E mandou Zhu Bajie buscar comida.
O porco foi. E foi pelo caminho mais longo que encontrou. E logo sentiu o cansaço das pernas e a tentação da grama alta e macia. Deitou-se "apenas por um momento" — e dormiu como pedra, roncando sonoramente com o ancinho atravessado sobre o peito.
Sha Wujing, cansado de esperar, foi procurá-lo.
E Tang Sanzang ficou sozinho na floresta.
Tentou sentar quieto sob uma árvore. Mas a inquietação o dominou — aquela inquietação que vem quando se está sozinho em lugar estranho, quando o silêncio tem textura demais para ser tranquilizador. Levantou-se. Pensou que talvez devesse procurar um lugar para pernoitar. Caminhou um pouco. Depois um pouco mais. Depois um pouco demais.
E se perdeu.
Foi então que viu, entre as árvores, um reflexo dourado — como se o sol poente batesse em alguma superfície polida. Uma torre, ou o que parecia ser uma torre, com um teto reluzente. Todo templo que encontro, devo visitar. Toda pagode, devo honrar. Era um voto que havia feito antes de partir.
Tang Sanzang caminhou em direção à luz.
A torre era real. Mas o que havia ao seu redor não era um templo — era uma gruta profunda e escura, com um véu de bambu na entrada e um cheiro de carne crua que fazia o estômago se revirar. Ele estava prestes a recuar quando viu a coisa.
Uma figura enorme — pele verde-azulada manchada de vermelho, presas brancas como osso, olhos abertos como lanternas acesas — estava deitada sobre uma pedra plana. De repente ergueu a cabeça.
— Quem está lá fora? — disse o monstro, e sua voz era como pedra rolando ladeira abaixo.
Um demônio menor espreitou pela entrada e voltou correndo, os olhos brilhando de excitação:
— Grande Rei! É um monge! Careca, de rosto redondo, orelhas compridas. Gordo e bem nutrido. Parece absolutamente delicioso!
O demônio maior sorriu com seus dentes serrilhados, satisfeito como quem ouve boas notícias:
— Mosca que entra sozinha na boca da aranha. Tragam-no.
E os demônios menores saíram em enxame e agarraram Tang Sanzang antes que ele pudesse dar mais um passo. Carregaram-no para dentro com facilidade despreocupada e o depositaram diante do trono de pedra.
O demônio o olhou longamente, inclinando a cabeça para um lado e para outro.
— Monge de terra sagrada — disse ele finalmente. — Os do leste têm uma qualidade especial. Quem come um pedaço de sua carne vive para sempre. Que sorte a minha.
— Grande Senhor — disse Tang Sanzang, com as mãos unidas diante do peito, mantendo a voz firme apesar do terror — sou um monge enviado pelo Imperador da Grande Tang para buscar as escrituras no Ocidente. Caminho a serviço do Buda. Por favor, deixe-me passar...
— Amarrem-no — disse o demônio, sem escutar.
E o amarraram ao Pilar que Prende a Alma, os braços para trás, os pés para a frente, pendurado de frente para o chão como carne salgada ao defumo.
O demônio então mandou fechar a porta da frente e esperou.
— Seus discípulos virão procurá-lo — explicou aos subordinados com a paciência de quem ensina crianças. — Deixe-os chegar. Negócio que vem até a porta é o melhor negócio.
Zhu Bajie acordou aos solavancos, com Sha Wujing puxando-lhe as orelhas enormes como se quisesse arrancá-las.
— Imbecil! O mestre mandou você buscar comida e você ficou dormindo aqui na grama como um porco comum!
— Eu estava... pensando na melhor rota — disse Zhu Bajie, esfregando os olhos. — Qual é o problema?
— O problema é que o mestre desapareceu.
Correram de volta para onde haviam deixado Tang Sanzang. Encontraram apenas o cavalo branco amarrado a uma árvore e as bagagens intactas. Nenhum sinal do mestre.
Sha Wujing olhava ao redor com o rosto sério:
— Houve uma luta. Ou uma armadilha.
— Bobagem — respondeu Zhu Bajie, mas sua voz havia perdido a convicção habitual.
Então viram, ao sul, aquele reflexo dourado entre as árvores. Correram em direção a ele. Encontraram a torre. Encontraram uma placa de pedra na entrada: Gruta Ondas da Lua — Monte Tigela.
— É uma toca de demônio — disse Sha Wujing com certeza.
Zhu Bajie levantou o ancinho de nove dentes e bateu na porta com força suficiente para acordar os mortos:
— Abram! Eu sei que o mestre está aí dentro! Entreguem ele imediatamente ou eu furo essa porta como papel molhado!
A porta se abriu. E o demônio saiu — imenso, formidável, vestido de armadura de ouro com uma faca brilhante na mão — e olhou para eles com um sorriso que não era nada amistoso.
— Ah. Os discípulos do monge gordo. Bem-vindos. Entrem também para o jantar.
— Você vai se arrepender — disse Zhu Bajie, e atacou.
A batalha começou acima das copas das árvores, na escuridão que começava a cair sobre a Floresta Negra, dois monges lutando furiosamente contra um demônio antigo enquanto seu mestre pendurado lá dentro rezava baixinho, as lágrimas escorrendo silenciosas pelo rosto careca, esperando que seus discípulos chegassem a tempo.