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Capítulo 15: Sha Wujing se junta ao grupo — os quatro peregrinos partem juntos para o Ocidente

No Rio da Areia Movediça, o monstro Sha Wujing ataca os peregrinos. Guanyin revela que ele foi o antigo Comandante do Cortejo Celestial, banido por quebrar um cálice de cristal. Após submissão, torna-se o terceiro discípulo de Tang Sanzang.

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O Rio da Areia Movediça não parecia um rio.

Parecia o fim do mundo líquido — vermelho como sangue velho, fundo sem medida, com uma corrente que engolia tudo sem deixar rastro. Penas de ganso afundavam antes de tocar a superfície. Não havia peixe, não havia planta, não havia nada que escolhesse viver naquele lugar.

Exceto uma coisa.


O monstro emergiu da água como uma ilha que havia decidido caminhar.

Era alto, vermelho, com cabelos cor de chama e olhos cor de âmbar. Ao pescoço carregava uma gargantilha macabra — nove crânios humanos amarrados por um cordão que parecia ter sido tecido de névoa antiga.

Atacou sem anúncio.

Sun Wukong o encontrou a meio caminho.

Eles lutaram na margem, no ar, na superfície da água — o bastão de ouro contra uma lança de madeira de pele de lua. Eram iguais em força e opostos em estilo: Sun Wukong frenético e rindo, o monstro silencioso e metódico.

Impasse novamente.


Zhu Bajie entrou no combate. Dois contra um, e o monstro ainda se defendeu — voltou para a água quando as margens ficaram instáveis, ficou nas profundezas esperando.

"Precisamos de Guanyin de novo," Zhu Bajie disse, cuspindo água vermelha.

Sun Wukong foi.


Guanyin enviou seu discípulo Hui'an com uma mensagem para o monstro.

O monstro ouviu o nome de Guanyin e subiu à superfície — desta vez sem a lança, com os ombros diferentes, como alguém que finalmente vê a porta que estava esperando abrir.

A história:

Era o Comandante do Cortejo Celestial — guardião da palanquim real durante as procissões do Imperador de Jade. Num acidente durante uma festa, tropeçou e quebrou um cálice de cristal precioso. Não por maldade. Por descuido.

O descuido custou-lhe o céu.

Banido para o Rio da Areia Movediça, ele ficou preso no fundo — os crânios no pescoço eram dos peregrinos que haviam tentado cruzar o rio e foram devorados. Não por crueldade, mas por fome e desespero.

"Guanyin me disse que um peregrino viria," ele disse com aquela voz grave que vinha das profundezas. "Eu esperava que chegasse antes."


Tang Sanzang o batizou na margem do rio vermelho.

"Sha Wujing — Areia Consciente da Pureza."

O recém-nomeado discípulo devolveu os crânios ao rio — todos afundaram em silêncio. Depois ficou de pé olhando para a água que havia sido sua prisão por séculos.

Não havia nenhuma saudade no olhar. Apenas o alívio de quem pode finalmente voltar as costas para uma coisa.


Agora eram quatro.

Tang Sanzang no cavalo branco, com os olhos sempre na direção do Ocidente. Sun Wukong na frente, o bastão nos ombros e os olhos em tudo ao mesmo tempo. Zhu Bajie atrás, o ancinho de nove dentes arrastando levemente na areia, sempre a pensar em quando seria a próxima refeição. Sha Wujing ao lado do cavalo, silencioso, carregando a bagagem com a paciência dos que esperaram séculos e aprenderam que pressa é um luxo que não podem se permitir.


A família que se reúne por ordem celestial não escolhe quem sente falta de quem. Mas às vezes as pessoas que não escolhemos são exatamente as que fazemos questão de proteger.

O Rio da Areia Movediça ficou para trás.

À frente estava o resto da jornada — oitenta e um tribulações, conforme prometido.

A primeira havia sido a tiara de Sun Wukong. A segunda, o dragão do cavalo branco. A terceira, o porco das oito proibições. A quarta, a areia movediça.

Restavam setenta e sete.