Capítulo 25: O Monstro do Pinheiro Faz Uso de Artimanhas; Sun Wukong Destrói Três Demônios no Monte Pingdeng
No Monte da Igualdade, três demônios poderosos capturam Tang Sanzang usando truques elaborados. Wukong enfrenta um dos maiores desafios da jornada até agora.
O Monte Pingdeng — Monte da Igualdade — tinha um nome enganosamente tranquilo para um lugar habitado por três demônios de poder que excedia qualquer coisa que o grupo havia enfrentado até aquele ponto da jornada.
Os três eram irmãos de sangue e de prática — unidos por séculos de treinamento conjunto que os havia tornado mais eficazes em combinação do que qualquer um deles seria separado. O mais velho, Rei Leopardo Dourado, havia cultivado velocidade e precisão cirúrgica durante gerações. O do meio, Rei do Unicórnio, havia desenvolvido uma resistência física que tornava os golpes diretos ineficazes como chuva em pedra. O mais novo, Rei do Leão de Nuvem, havia aperfeiçoado a habilidade de criar duplicatas perfeitas de si mesmo — trinta, cinquenta, cem imagens simultâneas que tornavam impossível identificar o original sem o terceiro olho de Erlang ou os olhos de alperce de Wukong.
Eles haviam ouvido da missão de Tang Sanzang muito antes do grupo chegar à região. As criaturas das trevas comunicavam-se por canais que a civilização humana não conhecia, e a notícia de um monge de virtude extraordinária em viagem pelo Oeste havia percorrido todos esses canais com a velocidade de qualquer coisa que desperta o interesse coletivo de seres que perseguem objetivos específicos.
A ideia de que comer a carne de alguém com centenas de vidas de cultivo espiritual conferia imortalidade ao consumidor era suficientemente difundida para ser tratada como fato, embora a evidência fosse escassa. Mas crença amplamente compartilhada funciona como fato para efeitos práticos — e os três irmãos haviam decidido que a oportunidade merecia planejamento elaborado.
A armadilha foi construída com a precisão metódica de quem tinha tempo disponível e inteligência real.
O ponto de emboscada foi escolhido com cuidado — um trecho da estrada que cruzava o flanco do Monte Pingdeng onde a topografia trabalha a favor de quem espera e contra quem viaja: uma passagem estreita ladeada por penhasco de um lado e abismo de outro, onde o cavalo não podia manobrar rapidamente e os discípulos não podiam se separar para flanquear sem perder contato visual uns com os outros.
A isca foi uma figura de fazendeiro idoso — uma das transformações do Rei Leopardo Dourado, convincente nos detalhes que tornavam uma figura de fazendeiro comum, incluindo a curvatura das costas que vem de décadas de trabalho agrícola e o tipo de roupas que alguém de recursos limitados usaria numa região de montanha.
O pedido era simples: seus bois haviam fugido para área remota além da estrada, ele era velho demais para recuperá-los sozinho, havia algum viajante caridoso que pudesse ajudar?
Tang Sanzang ouviu o pedido e desceu do cavalo sem hesitar — porque a compaixão por idosos em dificuldade era uma das expressões mais reflexas de seu caráter, tão automática quanto respirar.
Wukong havia estado escaneando o horizonte com aqueles olhos que viam além do visível comum, e havia alguma coisa na topografia e no timing da aparição do fazendeiro que ativava o instinto de alerta que havia aprendido a não ignorar.
"Mestre, esperai —" começou ele.
O feitiço de névoa amarela do Rei Leopardo Dourado foi ativado antes que Wukong terminasse a frase.
A névoa era de um tipo específico — não bloqueava a visão mas distorcia o espaço ao redor, criando a ilusão de que pontos próximos eram distantes e vice-versa. Em questão de segundos, o grupo havia se separado involuntariamente, cada um em seu próprio bolso de percepção alterada.
Quando a névoa se dissipou, Tang Sanzang havia desaparecido.
O cavalo branco estava parado sozinho na estrada com a sela vazia e os estribos balançando.
Bajie girava em todas as direções com o rastelo levantado — uma reação defensiva que seria mais útil se houvesse um alvo identificado. Sha Wujing havia fechado os olhos e estava usando sua percepção dos espíritos aquáticos para tentar rastrear uma assinatura energética, um método mais confiável do que a visão naquelas circunstâncias.
E Wukong tinha nos olhos aquela chama que aparecia quando algo acontecia ao Mestre — não raiva exatamente, mas uma intensidade focada que tornava tudo o mais momentaneamente irrelevante.
"Onde está?" disse Wukong para Sha Wujing.
"Naquela direção." Sha Wujing apontou para o flanco da montanha sem abrir os olhos. "A uma profundidade considerável. Dentro de uma caverna, acredito. Há paredes de pedra ao redor de sua assinatura."
"Guardas?"
"Muitos."
Wukong já estava a transformar-se em mosquito antes que a conversa terminasse.
A caverna principal do Monte Pingdeng era uma estrutura natural ampliada por séculos de ocupação demoníaca. O teto era alto o suficiente para que três homens ficassem em pé um sobre o ombro do outro sem tocá-lo. Os pilares de pedra que sustentavam as abóbadas tinham marcas de garras — o tipo que vem de seres que aguçam garras de forma reflexa, como os gatos aguçam as unhas.
Tang Sanzang estava numa câmara lateral, amarrado com cordas de seda vermelha que brilhavam com um feitiço de imobilização específico para seres com raiz espiritual profunda — quanto mais virtude o aprisionado possuía, mais eficazes eram as cordas. Era uma tecnologia de aprisionamento que havia sido desenvolvida por gerações de demônios que haviam aprendido da maneira difícil que cordas comuns não retinham monges de verdadeiro cultivo.
O Monge estava ileso fisicamente. Havia nas suas feições aquela concentração silenciosa de alguém que escolhe onde pôr a atenção em circunstâncias que não permitem controle de mais nada.
Os três irmãos demônios estavam na câmara principal, discutindo preparativos com uma combinação de entusiasmo genuíno e o tipo de debate detalhista que pessoas com alta competência técnica têm quando estão planejando algo importante. O Rei Leopardo Dourado preferia a abordagem direta — cozinhar. O Rei do Unicórnio tinha uma perspectiva mais filosófica sobre como aproveitar ao máximo a virtude do monge — talvez via ritual antes da refeição. O Rei do Leão de Nuvem estava mais interessado nas defesas do mosteiro, porque sabia que os discípulos do monge não tardariam em tentar resgate.
Wukong ouviu tudo isso com a atenção de quem estava compilando informação útil. E o que o deteve de agir imediatamente não foi falta de coragem — foi informação adicional que observou na câmara principal: um par de garrafas mágicas num prateleira de pedra perto do Rei do Unicórnio.
As garrafas tinham a qualidade dos artefatos que foram criados especificamente para causar dano de um tipo difícil de reverter: eram do tipo que podia sugar um ser para dentro delas ao pronunciar o nome desse ser em voz alta. E havia nos gestos do Rei do Unicórnio em direção a elas uma confiança que indicava que eram sua primeira linha de defesa contra qualquer resgate.
Wukong saiu sem ser visto.
O problema das garrafas exigiu dois dias de planejamento.
Dois dias durante os quais Tang Sanzang estava na caverna e Wukong não estava resgatando-o, o que era a experiência mais difícil que a jornada havia produzido para o primeiro discípulo até aquele ponto. Havia uma qualidade de urgência na necessidade de agir que conflitava diretamente com o reconhecimento de que agir sem o plano certo seria pior do que não agir.
O plano que emergiu desses dois dias foi construído em camadas. Primeiro, a coleta de informação — Wukong em formas variadas de pequeno para espionagem contínua, mapeando os padrões de movimento dos guardas, identificando as rotinas dos três irmãos, encontrando os pontos de menor resistência. Depois, o recrutamento — uma visita rápida ao Palácio Celestial para encontrar um ser celestial cujo nome os demônios provavelmente não conheciam e que pudesse servir como isca para atrair o Rei do Unicórnio para fora da caverna com as garrafas.
Bajie e Sha Wujing continuavam tentando abordagens diretas — ataques ao portal da caverna que serviam também para manter os demônios ocupados e inconfortados mas que não chegavam perto do Mestre. Suas ações eram menos sobre resultado imediato e mais sobre pressão contínua — garantir que os três irmãos não tivessem espaço tranquilo para agir segundo seus planos com Tang Sanzang.
E havia também, nas noites desses dois dias, a conversa silenciosa entre Wukong e o espaço vazio onde o Mestre normalmente estava.
Não era oração — Wukong não tinha vocabulário para oração no sentido convencional. Era mais uma forma de presença direcionada, um reconhecimento de que havia ali uma ligação que a distância e a pedra não podiam cortar completamente.
Havia aprendido, ao longo da jornada, que Tang Sanzang era tanto mais robusto do que parecia quanto mais vulnerável do que parecia. Robusto no sentido de que havia uma qualidade espiritual que não cedia nem sob pressão considerável — havia visto isso em situações anteriores, vira o monge manter calma e clareza em circunstâncias que fariam qualquer ser comum desmoronar. Vulnerável no sentido de que sua vulnerabilidade física era real e tinha que ser levada a sério.
O papel de Wukong era proteger aquela vulnerabilidade. E esse papel havia deixado de ser apenas função e havia se tornado alguma coisa de que ele não tinha nome claro mas que reconhecia como mais importante do que qualquer batalha que havia lutado.
Na execução do plano, houve os desvios inevitáveis — os planos raramente seguem o roteiro exato, e este não foi exceção.
O ser celestial recrutado como isca funcionou para atrair o Rei do Unicórnio para fora da câmara principal. As garrafas foram usadas uma vez e capturaram o ser celestial — era perda real, e havia em Wukong um peso por isso que reconheceu e guardou. Mas a garrafa cheia era uma garrafa que não podia ser usada imediatamente novamente para capturar mais alguém, o que criou a janela necessária.
Wukong entrou pela passagem lateral que havia identificado nos dois dias de espionagem, chegou à câmara onde Tang Sanzang estava, cortou as cordas de seda vermelha com uma precisão que o feitiço de imobilização não tinha previsto — porque o Bastão de Ouro era forjado de um material que não existia nas categorias que o feitiço havia sido designado para resistir.
Tang Sanzang ficou em pé. Olhou para Wukong. E havia em seu olhar algo que era ao mesmo tempo extraordinariamente simples e extraordinariamente profundo: reconhecimento completo de quem havia vindo, por quê havia vindo, e o que havia custado.
"Discípulo," disse ele.
"Mestre," disse Wukong.
Não havia mais a dizer naquele momento. A saída era urgente.
A batalha de saída foi barulhenta e extensa. Bajie entrou pelo portal principal como distração — o rastelo de nove dentes girado horizontalmente criava um perigo generoso em arco amplo que forçava recuo em qualquer ser sem poder de voo. Sha Wujing carregou Tang Sanzang quando ficou claro que o monge estava suficientemente desorientado pelo confinamento para não navegar sozinho pela topografia caótica do combate.
Wukong destruiu as garrafas — as encontrou durante uma abertura no combate, as pegou e as quebrou contra as pedras antes que o Rei Leopardo Dourado pudesse recuperá-las. E com as garrafas destruídas, os três irmãos eram ainda formidáveis mas não eram invencíveis. O combate prolongado que se seguiu terminou com o Bastão de Ouro.
Na encosta da montanha, ao entardecer, o grupo de cinco se reuniu.
Tang Sanzang, libertado, ficou em pé no meio do grupo e olhou para cada um por sua vez. Havia naquele olhar algo que ia além do agradecimento — havia o reconhecimento de que esses seres que o cercavam eram, com todos os seus defeitos e histórias impossíveis e personalidades que às vezes tornavam a convivência difícil de maneiras que nenhuma quantidade de paciência resolvia completamente, a razão pela qual a missão era possível.
"Discípulos," disse ele.
Três pares de olhos — dourados, porcinos, aquáticos — olharam de volta. Mais os olhos escuros e inteligentes do cavalo branco que havia ficado ao lado durante todo o caos com uma lealdade que era pura e sem qualificações.
"Estou bem," disse Tang Sanzang.
"Sabemos," disse Wukong.
"Mas preocupastes-vos."
"Sempre nos preocupamos," disse Bajie com a honestidade que aparecia nele em momentos inesperados — porque havia em Bajie, debaixo de toda a preguiça e da gulodice, uma qualidade de presença real que a jornada havia começado a revelar com mais frequência.
Tang Sanzang sorriu. E era o sorriso de alguém que, por mais que compreendesse a impermanência de todas as coisas, sabia quando estava exatamente onde deveria estar, com exatamente quem deveria estar.
"Continuemos," disse ele.
E continuaram.
A estrada para o Ocidente ainda estava à frente — longa, com demônios e milagres em proporções que nunca se podiam calcular com antecedência. O Grande Templo do Trovão ainda estava distante. As escrituras sagradas ainda esperavam por quem haveria de buscá-las.
Mas o grupo havia encontrado, ao longo de vinte e cinco capítulos de perigo e descoberta e conflito e aprendizagem, alguma coisa que as escrituras poderiam finalmente iluminar com precisão mas que já existia antes das palavras: que a jornada era ela mesma o ensinamento, que os companheiros eram eles mesmos o caminho, e que o destino não era um lugar mas um estado — de coragem praticada, de compaixão real, de perseverança diante de tudo aquilo que o mundo e os próprios corações podiam oferecer como obstáculo.
Sun Wukong ajustou o Bastão de Ouro no ombro e avançou um passo à frente do grupo — não por vaidade, não por protocolo, mas por instinto de proteção que havia crescido ao longo da jornada de algo que havia sido dever para algo que era escolha, e de escolha para algo que não precisava mais de nome porque era simplesmente o que era.
O horizonte do Oeste esperava.
E eles foram ao seu encontro.